A encriptação de ponta a ponta do WhatsApp é ótima para a nossa privacidade, porém, também é utilizada para fins ilegais. Neste caso, executivos de Wall Street, símbolo do mercado de negócios, estão utilizando mensageiros seguros para trapacear, como o próprio WhatsApp e o Signal, que foi recomendado pelo delator Edward Snowden.

Mensagens dúbias e dicas ilegais de mercado sempre foram comuns em mercados como os fundos hedge — fundos de cobertura de alto risco e com muita especulação. Por exemplo, na semana passada, um banqueiro do Jefferies Group foi condenado no Reino Unido por compartilhar informações confidenciais no WhatsApp. A multa? 43,5 mil euros, cerca de R$ 143 mil.

Dois executivos de fundo hedge foram pegos se comunicando ilegalmente via WhatsApp

Como nota a Bloomberg, desde comerciantes até banqueiros e gerentes estão "abraçando estes aplicativos" mais seguros. Isso porque, por meio deles, ações ilegais não podem ser rastreadas. "Nós temos visto em nossas investigações que um padrão está movendo para todos, e as mudanças da tecnologias estão causando grande parte disso", comentou o advogado William McGovern, da Kobre & Kim.

Os movimentos ilegais citados entre executivos é o "sopro" de informações. Por exemplo, qual ação uma companhia concorrente pretende comprar ou qual mercado se prepara para alguma mudança abrupta. Dessa maneira, os executivos de fundos podem se movimentar antecipadamente e fazer muito dinheiro, furando a concorrência de forma desleal e ilegal.

De acordo com os escritórios reguladores, todas as companhias financeiras precisam ter o registro de todos as comunicações de negócio: e o WhatsApp e o Signal acabam sendo usados para burlar esse registro.

WhatsApp

Como contornar o problema

Algumas companhias tomam ações pesadas sobre a privacidade de funcionários para manter tudo limpo. A Goldman Sachs, o Bank of America Corp e o Citigroup, por exemplo, possuem a seguinte política para prevenir comunicação ilegal: checagem rotineira de emails e conversas em dispositivos da empresa, dispositivos pessoais e serviços de mensagem utilizados dentro da companhia. Os funcionários dessas empresas, quando são admitidos, ainda são obrigados a assinar um acordo que proíbe conversas sem monitoração no horário de trabalho.

Aparelhos são monitorados, mas funcionários burlam método

Outras companhias, como a Deutsche Bank AG, vão mais longe: eles proibiram o uso de aplicativos como WhatsApp e iMessage em celulares da empresa.

Agora, isso funciona? Segundo a Bloomberg, vários funcionários e executivos foram entrevistados, e quase "duas dúzias de empregados" responderam que essas políticas são ignoradas e que o uso de smartphones pessoais para trabalho são um fato.

Wall Street

O dinheiro nunca dorme

Sobre Wall Street em específico, os funcionários de grandes bancos estão usando o WhatsApp e o Signal para espalhar rumores. Por exemplo, avisar clientes o que o banco está buscando no mercado para comprar e vender. Os relatos ainda indicam que os chefes desses funcionários ainda aprovam a atitude ilegal. O motivo? Sair na frente e esmagar a concorrência da maneira mais selvagem possível sem ser descoberto.

De acordo com a Bloomberg, para as informações dúbias e os rumores se espalharem mais rápido, funcionários de fundos hedge criaram um grupo no WhatsApp — dessa maneira, a máxima "o dinheiro nunca dorme" é levada mais a sério.

Muito dinheiro, cocaína, prostitutas e produtos caros: o mundo de Wall Street

Caso um assunto fique ainda mais sensível, nota o veículo, estes executivos correm para o mensageiro Signal. A vantagem, aqui, é que o Signal autodestrói conversas após um tempo definido — como uma camada extra de proteção sobre as mensagens ilegais.

Não foi só o banqueiro do Jefferies Group já citado que acabou sendo pego. Em dezembro do ano passado, o gerente Naynoor Kang caiu na justiça por aceitar um suborno de US$ 180 mil de dois executivos de venda. Dentro desse valor, estava um relógio de US$ 17 mil, pacotes de cocaína e "serviços de prostitutas". Kang era responsável pelos investimentos em fundos de pensão de Nova York e passou informações via WhatsApp para os executivos de venda.

"Se você olhar isso de outra maneira, vai ficar ainda pior", notou Warren Small, professor de crimes financeiros no Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury. "Com as transações financeiras, as tentações e as recompensas são muito boas".

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