Quando a mudança foi anunciada, muita gente estranhou. Porém, a Alphabet, empresa que se tornou a responsável pelo gerenciamento da Google e de outros projetos paralelos da empresa, deu mais do que certo.

A partir desta segunda-feira (1º), a Alphabet passou a ser a companhia mais valiosa do mundo, ultrapassando ninguém menos que a Apple, que detinha a primeira colocação desde 2010 e não parecia ceder aos concorrentes. O valor de mercado da nova líder foi avaliado em algo próximo de US$ 570 bilhões (cerca de R$ 2,25 trilhões) após a divulgação do relatório financeiro trimestral da companhia.

A Apple está atualmente avaliada em US$ 534,66 bilhões (R$ 2,11 trilhões), enquanto a Microsoft vale US$ 432,72 bilhões (R$ 1,71 trilhão). Como o preço de ações é bastante variável, o resultado em longo prazo é imprevisível: a Alphabet pode manter a liderança somente por um trimestre ou carregar a medalha de ouro por bastante tempo, caso mantenha os altos números.

Escrito em ouro

No último trimestre de 2015, a Alphabet apresentou ganhos de US$ 8,67 por ações de classe A, além de rendimentos de US$ 21,33 bilhões e um aumento de 18% nas vendas. Ou seja, não tem como não ficar empolgado.

O serviço de anúncios da Google continua como o principal gerador de dinheiro: no período, subiu 17% em relação ao ano passado e acumulou US$ 19,08 bilhões em ganhos. Em todo o ano de 2015, o lucro acumulado é impressionante. Ao todo, foram aproximadamente US$ 23 bilhões.

Outro fator está na própria desvalorização da Apple: a queda histórica nas vendas do iPhone fez com que os investidores recuassem um pouco em relação à Maçã, no aguardo de uma reinvenção, provavelmente na forma de novos smartphones. Ainda assim, ela apresentou lucros recordes no último trimestre e está longe de apresentar uma má fase.

Mistérios por resolver

Porém, nem todas as letras da Alphabet estão claras ou já disseram a que vieram. No relatório financeiro, existe uma categoria chamada "Other Bets" ("outras apostas", em tradução livre) que está envolta em mistério e pode ser uma cartada final na avaliação da empresa — ou a sua ruína.

Acontece que o setor apresentou, em 2015, perdas e gastos operacionais de US$ 3,6 bilhões. O retorno? Rendimentos de "apenas" US$ 448 milhões. Por enquanto, não se trata de uma derrota completa: essa é a primeira vez que o setor aparece em um relatório financeiro da companhia e seus projetos são todos de baixo lucro imediato e soluções ainda secretas ou de longo prazo. "Other Bets" concentra projetos como Verily (de ciências e medicina), Nest (da Internet das Coisas), Fiber (conexão via fibra), Calico (biotecnologia), Loon (de internet via balões), X (ex-Google X) e outras iniciativas.

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