Tudo bem, a gente já entendeu: quase toda vez que a gente fala da Faraday Future aqui no TecMundo, é sobre algum problema envolvendo a montadora chinesa. Parece que a mídia tá pegando no pé dos caras, mas a realidade é que eles não ajudam muito, também.

Executivos importantes pulando do barco, o próprio CEO da empresa reconhecendo problemas financeiros, a falha na apresentação do FF91 – que, apesar do probleminha, foi um grande destaque da CES 2017 – e a falta de informações claras a respeito da saúde financeira da Faraday Future contribuem para o ar de desconfiança que paira sobre a empresa.

Ao que tudo indica, isso não deve melhorar tão cedo, já que a marca está envolvida em mais um problema: um processo de US$ 1,8 milhão, ou R$ 5,7 milhões, vindo de um prestador de serviço que a ajudou em uma apresentação para o lançamento de um novo veículo.

O parceiro em questão é a The Mill Group, mais conhecida por ser a criadora do Blackbird, um chassi adaptável que pode se transformar, virtualmente, em qualquer carro e é utilizado para gravações de filmes e comerciais.

A Faraday Future contratou a produtora especializada em efeitos especiais para desenvolver uma apresentação gráfica, que envolvia elementos como realidade virtual e aumentada, além de componentes holográficos – possivelmente com a finalidade de promover o FF91 na maior feira de tecnologia do ano, embora isso não fique claro na descrição do processo.

De acordo com o documento de seis páginas que dá mais detalhes a respeito do processo, o serviço foi orçado em US$ 1,82 milhão, valor que a montadora se comprometeu a pagar em três parcelas separadas.

O material foi produzido e entregue pela The Mill, mas a Faraday Future só pagou, até hoje, cerca de US$ 20 mil – ou seja, pouco mais de 1% da dívida total.

“A Faraday afirmou repetidas vezes que não nega que deve a quantia citada à The Mill e tem a intenção de pagar”, diz o documento. “No entanto, mesmo depois de insistentes pedidos por pagamento e promessas por parte da montadora, o dinheiro não foi recebido. A Faraday pagou apenas US$ 20 mil, deixando o saldo total em US$ 1.802.750,00.”

A melhor defesa é o ataque?

Embora o documento afirme que a Faraday Future reconhece a dívida, logo que o caso veio ao conhecimento do público, a montadora resolveu se pronunciar e, bem... não foi exatamente como o esperado: a empresa afirmou, através de seu Twitter, que também vai processar a The Mill Group.

A alegação é de que a produtora de efeitos especiais não cumpriu com suas obrigações contratuais.

A atitude, no entanto, foi vista com estranheza por parte do mercado, que entende que uma montadora depende de seus parceiros e prestadores de serviço para crescer, portanto processá-los (e anunciar isso através do Twitter) não parece contribuir muito para construir um bom relacionamento – o que é especialmente crítico quando se trata de uma das melhores empresas do ramo.

O caríssimo FF91

Processos à parte, a Faraday Future ainda tem que lidar com um futuro nebuloso à frente. Como dito anteriormente, apesar de um pequenino problema na apresentação, o FF91 chamou muito a atenção das pessoas que conferiram sua estreia na CES 2017.

A grande questão é que o veículo, se chegar a ver a luz do dia, não deverá ser muito barato também. Isso não é uma surpresa, já que ele vem para disputar mercado junto com o Tesla Model S, que custa por volta de US$ 85 mil nos Estados Unidos.

No entanto, a expectativa de preço, de acordo com Jia Yueting, CEO da Faraday Future, é de que o FF91 custe o equivalente a US$ 290 mil, ou R$ 913 mil. Para se ter uma ideia, um Tesla Model S P85D sai por cerca de R$ 700 mil aqui no Brasil.

De qualquer forma, para que esse valor seja cobrado, é preciso, antes de mais nada, que exista um veículo – e aí está uma das grandes incógnitas a respeito da Faraday Future. Só o tempo vai dizer se o carro da montadora chinesa sairá mesmo do papel.