Em novembro do ano passado, a Philips apresentou dois produtos ao mercado brasileiro com uma proposta um tanto ousada: democratizar a tecnologia Ultra HD. De fato, por mais que a resolução 4K esteja em constante ascensão e seja uma das principais tendências para 2015, televisores com suporte para tal definição de imagem ainda são bem caros e inacessíveis para a maior parte da população brasileira.

Pensando no público com menor poder aquisitivo, a principal marca do grupo TPV resolveu lançar por aqui duas smart TVs da série 6900 – a 50PUG6900/78, que possui 50 polegadas, e a 58PUG6900/78, que conta com 58 polegadas. Ambas são compatíveis com a tecnologia Ultra HD e acompanham alguns recursos já famosos em outros modelos desenvolvidos pela empresa (como a coluna Social TV, o sistema Perfect Motion Rate, o Cloud Explorer e assim por diante).

Já disponíveis no varejo brasileiro, ambos os televisores chegam nas gôndolas com preços amigáveis, deixando bem claro o tipo de consumidor que a Philips quer atingir. Tivemos a oportunidade de passar um tempo com a versão de 50 polegadas, que pode ser encontrada em lojas virtuais por aproximadamente R$ 3 mil (ainda que tenha sido lançada pelo preço sugerido de R$ 4 mil e hoje tenha o valor de venda recomendado de R$ 3,2 mil). Se você está pensando em investir em uma TV 4K, confira nossa análise completa e veja se a série 6900 é ideal para seu perfil.

Tirando da caixa

Nossas primeiras impressões ao tirar a 50PUG6900/78 da caixa podem ser resumidas com a expressão “mais do mesmo”. A série 6900 é muito parecida com a 6510 (já analisada pela equipe do TecMundo), tanto no design quanto em suas funcionalidades.

Como veremos ao longo deste review, essa semelhança tem suas vantagens e desvantagens – um ponto positivo é que a montagem do televisor continua simples e prática, com um suporte de mesa bastante fácil de ser montado. As configurações iniciais também não guardam segredos, e, caso você se sinta perdido, basta consultar o manual de início rápido.

A caixa do modelo acompanha dois óculos 3D ativos – sim, o tipo que necessita de uma bateria 3V para funcionar – e um controle remoto de qualidade superior ao que geralmente vemos em TVs da marca. Digo isso porque ele é dotado de um teclado QWERTY em sua traseira, facilitando muito a digitação de textos e inserção de senhas (se você não lembra, o sofrível sistema de escrita do modelo 6510 foi um dos pontos mais criticados em nossa análise).

Eu já vi esse filme antes...

A impressão de “mais do mesmo” se repete logo após o término das configurações básicas da televisão. É triste ver que a Philips continua usando sua mesma interface de anos atrás mesmo em seus modelos mais recentes – e se você acompanha nossas análises de televisores da companhia, sabe que o sistema operacional utilizado pela empresa em suas smart TVs é simplesmente sofrível (e isso não é exceção nem mesmo na DesignLine, que provavelmente é o produto mais caro da marca dentro desse segmento).

O mesmo ocorre com a 50PUG6900/78. Seu SO é o mesmo usado repetidamente pela Philips, e nem mesmo o processador dual core (de velocidade não informada) é capaz de salvá-lo de ser lento, travado e chato de navegar. A minha conclusão é a de que o grupo TPV sabe fazer TVs, mas não smart TVs. Em pleno 2015, é inadmissível ver um televisor inteligente com um sistema tão pouco amigável e intuitivo sendo comercializado nas gôndolas de todo o país – ainda mais com um preço tão alto.

Claro, o teclado QWERTY do controle remoto facilita um pouco o uso das funções “smart” do modelo, mas não é capaz de salvá-lo do abismo. Navegar por menus demora, realizar pesquisas demora, abrir apps demora, fechar apps demora... E, por falar em aplicativos, a loja de programas da Philips possui apenas 40 opções disponíveis para download (sim, nós contamos), fazendo com que você fique bem preso em relação à expansão dos recursos inteligentes do produto.

Outros recursos inteligentes

Mas tudo bem, relevemos isso e continuemos com a análise. Os apps nativos na 50PUG6900/78 são o suficiente para divertir um consumidor pouco exigente: ela sai de fábrica equipada com Netflix, Spotify, Skype (é necessário usar uma webcam específica vendida separadamente por R$ 90), YouTube, Deezer e outros softwares bem bacanas (incluindo um de previsão meteorológica).

Não podemos deixar de citar também os clássicos programas proprietários da Philips, como o Cloud TV (reprodutor de canais de TV online), o Cloud Explorer (navegador para acessar seus arquivos armazenados no Dropbox), o navegador baseado no Opera e o Social TV, uma coluna semitransparente que permite assistir a conteúdos televisivos ao mesmo tempo em que navega no Twitter e no Facebook.

Seguindo com nosso “déjà-vu”, a 50PUG6900/78 também é compatível com a tecnologia MultiRoom, que espelha a imagem de um televisor em outra TV que esteja conectada na mesma rede WiFi. O modelo é compatível ainda com o aplicativo Philips MyRemote (disponível gratuitamente para Android e iOS), que nada mais é do que um controle remoto digital capaz de transmitir conteúdos de seu celular ou tablet (vídeos, músicas, fotos etc.) para a telona. Interessante também é sua capacidade de fazer o contrário – ou seja, dá para assistir aos canais de sua TV no smartphone através desse app, mas ressaltamos que é necessário que os dois dispositivos estejam na mesma rede sem fio.

Mas e a imagem, é boa ou não?

Sim, a qualidade de imagem do modelo analisado é excelente. Como dissemos anteriormente, a Philips sabe fazer TVs, mas não smart TVs. Com essa frase, quero dizer que a empresa deixa a desejar quanto a sistema operacional e recursos inteligentes de seus televisores, mas não decepciona o consumidor que deseja simplesmente ligar o aparelho e desfrutar de um bom filme com a maior definição possível. Assistimos tanto a canais abertos quanto a vídeos em 4K publicados no YouTube, e foi difícil não ficar impressionado com a nitidez e fidelidade de cores da 50PUG6900/78.

Ainda que não seja capaz de fazer upscale (ou seja, aumentar a resolução de um conteúdo Full HD para que ele atinja a qualidade Ultra HD), o modelo analisado chama atenção pela imagem vívida e brilhante. O famoso recurso Ambilight não faz falta. As tecnologias exclusivas Pixel Plus Ultra HD (que proporciona brancos mais brilhantes e pretos mais intensos), Digital Natural Motion (reduz a tremulação das imagens) e Perfect Motion Rate de 480 Hz (reduz o blur causado por movimentos velozes) parecem realmente fazer a diferença nos televisores da Philips.

Por fim, a 50PUG6900/78 também não desaponta em relação ao 3D. Ela é capaz inclusive de converter a programação televisiva convencional, em 2D, em um perfeito vídeo tridimensional. Além disso, com os dois óculos 3D inclusos no pacote do produto, é possível usufruir do recurso Dual View Gaming – ou seja, quando você e um amigo estão jogando algum game multiplayer, cada um enxerga apenas sua tela de jogo, sem precisar dividir o display em duas partes (como geralmente acontece em gêneros como corrida e FPS).

Vale a pena?

Para responder essa pergunta, vamos ressaltar mais uma vez: a Philips sabe fazer TVs, mas não smart TVs. Com isso em mente, comparemos a 50PUG6900/78 com outros produtos semelhantes já disponíveis no mercado brasileiro. Primeiramente, o grupo TPV falhou ao tentar fazer com que a série 6900 se estabeleça como a linha de televisores que democratizará o Ultra HD no Brasil, visto que há modelos de TVs 4K bem mais baratos no varejo nacional.

Um bom exemplo disso é a 49UB8200, da LG. Ela possui 49 polegadas, faz upscale de HD para Ultra HD, possui painel IPS e pode ser facilmente encontrada por R$ 2,6 mil. Para quem enxerga o suporte à tecnologia 3D como uma característica indispensável, há uma variante batizada como 49UB8300, que possui as mesmas especificações técnicas, mas é compatível com vídeos tridimensionais e custa apenas R$ 200 a mais. Outra opção é a Samsung UN40HU7000, que possui 40 polegadas, comandos por gestos e voz e um controle remoto bastante intuitivo com touchpad: ela não suporta 3D, mas pode ser sua por apenas R$ 2,1 mil.

Dessa forma, fica claro que a 50PUG6900/78 – que tem o preço sugerido de R$ 3,2 mil – não possui um custo-benefício tão bom assim, especialmente quando nos lembramos da terrível experiência que seu usuário tem ao navegar por suas funções smart. Não podemos negar que o modelo possui uma qualidade de imagem excelente, mas, visto que estamos analisando uma TV inteligente, e não um monitor, fica difícil se sentir plenamente satisfeito com o lançamento da Philips.

Em suma, pense bem antes de adquirir uma 50PUG6900/78. Se você prioriza qualidade de imagem acima de todo o resto e não se interessa muito por recursos inteligentes, pode ser que o aparelho cumpra as suas expectativas. Agora, caso você esteja procurando um televisor recheado de funcionalidades e apps variados, com interface amigável e navegação rápida, recomendamos sinceramente que procure essas características em outro lugar, já que “a inteligência” não é um dos pontos fortes da série 6900. Philips, por gentileza, desenvolva um novo sistema operacional!

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