Quando se trata de corrupção no mundo da política, parece que o fundo do poço nunca vai chegar. E para quem acha que essa sujeira toda só existe no Brasil, o International Consortium of Investigative Journalism (Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo – ICIJ) revelou o maior vazamento jornalístico da história, no qual mais de 11,5 milhões de arquivos secretos comprometem chefes de Estado, políticos, banqueiros e outras celebridades.

Os documentos foram acessados a partir de um escritório de advocacia chamado Mossack Fonseca, com base no Panamá, país da América Central. Os arquivos percorrem mais de 40 anos de funcionamento da empresa, incluindo registros das atividades da companhia de 1970 até 2016.

Tudo foi desmascarado pelo ICIJ durante uma investigação de um ano. A conspiração global envolve esquemas montados em paraísos fiscais ligados a 12 chefes de Estado e outras 128 pessoas, entre elas políticos, funcionários públicos e celebridades de outras áreas.

Maior que o WikiLeaks

Chamados de “Panama Papers”, os documentos revelados pelo ICIJ somam uma quantidade muito maior do que qualquer outro escândalo de vazamento de informações sigilosas para a imprensa, incluindo o Offshore Leaks, o Wikileaks e os dados entregues a jornalistas por Edward Snowden. O próprio, inclusive, se manifestou em relação a esse novo acontecimento através de seu perfil no Twitter.

Entre os líderes de países mencionados nos Panama Papers estão o presidente da Argentina, Mauricio Macri, diversos políticos de países árabes, como Qatar, Jordânia, Iraque e Arábia Saudita, e o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko.

Macri – quando ainda era prefeito de Buenos Aires – não declarou ligação com a empresa Fleg Trading Ltd., da qual era diretor junto com seu pai e seu irmão. Além disso, declarou uma conta bancária no banco Merrill Lynch contendo US$ 2,9 milhões em 2008 (cerca de R$ 10,4 milhões) e US$ 1,9 milhão em 2008 (em torno de R$ 6,8 milhões) sem maiores explicações, e um valor próximo de US$ 158 mil (aproximadamente R$ 569 mil), em ativos estrangeiros sem especificar sua fonte ou localização.

O escritório Mossack Fonseca já havia sido mencionado nas investigações da Operação Lava Jato

Outro grande nome da política que está envolvido com o escândalo dos Panama Papers é Vladimir Putin. Apesar de o presidente russo não aparecer nos documentos vazados, dois de seus amigos de infância, Arkady e Boris Rotenberg, e outro colega próximo, Sergey Roldugin, diretor do Conservatório Estadual de São Petersburgo, foram beneficiados com milhões de dólares aparentemente ganhos com influência do líder russo, além de terem ocultado cerca de US$ 2 bilhões (R$ 7,2 bilhões) por meio de empresas-fantasmas.

Políticos como o presidente da China, Xi Jinping, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, e diversos outros de cargos variados de dezenas de países também aparecem nas listas vazadas, além de familiares e amigos próximos. Outros famosos de diversas áreas também são mencionados, como membros da FIFA — Michel Platini, atual presidente da UEFA, é um deles —, o ator Jackie Chan e o jogador de futebol Lionel Messi.

No Brasil

Era de se esperar que nosso país também estivesse de alguma forma envolvido nesse escândalo. Segundo pôde ser apurado, o escritório Mossack Fonseca já havia sido mencionado nas investigações da Operação Lava Jato por não ajudar a revelar os nomes dos donos do tríplex situado na cidade de Guarujá, em São Paulo.

A Mossack Fonseca teria criado ao menos 107 contas em paraísos fiscais para cerca de 57 pessoas ou empresas no Brasil

Entre os offshores que a Mossack Fonseca teria criado para pessoas ou empresas envolvidas no escândalo da Petrobrás, foi citado o nome de políticos brasileiros, como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e o senador por Alagoas, João Lyra (PDT).

Já sobre partidos, abaixo você acompanha uma lista com os envolvidos em offshores:

  • PDT, PMDB, PSD e PTB: políticos e parentes com offshores
  • PP: Vadão Gomes
  • PSD: João Lyra 
  • PSB: filho de Márcio Lacerda, de Belo Horizonte 
  • PSDB: Sérgio Guerra, ex-presidente nacional tucano 

Para conferir mais detalhes sobre políticos brasileiros no Panama Papers, clique aqui.

O alvo das investigações

O escritório de advocacia Mossack Fonseca é o centro das investigações por parte da ICIJ que culminaram no vazamento dos 11,5 milhões de documentos, cerca de 2,6 terabytes de dados. A empresa presta serviços como a incorporação de empresas a jurisdições offshore em paraísos fiscais como Suíça, Chipre e Ilhas Virgens Britânicas, além da administração dessas companhias por uma taxa anual.

No Brasil, a Mossack Fonseca teria criado ao menos 107 contas em paraísos fiscais para cerca de 57 pessoas ou empresas, todas elas implicadas nos casos de corrupção envolvendo a Petrobras.

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