A Apple é uma das maiores companhias do mundo e, obviamente, a maior de Cupertino — cidade em que o "quartel-general" da Maçã está localizado. Por isso, pode ser fácil pensar que os habitantes de lá têm um carinho especial pela empresa, já que ela deveria trazer muitos avanços ao local. Contudo, de acordo com Barry Chang, o próprio prefeito de Cupertino, as coisas não são bem assim.

Acontece que, por ser muito grande, como uma "pequena cidade" dentro de Cupertino, a Apple possui uma verdadeira comunidade de milhares de funcionários. Por isso, o trânsito, o barulho e a mobilidade dos habitantes da cidade californiana são gravemente afetados.

Cupertino, na Califórnia, possui 60 mil habitantes

Os moradores ao redor da base da Apple estão começando a ficar cansados com isso e, de acordo com o The Guardian, querem que o prefeito barre o desenvolvimento da Maçã no local. Por outro lado, Barry Chang comentou que se ele limitar o desenvolvimento, a economia local vai ser afetada. Então, a solução seria aumentar os impostos sobre o lucro de grandes companhias, como a de Tim Cook.

Nave espacial

A Apple está construindo um novo campus e todo mundo sabe (você pode conferir as imagens do campus "nave espacial" clicando aqui). E ele é gigantesco. Por isso, Chang disse que precisa de apenas um voto de um vereador para iniciar um plano que deve amenizar os ânimos da cidade: a Apple deve pagar US$ 100 milhões para melhorar a infraestrutura da cidade.

Se você pensou que é um absurdo a prefeitura pedir a quantia de R$ 350 milhões para a Maçã melhorar a infraestrutura da cidade na qual ela está estabelecida, saiba que esse valor é "troco de bala". Só em 2015, a Apple lucrou US$ 54 bilhões, se tornando a empresa privada mais rentável do mundo. Sim: R$ 190 bilhões de lucro, não estamos de receita.

Sobre isso, Barry Chang disse o seguinte, apontando o dedo na maneira em que a política é conduzida na maioria dos sistemas políticos globais: "Esta política norte-americana. Esta suposta democracia... A Apple é uma companhia tão grande aqui. Então, os membros do conselho ("vereadores") não querem ofender a Maçã. A Apple fala com eles, e eles não votam contra ela. Essa é a verdade".

Apple Campus, como deve ficar ao final das obras

Que coisa feia, Apple

Segundo o New York Times, a Apple é uma das companhias pioneiras na evasão fiscal. Você sabe o que é isso? São manobras feitas para evitar o pagamento de impostos e a violação frontal de leis tributárias. Ou seja: ela evita pagar impostos da maneira que devem ser pagos, buscando um valor menor.

Outro dado também impressiona: a Apple deve cerca de US$ 59 bilhões para o governo norte-americano, de acordo com um estudo da Citizens for Tax Jutice, caso o dinheiro que ela recebeu não seja canalizado em contas offshore.

Contas offshore cobram um imposto bem menor

Caso você tenha lembrado do caso Panama Papers e as palavras "contas offshore" tenham ativado um sensor de perigo na sua cabeça, vá com calma e saiba que elas foram um pouco maculadas pelas recentes notícias: estas contas não são ilegais, apenas são, infelizmente, utilizadas em muitos casos lavagem de dinheiro, por exemplo. Por ficarem em paraísos fiscais, as contas offshore "cobram" um imposto bem menor do que o país da empresa de origem.

Barry Chang, prefeito de Cupertino

Apple x Cupertino

"Até agora, a Apple não está disposta a pagar um centavo", comentou Chang. "Eles estão lucrando e deveriam compartilhar a responsabilidade com nossa cidade, mas eles não vão". O prefeito se encontra em uma verdadeiro batalha entre uma companhia gigantesca e todos os tentáculos jurídicos e os moradores de Cupertino, que estão frustrados com o crescimento abrupto no local.

"Eu não vou retroceder", declarou Chang. "Aumentar as taxas não é uma decisão popular, mas eu não tenho medo. Nós somos o centro da tecnologia, e nosso sistema de transporte público está velho e vergonhoso", disse.

O prefeito ainda cutucou os membros do conselho:

Os políticos não têm colhões. Eles ficam com medo.

Já o diretor executivo do Instituto de Tributação e Política Econômica norte-americano, Matt Gardner, está otimista sobre o possível plano, mas comenta que preciso fazer com que os habitantes do país façam pressão. Além disso, coloca um dedo na ferida no que toca o deslumbramento pelo produto: "No caso da Apple, as pessoas estão tão apaixonadas pelos seus iPhones que não enxergam a companhia. E, ano após ano, estas empresas acabam sendo votadas como as mais respeitáveis, as mais confiáveis". Gardner afirma que falta "apetite por uma reforma".

Outro envolvido na questão, Ron Eckstein, advogado do grupo Americans for Tax Fairness, também está jogando pesado contra a Apple: "Eles são tão bons em manejar com os impostos quanto eles são bons em lidar com novas tecnologias".

A Apple lucrou mais de R$ 190 bilhões em 2015

A história não acabou

O The Guardian também comentou um dado interessante: entre 2012 e 2013, a Apple contribuiu com US$ 9,2 milhões de impostos para Cupertino, cerca de 18% do orçamento da cidade. O fato interessante é que a mesma quantia foi paga como salário e compensações ao CEO Tim Cook em 2014.

Onde está a justiça? Em nenhum lugar

Agora, Barry Chang está trabalhando em outra proposta que vai exigir que companhias com mais de 100 funcionários comece a pagar US$ 1 mil por empregado. "Se você ajudou a criar os problemas, então você deve ajudar a resolvê-los", comentou. Chang ainda disse o seguinte sobre o modelo econômico: "Olhe para o sistema que nós temos hoje: as pessoas ricas ficam mais ricas, e os pobres não conseguem sobreviver. Onde está a justiça? Em nenhum lugar".

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