Se você é uma pessoa preocupada com a própria saúde, já deve ter se questionado mais de uma vez após lavar as mãos em um banheiro público o que seria mais higiênico na hora de se secar: usar aquelas toalhas de papel individuais ou os sistemas de secadores que usam jatos de ar ou ar quente, encontrados em alguns lugares com menos frequência que as folhas de papel?

Outra questão que pode, infelizmente, passar pela cabeça de menos pessoas é o impacto que cada um desses meios pode ter no meio ambiente. O que valeria mais a pena: a produção de incontáveis folhas de papel e o descarte delas ou o gasto em energia elétrica causado pelas máquinas sopradoras de ar?

Seja qual for a sua dúvida em relação ao secar das mãos fora de nossas casas, onde a utilização de uma toalha compartilhada seria obviamente muito mais anti-higiênica que qualquer uma das outras opções, vamos tentar elucidar o máximo possível essa questão e responder essa pergunta que tem causado grandes atritos nas partes interessadas, tanto nos produtores das folhas de papel quanto nos fabricantes dos secadores.

A guerra entre papel e secador

Recentemente, uma troca de farpas bem acentuada aconteceu entre profissionais dos dois lados dessa disputa: defendendo a empresa Dyson, maior fabricante dos dispositivos secadores de mãos, estava o microbiologista Toby Saville, funcionário da companhia.

Como seu antagonista, Keith Redway, autor de um estudo que aponta os defeitos dos secadores no quesito higiene e conhecido por já ter trabalhado em pesquisas pró-toalhas de papel bancadas pelo European Tissue Symposium, corpo industrial ligado à fabricação do produto.

A guerra está declarada

No fim das contas, ambos tinham motivos e pontos consideráveis na crítica ao trabalho do “rival”. Toby Saville afirmou que o trabalho pró-folha de papel apresentava falhas fundamentais, com erros inaceitáveis até para estudantes não graduados. Já Keith Redway defende sua ciência dizendo que valores extrapolados servem para incluir risco em potencial e que deve ser levando em conta, também, se o sujeito realizou uma lavagem de mãos adequada.

Afinal, o que é verdade?

Com tanta animosidade e outros interesses capitalistas envolvidos nessa concorrência nada saudável, as maiores vítimas somos nós, os consumidores, que acabamos ficando sem saber o que realmente interessa: o que é melhor para as pessoas e para o mundo?

Quando utilizados apropriadamente, os dois métodos podem ser considerados muito eficazes para deixar nossas mãos completamente secas

O primeiro ponto a ser avaliado é a eficiência da secagem que os métodos são capazes de fornecer. Pode parecer um fator menos importante, mas não é: mão molhadas são um prato cheio para as bactérias, que fazem da umidade um ambiente favorável para se proliferarem. Quanto mais secas, menos suscetíveis suas mãos estarão a bactérias.

É aí que entra uma das poucas opiniões que os dois lados compartilham: os secadores de jato de ar enxugam as mãos tão bem quanto as folhas de papel. Quando utilizados apropriadamente, os dois métodos podem ser considerados muito eficazes para deixar nossas mãos completamente secas.

Folhas de papel são muito eficazes na secagem das mãos

O inimigo, nesse caso, é o secador de ar quente, que pode conter nele mesmo uma grande quantidade de bactérias (que gostam de ambientes mais aquecidos) e sopram o ar com pouca força. Isso leva a mais um fator que deve ser considerado: a demora no processo realizado pelos secadores de ar quente faz com que as pessoas desistam no meio e saiam do banheiro com as mãos ainda úmidas, o que conduz muito mais bactérias.

Lava uma, lava a outra...

Porém, secar as mãos está longe de ser um processo eficaz para remover as bactérias. É para isso, na verdade, que lavamos as mãos. Ou seja, é infinitamente mais importante para a nossa saúde a maneira como lavamos nossas mãos do que o jeito de secá-las. Manter esse foco apenas na hora de enxugar pode nos tirar a atenção daquilo que é realmente importante.

Apenas 32% dos homens e 64% das mulheres fazem a higiene adequada das mãos

Não é à toa que existem diversas campanhas para estimular o hábito de lavar as mãos após o uso de um banheiro, especialmente em áreas delicadas como hospitais e restaurantes. Ainda assim, não é o que se vê por aí. Uma pesquisa feita no Reino Unido pela BBC perguntou para as pessoas se elas lavavam as mãos após usar o banheiro.

A resposta foi positiva em 99% dos casos. Porém, na prática, o resultado foi bastante diferente: com dispositivos que registravam o uso das torneiras pelos usuários do banheiro, apenas 32% dos homens e 64% das mulheres fizeram a higiene adequada das mãos.

Secadores de jato de ar podem conter mais bactérias do que as folhas de papel

Secador de mãos: uma bomba de bactérias?

O que se tem como opinião acadêmica mais difundida, para a alegria dos fabricantes de folhas de papel, é que os secadores seriam o pior método para enxugarmos as mãos, especialmente no caso dos sopradores de ar quente.

Diversos estudos realizados pela Universidade de Westminster, de Leeds, pelo Instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT) e outros trabalhos publicados pelo Journal of Applied Microbiology mostram que usar o método que utiliza o sopro de ar aumenta o número de bactérias em nossas mãos e pior: espalham micróbios pelo ar, contaminando profundamente o ambiente.

Estudo sobre a dispersão de germes causada pelos secadores de mão

A pesquisa mostra que secadores com jato de ar dispersam 60 vezes mais bactérias no ar do que dispositivos com ar quente e 1,3 mil vezes mais do que as toalhas de papel. Além disso, a maior demora no processo de secagem faz com que as pessoas desistam do método. Estudos mostraram que para secar as mãos nos secadores são necessários 30 segundos de ação.

Secadores podem sujar mais ainda as suas mãos?

A parte negativa é que isso faz com que as pessoas desistam em menos tempo (em 19,6 segundos para os homens e 25,4 segundos para as mulheres, um pouco mais pacientes). O uso de toalhas de papel gastaria apenas 11 segundos de nossas preciosas vidas. As folhas ainda ajudariam a remover fisicamente resíduos de mãos mal lavadas, mostrando-se mais eficazes que o sopro de ar.

E o meio ambiente?

Se pararmos para analisar superficialmente os métodos de secagem de mãos através de sopro de ar e de folhas de papel, podemos enxergar pontos negativos e positivos em ambos no que diz respeito ao bem do meio ambiente. Se, por um lado, a produção do papel exige o corte de árvores e gera uma grande quantidade de lixo, os secadores consomem uma quantidade enorme de energia elétrica, o que gera impacto ambiental de acordo com a origem da eletricidade usada.

O uso das folhas de papel causaria uma “pegada de carbono” 70% maior do que a tecnologia considerada mais avançada entre os secadores

A pedido da Dyson, fabricante dos dispositivos sopradores de ar, o MIT analisou o ciclo de vida dos métodos mais comuns de secagem das mãos em banheiros públicos, inclusive o uso de toalhas de pano e papel e diversos equipamentos que emitem jatos de ar quente ou frio.

As "pegadas de carbono" são o registro do CO2 que emitimos na atmosfera

O resultado? O uso das folhas de papel causaria uma “pegada de carbono” 70% maior do que a tecnologia considerada mais avançada entre os secadores. Entenda “pegada de carbono” como o nosso “rastro” ambiental no mundo, ou seja, o registro da quantidade de dióxido de carbono produzido diariamente por nossas práticas e nosso consumo e a forma como essas emissões de gás influenciam o meio ambiente.

Interesses na jogada

É claro que não podemos ignorar o fato de que o estudo foi encomendado pelo maior beneficiário dele: a empresa que fabrica os secadores de mãos. Talvez seja uma maneira utilizada pela companhia para compensar os resultados ruins quando se avaliou o método mais higiênico e as folhas de papel venceram. Seja como for, com tantos interesses envolvidos em uma indústria que gera tanto dinheiro anualmente, é muito complicado batermos o martelo e afirmarmos qual é realmente a verdade.

O uso de duas folhas de papel toalha emite 56 gramas de CO2, e o uso de um secador de mãos por 30 segundos lança de 9 a 40 gramas de CO2 na atmosfera

Podemos levar em conta maiores detalhes sobre a produção de folhas de papel. Se elas forem feitas a partir de árvores de reflorestamento, a “pegada de carbono” é consideravelmente menor. Produtos feitos a partir de reciclagem, por exemplo, também podem ajudar muito a preservar o meio ambiente.

Ainda assim, levando em conta a produção média atual de ambos os métodos de secagem das mãos, a organização The Climate Conservancy, fundada por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirma que o uso de duas folhas de papel toalha emite 56 gramas de CO2, e o uso de um secador de mãos por 30 segundos lança de 9 a 40 gramas de CO2 na atmosfera.

Faça a sua escolha

No fim das contas, podemos chegar à conclusão de que secar nossas mãos com toalhas de papel é mais higiênico, mas faz mais mal para o meio ambiente. Os secadores de jato de ar podem deixar suas mãos mais contaminadas, além de infectar o ar com bactérias, mas vão gerar um impacto ambiental muito menor do que a primeira opção.

Ainda assim, mais importante que isso é a maneira como lavamos as mãos

Ainda assim, mais importante que isso é a maneira como lavamos as mãos. A prática é considerada entre os médicos a medida isolada mais importante como estratégia de redução da incidência de infecções hospitalares, ou seja, é muito importante e faz muita diferença para a nossa saúde. Com as mãos bem lavadas, o uso de algum tipo de antisséptico e, claro, sem o desperdício de água, o método de secagem acaba se tornando apenas um coadjuvante na proteção da saúde e do meio ambiente.

Como você geralmente seca as suas mãos após lavá-las: usando folhas de papel ou um secador de jato de ar? Comente no Fórum do TecMundo

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