Como todos nós sabemos, #estátendocopa. E é natural que todas as grandes marcas que atuam no setor de áudio e vídeo se esforcem mais do que o comum para oferecer aparelhos televisores para quem não quer perder um único jogo no conforto de sua casa.

Nomes como Samsung, LG e Sony já provaram estar dispostas a investir um bom dinheiro nesse nicho – agora, chegou a vez da Philips mostrar que sua seleção também tem vigor para entrar no campo e participar ativamente dessa disputa.

Entre a escalação definida pela empresa para esta temporada, destacam-se os televisores da série 6000, que inclui modelos mais modestos e também aparelhos top de linha com dezenas de funções inteligentes. A poucos dias do final do Mundial, o TecMundo teve a oportunidade de testar a edição 6510 de 47 polegadas, cujo preço sugerido é de R$ 3,5 mil (ou R$ 2,8 mil para a versão de 42 polegadas).

Se você está pensando em comprar uma TV nova – seja para ver o encerramento da Copa em grande estilo ou simplesmente para modernizar sua sala de estar –, não deixe de conferir nosso review completo para descobrir se vale a pena investir seu dinheiro em um equipamento destes.

Tirando da caixa

Nossas primeiras impressões em relação ao 6510 foram as melhores possíveis. Razoavelmente leve, o televisor chama a atenção de imediato por conta de seu design matador: ainda que não seja tão fino quanto outros produtos disponíveis no mercado, o modelo é bem leve e inegavelmente atraente.

Suas bordas são discretas, assim como o suporte para mantê-lo em pé em uma superfície plana (caso queira, também é possível fixá-lo na parede). O corpo do 6510 é todo branco, o que dá um charme a mais para a TV e sua sala de estar. Vale observar, contudo, que o material utilizado na carcaça não parece ser muito resistente, e ficamos bastante receosos na hora de movimentar o produto por causa disso.

Montar e ligar o aparelho não demorou mais do que dez minutos. O breve manual de instruções é claro ao apontar orientações para a fixação do suporte (tarefa que exige apenas uma chave Philips e uma de fenda). Em seguida, basta plugar o cabo de energia (que também é branco) e as devidas conexões de áudio e vídeo.

Ao tentar explorar as funcionalidades do televisor, contudo, tivemos nossa primeira decepção – a 6510 teve de passar por duas atualizações distintas, uma depois da outra. Updates de firmware são comuns em SmartTVs, mas dois de uma vez só não deixa de ser algo levemente incômodo.

Navegação e conexões

Com o sistema operacional devidamente atualizado e pronto para trabalhar, outros pontos negativos começam a surgir. O modelo conta com um receptor de sinal wireless embutido (coisa que certos aparelhos mais antigos da marca não possuíam), mas é necessário se conectar à sua rede sem fio toda vez que o produto for reiniciado.

Ao menos o sistema se mostra competente ao armazenar a senha de sua conexão WiFi, visto que informá-la pela primeira vez é um sufoco. O sistema de digitação desenvolvido pela Philips é sofrível: você deve escrever pressionando as teclas alfanuméricas, como uma espécie de telefone celular pré-histórico. O atraso entre o pressionar dos botões e aparição dos caracteres na tela incomoda bastante, de forma que a 6510 já começa a perder alguns pontos em nosso conceito.

Felizmente, é possível conectar um teclado externo em uma das duas portas USB disponíveis na traseira do modelo. Elas estão posicionadas de forma estratégica para facilitar a conexão de componentes diversos (pendrives, câmeras, HDs externos etc.), com suas faces apontadas para as laterais da TV.

No quesito conectividade, por sinal, o televisor não difere muito de outros modelos disponíveis no mercado: são três portas HDMI, duas USB e duas de vídeo composto. É o suficiente para conectar video games, sistemas de áudio, aparelhos de DVD/Blu-ray, um pequeno teclado e sistemas de armazenamento portátil (que se conectem via USB).

Desempenho insatisfatório e apps nativos

Basta tentar conhecer os mais básicos recursos inteligentes presentes no modelo analisado para se encontrar os primeiros indícios de um hardware de baixíssimo desempenho. A Philips não divulga informações detalhadas sobre o processador da 6510 (se limitando a dizer que é um dual-core), mas ele se mostra incapaz de oferecer uma experiência multimídia suave e agradável. O modelo testado demora muito para responder aos seus comandos e abrir aplicativos; a navegação web através do browser nativo é simplesmente frustrante.

Se você conseguir ignorar a enorme lentidão do gadget, contudo, é possível se divertir razoavelmente bem com seus recursos. O aparelho já vem com alguns apps básicos instalados (YouTube, Netflix, Spotify, Deezer, Dropbox, Skype, guia de programação etc.) e uma loja própria que é constantemente atualizada com novos softwares. Por enquanto, ela está bem vazia e carente de bons conteúdos – vamos torcer para que esse cenário mude em um futuro próximo.

Além dos programas citados, a 6510 também possui algumas funcionalidades exclusivas da Philips que são bastante interessantes. A que mais nos chamou a atenção foi a Cloud TV, um hub que centraliza dezenas de canais online (gratuitos e pagos) que você pode assistir via streaming a qualquer momento, bastando estar conectado à internet.

Outra coisa que curtimos bastante foi o Social TV, que lhe permite acompanhar suas redes sociais (Twitter e Facebook) através de uma discreta coluna fixada na região direita da tela.
Por ser bastante enxuta e semitransparente, tal coluna não atrapalha na visualização do conteúdo que você estiver assistindo – ou seja, é possível assistir futebol ao mesmo tempo em que escreve um tweet comemorando aquele gol histórico.

Imagem, áudio e Ambilight

Falando em qualidade de imagem, não temos muitas ressalvas em relação ao 6510. O televisor possui bom brilho e contraste, proporcionando imagens vívidas. Como de praxe, você pode alternar rapidamente entre diversos perfis de vídeo diferentes – há até mesmo um modo específico para ser usado em partidas de futebol. Compatível com conteúdos em três dimensões, o aparelho acompanha quatro óculos e consegue converter vídeos em 2D para 3D (ainda que o resultado não seja dos melhores).

A tecnologia Ambilight, destacada pela Philips como uma das características mais marcantes de sua nova linha de TVs, continua sendo um fator que auxilia na imersão do usuário. Ela resume-se em duas colunas de lâmpadas LED localizadas na região traseira do aparelho que se iluminam e criam uma luz confortável ao redor dele. A intensidade de tal luz pode ser customizada de acordo com sua preferência – basta pressionar uma tecla no controle remoto para abrir um menu específico para tal.

O som da 6510 pode ser categorizado como “mais ou menos”. O televisor testado possui apenas uma saída de som (com 20 WS de potência), ficando atrás de muitos modelos e falhando na tentativa de oferecer um áudio imersivo. Se você for uma pessoa exigente nesse quesito, certamente ficará com vontade de investir em um sistema de áudio externo (home theater).

MyRemote: controlando a TV via dispositivo móvel

Apesar de ser empregado há um bom tempo em televisores da marca, o Philips MyRemote continua sendo um ponto forte deste novo modelo. Trata-se de um aplicativo gratuito que pode ser instalado em seu dispositivo móvel (Android ou iOS) e atua como uma espécie de controle remoto digital. Sendo assim, se você é o tipo de pessoa que gosta de assistir TV enquanto opera seu smartphone ou tablet, é perfeitamente possível esquecer o antiquado controle de plástico e operar o televisor através de sua gadget portátil.

Obviamente, os recursos do MyRemote não terminam por aqui. Ele também permite que você reproduzida arquivos de áudio e vídeo presentes na memória de seu dispositivo móvel diretamente na televisão em uma espécie de streaming privado.

Para utilizar esse recurso, basta que ambos os dispositivos estejam conectados na mesma rede WiFi. Por fim, você também pode usar o programa para visualizar a programação televisiva dos canais abertos – ela pode ser consultada facilmente no próprio televisor, mas é muito mais agradável visualizá-la em um display à parte.

Vale a pena?

A menos que você queira muito usufruir de funcionalidades e características exclusivas dos televisores fabricados pela Philips – como o Ambilight e o Cloud TV –, é bem provável que você consiga encontrar outros modelos com melhor custo-benefício do que a 6510.

O modelo analisado oferece uma boa qualidade de imagem e funcionalidades interessantes, mas decepciona por conta do desempenho sofrível e da lentidão enfrentada até mesmo na hora de escrever um pequeno texto. Navegação web? Esqueça. Digitar mensagens muito longas nas redes sociais? Esqueça. Explorar com fluidez os menus de seus aplicativos favoritos? Nem pensar.

Com os R$ 3.499 necessários para adquirir uma 6510, você pode muito bem optar pelo modelo top de linha da série F5500, da Samsung, com 50 polegadas e preço sugerido de R$ 2.899. Curiosamente, ambos os modelos possuem recursos voltados para o futebol e uma coluna lateral que exibe informações de redes sociais em tempo real.

Nós já analisamos um televisor dessa mesma linha no ano passado e constatamos que o produto da fabricante sul-coreana possui uma performance impressionante, além de contar com uma interface bem mais amigável, sistema de digitação eficiente e uma loja de aplicativos (Samsung Apps) com muito mais conteúdos.

O 6510 não é um modelo ruim, mas seu alto preço nos parece incompatível com a experiência final do usuário. O produto pode até atender às suas expectativas, caso você não tenha pleno interesse em usufruir de suas funções inteligentes e utilizá-lo como um televisor tradicional.

Nesse caso, você pode aproveitar a excelente qualidade de imagem e o conforto proporcionado pelas luzes Ambilight sem nenhum peso na consciência. Tudo depende de seu perfil de uso e do valor que tem à disposição para investir.

Este produto foi cedido por empréstimo para análise pela Philips.

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