Os consoles que você tem em casa já estão defasados, ao menos do ponto de vista do hardware. Lançados há pouco mais de dois anos, o PlayStation 4 e o Xbox One são produtos que, embora ofereçam uma evolução notável de desempenho em relação a seus antecessores, estão longe de ser considerados a “última palavra em tecnologia”.

A situação não é exatamente incomum: todo ciclo de consoles inevitavelmente passa pelo momento em que os componentes disponíveis para PC conseguem oferecer experiências gráficas mais completas. No entanto, parece que isso está acontecendo em um ritmo mais rápido na atualidade e tanto Sony quanto Microsoft já estudam sucessores para os produtos que estão nas lojas — a Nintendo, com sua estratégia do “Oceano Azul”, é um caso à parte.

A situação se torna ainda mais complicada quando levamos em consideração que os indícios de que os video games atuais “estão ficando sem fôlego” não surgem somente na forma de rumores. Desde que as plataformas atuais chegaram às lojas, são frequentes os casos de games que não conseguem rodar sequer a 30 quadros por segundo em resolução Full HD — tornando os tão sonhados 60 FPS algo cada vez mais exclusivo dos PCs.

Tomando como base esse contexto, muitos começam a se perguntar se ainda vale a pena investir nas plataformas disponíveis atualmente no mercado. Também surgem preocupações quanto à possibilidade de a indústria estar seguindo caminhos semelhantes ao dos smartphones, cujo ciclo de renovação é extremamente rápido.

Cedo ou tarde demais?

Antes de falar sobre possíveis sucessores para o PlayStation 4 e o Xbox One, é preciso voltar ao passado e admitir o fato de que o Xbox 360 e o PlayStation 3 nos deixaram “mal acostumados”. Se antes cada geração de consoles durava de cinco a seis anos, os oito anos dominados pelos dois dispositivos serviram para estabelecer a ilusão de que passávamos por um período relativamente lento de evolução tecnológica.

Essa impressão foi reforçada tanto pela Sony quanto pela Microsoft, que, ao anunciar seus produtos atuais, afirmaram que ambos poderiam durar até uma década no mercado. No entanto, muitos acontecimentos provaram que isso pode não ser necessariamente verdade — ao menos no que diz respeito à produção de games inéditos.

Fallout 4 sofre bastante com as limitações dos consoles atuais

Marcada por uma leva inicial contendo vários relançamentos e remasterizações, a geração não demorou muito a ser superada pelo PC. Mesmo bonitos nas plataformas de mesas, títulos multiplataforma como The Witcher 3: Wild Hunt e Fallout 4 são muito mais prazerosos de olhar em computadores — tendência que, com exceção de Batman: Arkham Knight, pode ser observada tanto em títulos triplo A quanto naqueles feitos de forma independente.

Ao observar o tempo de mercado das plataformas atuais, parece que elas chegaram tanto cedo e quanto tarde demais. Se por um lado muitas desenvolvedoras parecem ter sido “pegas de surpresa” e soltaram versões melhoradas de games antigos como forma de se manter em evidência, por outro parece que não há recursos suficientes para criar experiências novas da forma mais adequada.

A impressão que fica é que as fabricantes “calcularam mal” qual seria o hardware necessário para manter suas plataformas competitivas durante um longo período e agora sofrem com as consequências disso. Mesmo levando em consideração a questão da otimização (que fica melhor quanto mais uma plataforma fica no mercado), parece que as máquinas atuais simplesmente não têm poder suficiente para corresponder às expectativas dos jogadores.

PS4K e a transformação do Xbox

Também contribui para o clima de incerteza atual o fato de que tanto a Sony quanto a Microsoft já consideram ao menos realizar “upgrades” nos produtos que oferecem aos consumidores. Por um lado temos o “PlayStation 4K”, plataforma que poderia não somente trabalhar com resoluções aprimoradas, como também acabar com os “engasgos” do console atual e atingiria os tão sonhados 60 quadros por segundo no formato 1080p.

Do outro, o próprio chefão da divisão Xbox — Phil Spencer — já falou abertamente sobre a possibilidade de investir em “melhorias de hardware” para o console, sem deixar muito claro o que isso significa. O caso da Microsoft é ainda mais complicado quando pesamos a integração de sua biblioteca de jogos com o PC, e os rumores que indicam que ela deve sofrer algumas transformações em sua divisão de hardwares.

Rumores indicam que o PS4K deve ser anunciado muito em breve

Apesar de as novas plataformas planejadas por essas empresas permanecerem rodeadas de mistérios, elas já geram preocupações entre alguns consumidores. Muitas pessoas prontas para embarcar na geração atual começam a cogitar se vale a pena esperar um pouco e investir na compra de um aparelho mais poderoso.

Embora tudo indique que a transição para plataformas novas é inevitável, ela pode não ser tão radical quanto pensamos. Os planos de transição para o PlayStation 4K divulgados recentemente pelo site Giant Bomb mostram que, embora o novo console vá ser mais potente, ele não deve “deixar de fora” quem já apostou no PlayStation 4 convencional.

De maneira semelhante ao que acontece com um smartphone, a Sony pode estar apostando em um upgrade de hardware totalmente retrocompatível com a plataforma atual. Todos os jogos lançados após determinado período de tempo devem ter compatibilidade total com as duas versões e não haverá qualquer espécie de restrição de conteúdo ao novo hardware.

Quem continuar com o console atual vai continuar acompanhando os últimos lançamentos

Em outras palavras, quem continuar com o console atual vai continuar acompanhando os últimos lançamentos, embora tenha que lidar com certas restrições do ponto de vista técnico. A diferença entre as plataformas deve ser perceptível em certos sentidos, mas não deve ser tão berrante quanto as versões do mesmo jogo para PlayStation 3 e PlayStation 4, por exemplo.

Os planos da Xbox, embora rodeados de mistério, devem seguir um caminho semelhante. No caso, a Microsoft pode se beneficiar ainda mais ao ter a chance de trabalhar “a partir do zero”, deixando de lado os problemas resultantes de sua mudança de filosofia que decretou a morte do Kinect — um dos fatores determinantes para que o hardware do console não tivesse um desempenho tão bom quanto o oferecido pela concorrência.

Mudança de paradigma

Ao observar os planos atuais da Sony e da Microsoft, é fácil perceber que a filosofia das duas empresas no mundo dos consoles pode estar se aproximando de outro universo: o dos smartphones. Caso isso realmente ocorra, as companhias devem continuar oferecendo experiências de jogos em “caixas fechadas”, mas devem fazer isso apostando em atualizações mais frequentes.

O ciclo de atualizações dos consoles de mesa pode ser acelerado nesta geração

É justamente aí que estáe o problema: culturalmente, já nos acostumados a trocar de console a cada cinco ou seis anos (ou mais), o que dá certa segurança quanto ao momento em que uma compra deve ser realizada. Ao encurtar esse ciclo para três anos (cortando-o pela metade), as empresas da área correm o risco de deixar muitos consumidores desapontados — quem comprar um PlayStation 4 agora, por exemplo, tem muitas chances de ficar bastante bravo caso a versão 4K chegue às lojas em dezembro.

O caso vai ser ainda pior caso se, em vez de simplesmente encurtar o ciclo de evolução de hardwares, as fabricantes decidirem apostar em transições sem data certa. Consoles são produtos considerados caros tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo, e é chato não ter a certeza de que o produto que você tem em mãos vai continuar valendo o que foi pago após um ano.

Embora transições rápidas já aconteçam no mercado de smartphones, por exemplo, esse segmento se beneficia de regras bastante claras. Além de muitas operadoras subsidiarem o preço de novos aparelhos, os desenvolvedores estão mais preparados para lidar com hardwares variados — algo que está gerando descontentamento entre alguns times acostumados a produzir para consoles.

Precisamos de novos consoles?

Fato é que ninguém realmente “precisa” que um novo console seja lançado, ao menos no momento atual. Embora a experiência oferecida por muitas desenvolvedoras seja superior no PC, as plataformas de mesa conseguem lidar relativamente bem com títulos atuais — mesmo com alguns engasgos eventuais.

Também é preciso levar em consideração que muitas desenvolvedoras simplesmente não tiveram tempo de se acostumar com o hardware disponível no mercado. Uma companhia que começou a trabalhar com o Xbox One assim que ele foi anunciado, por exemplo, provavelmente só lançou um projeto para o console, que no meio tempo já passou por diversas mudanças de software que liberaram mais potência aos criadores.

Ainda não está certo o que vai ser oferecido pelos novos consoles

Independente das limitações enfrentadas pelos consoles atuais, apostar em novos hardwares já para o ano de 2017 parece um tanto precipitado — especialmente quando nomes de peso como Naughty Dog, 343 Industries e outros estúdios first party só tiveram “uma chance” com as plataformas atuais.

Com a disponibilidade de plataformas mais poderosas, algumas equipes — especialmente as mais compactas — podem simplesmente não ter tempo (ou recursos) necessário para trabalhar em otimizações de forma tão cuidadosa. Obviamente, como estamos lidando com rumores e suposições, há grande chance de que as revisões de hardware cheguem aos consumidores de forma bastante diferente do que é esperado.

Caso alguma mudança substancial realmente vá acontecer, felizmente não deve demorar muito até que saibamos mais detalhes sobre ela. Ao que tudo indica, tanto a Microsoft quanto a Sony devem aproveitar a E3 deste ano (que ocorre entre os dias 14 e 16 de junho) para revelar seus planos futuros — até lá, resta continuar acompanhando os rumores e vazamentos para se preparar para o que está por vir.

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