Atualmente, quem qualquer um que levasse uma transmissão ao Twitch poderia sossegar ao final, sabendo que haveria a opção de “salvar para sempre” o conteúdo — que permaneceria devidamente protegido nos servidores do serviço.

Bem, isso deve mudar em breve, juntamente outra questão das mais controvertidas na era da internet: os direitos autorais. Particularmente, os direitos sobre faixas de áudio utilizadas em arquivos VOD (“vídeos sob demanda”, na sigla original em inglês).

Nesse quesito, há quem aponte para um indício da possível aquisição do Twitch por parte do YouTube, serviço notório pelo controle relativamente rígido em relação aos direitos autorais. Confira abaixo o que muda ou deve mudar em breve no Twitch.

30 minutos de silêncio

Conforme publicação no blog oficial do Twitch, o serviço teve recentemente instalado um sistema de reconhecimento de áudio. Basicamente, trata-se de um software que varrerá os arquivos VOD, buscando sinais conteúdos protegidos por direitos autorais. Caso algo seja encontrado, a penalidade é bastante considerável: 30 minutos de completo silêncio — em que, naturalmente, inclui-se todo e qualquer áudio do arquivo.

Em outras palavras, caso você utilize qualquer conteúdo de áudio protegido durante uma transmissão, o vídeo arquivado pode acabar com vários “apagões” de áudio, cada qual com  meia hora de duração. A medida deve se estender por milhares de arquivos de vídeo, incluindo mesmo conteúdos do próprio Twitch.

Na vanguarda dos direitos autorais

“Nós respeitamos os proprietários dos direitos autorais”, consta na publicação do referido blog. “Por isso, estamos voluntariamente conduzindo esforços para proteger tanto os nossos emissores de conteúdo quanto os proprietários de direitos autorais.” Entretanto, o texto reforça: “O sistema de reconhecimento de áudio rodará apenas em vídeos sob demanda. Nós não vamos varrer transmissões ao vivo, e não haverá ‘apagões’ nesses conteúdos”.

Caso qualquer conteúdo protegido por leis de direitos autorais seja detectado em determinado arquivo, uma notificação será automaticamente exibida para os telespectadores — explicando que uma criação controlada por terceiros foi identificada. Além disso, “a barra de progresso ficará vermelha por toda a duração do silêncio”.

Naturalmente, o serviço não coloca as mãos no fogo no que tange a precisão do referido sistema. Ou seja, é perfeitamente possível que ocorra identificações errôneas, seja por omissão diante de conteúdos protegidos ou pelo apontamento de conteúdos de utilização livre. De acordo com Twitch, em última análise, a responsabilidade pela legitimidade das utilizações de conteúdos durante as transmissões será sempre do proprietário do VOD.

O fim da opção “save forever”

Eis aqui a outra mudança de peso, prevista para entrar em vigor durante as próximas semanas. Basicamente, embora quaisquer transmissões sejam salvas agora automaticamente por 14 dias (e não mais apenas três), o Twitch eliminou completamente a opção “save forever” (salvar para sempre), antes aplicável a qualquer conteúdo publicado, por longo que fosse — dando a garantia de que o arquivo seria guardado por tempo indeterminado.

Mesmo a situação dos assinantes “Turbo” e dos parceiros do serviço não ficam muito melhores. Para estes, os conteúdos serão guardados por 60 dias.

Em defesa da sua decisão, o Twitch afirmou que a maior parte dos arquivos é visualizada principalmente durante as duas primeiras semanas online — com os acessos caindo drasticamente nas semanas subsequentes. “Nós descobrimos que 80% da nossa capacidade de armazenamento era preenchida com transmissões que jamais foram assistidas”, afirmou o serviço em seu blog oficial.

Curiosamente, o Twitch garante que a medida não deve significar uma economia de espaço — antes pelo contrário. “Sejamos bastante claros: essa não é uma medida para economizar espaço. (...) Na verdade, isso vai nos requerer um aumento substancial no espaço de armazenamento disponibilizado.”

Calma, você ainda vai poder salvar vídeos

Embora as transmissões não possam mais ser salvar por tempo indeterminado, ainda será possível resguardar os seus vídeos. Bem, pelos menos as melhores partes. Basicamente, o Twitch mantém a possibilidade de fazer recortes com um máximo de duas horas de duração, salvos sob o título de “highlights”. Vale ressaltar, entretanto, que Twitch não deletará automaticamente “highlights” antigos com mais de duas horas.

Outra opção fortemente encorajada pelo serviço — e certamente dá o que pensar — é a exportação dos conteúdos para o YouTube, procedimento tornado incrivelmente simples com a ferramente Video Manager.

Por fim, as relativas limitações ganham alguns bons contrapesos. Por exemplo, passa a ser possível executar os vídeos do serviço em aparelhos mobile. De fato, mesmo a limitação de duas horas é apregoada pelo Twitch como uma “segurança extra” para os conteúdos salvos no serviço. Agora é esperar pelo impacto das mudanças durante as próximas semanas.

Via BJ

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