Bandeira japonesa

Pense na seguinte cena: você está passeando tranquilamente por um ponto turístico brasileiro quando, de repente, se depara com uma pessoa com uma “super-hiper-mega máquina fotográfica”, capturando as mais diversas cenas com a família. Sinceramente: esta pessoa tinha olhinhos puxados ou não?

Quando falamos da cultura japonesa, a tecnologia é parte fundamental da conversa, seja devido às últimas novidades que saíram no mercado (claro, que são vendidas primeiramente por lá), robôs que imitam a face humana ou outras informações que circulam no mundo sobre as novas tecnologias que aparecem por ali.

Porém, assim como o cidadão que está tirando fotos com a família pode muito bem ser um bom e velho brasileiro em férias, o Japão também não é necessariamente o país “cercado de tecnologia por todos os lados”.

Imagem por satélite do Japão

Fonte da Imagem: WikiCommons

Para desmistificar as principais ideias que nós, brasileiros (e boa parte do mundo) temos sobre o Japão e o cotidiano da tecnologia, o Baixaki conversou com uma turma que já esteve (e ainda está) na terra dos olhos puxados e que conta, com detalhes, que as coisas não são exatamente como imaginamos por aqui.

Um robô em cada esquina

A primeira conversa que já cai por terra é a aquela em que os robôs estão em todos os lados, recepcionando você em grandes corporações ou abrindo as portas de hotéis e shoppings das redondezas.

Esqueça essa ideia. De acordo com Diogo e Michele Tsuneta, que moram em uma pequena cidade japonesa, robôs, só em exposições. Portanto, nem pense em ir para lá ver um grande robô do tamanho da estátua da liberdade cumprimentando você na chegada, ou lutas muito doidas entre robôs de filmes de ficção no meio da rua, porque isso não vai acontecer.

Internet discada nunca mais

Se os robôs não atendem às nossas expectativas, a internet é outra conversa. No Japão, a velocidade da banda larga de fibra ótica para pessoas físicas chega a 200 MB, o que é uma ótima pedida se considerarmos que grande parte da população por aqui paga uma pequena fortuna por apenas 1 MB de conexão.

Entretanto, diferente daqui, o que mais se usa para acesso à web são os smartphones. Janaina Tazoniero, que morou em Chiba (cidade metropolitana de Tóquio) em 2009, comenta que o laptop era usado apenas para acessos rápidos, conectado por apenas poucas horas. Isso porque, apesar da internet ser rápida, a energia elétrica é cara, ou seja, não pode ser gasta à toa.

Em relação aos pontos Wi-Fi das cidades, a grande maioria está em restaurantes, redes de fast-foods ou cafés, assim como no Brasil. E, claro, a grande maioria não é aberta a todos, sendo necessário que você possua a senha para acessar qualquer conteúdo.

Celulares para outras funções

Outra ideia que temos em relação ao Japão em termos tecnológicos é que toda a população está conectada por todos os lados com outros, seja por meio de celulares, computadores, tablets e muito mais.

De acordo com Janaina Tazoniero, “os eletrônicos, quando não recém-lançados e nem importados dos EUA, são baratos. MP3s e celulares são brindes comuns de compras e promoções”.

O celular é equipamento indispensável para quem mora no Japão, porém os aparelhos não são recheados de aparatos como os daqui, com jogos, aplicativos e muito mais. A grande maioria da população utiliza celulares mais simples, principalmente para a troca de mensagens, atendendo à necessidade de forma diferente.

Janaina comenta que “Celulares são usados principalmente para mensagem de texto e e-mails, não para falar. Em trens e metrôs, é proibido toque alto de celular próximo de assentos especiais, e as pessoas respeitam isso. Além de não conversarem dentro dos trens, por privacidade e respeito ao próximo. Não cheguei a ouvir nenhuma vez toque de celular (a não ser de estrangeiros) e som alto”.

Compre você seu eletrônico

Não é à toa que muitos descendentes que vivem no Brasil vão para lá em busca de uma melhor condição de vida, pois ganha-se bem. Entretanto, o custo de vida é alto, ainda mais quando se mora em grandes centros como Tóquio.

Em se tratando de eletrônicos, porém, as promoções aparecem a todo o momento, “além de ajuda do governo para a compra de novos equipamentos ecológicos”, afirma Michele. A grande maioria das cidades traz três opções de lojas de departamento, onde cada andar é dividido por equipamentos eletrônicos (primeiro andar: computadores;  segundo andar: câmeras digitais e assim por diante).

O Baixaki perguntou para os colaboradores se algum deles já havia passeado por “Akihabara”, também conhecida como a “Meca” dos eletrônicos. Somente a Janaina conhecia em detalhes o local, porém ela comentou que ali é um bom lugar apenas para quem procura por partes aleatórias de produtos,  por exemplo, para montar seu próprio computador.