Apesar de ser uma atividade natural para os jovens, fazer selfies tem se tornado cada vez mais perigoso. Os sinais, acredite, são alarmantes. Somente nos últimos dois anos, já tivemos diversos casos em que a busca pelo autorretrato perfeito levou à morte: desde um garoto fazendo cliques em situações extremas e um homem disparando acidentalmente contra si até um turista sofrendo uma queda fatal em Machu Picchu.

Por conta disso, pesquisadores querem usar a própria tecnologia dos celulares para impedir que esses acidentes aconteçam. Até agora, os estudos e pesquisas se concentravam em constatar o problema, seja mostrando que mais pessoas morrem anualmente tentando fazer selfie do que em ataques de tubarões ou publicando artigos com estatísticas assustadoras sobre a prática.

Porém, parece que o aumento exponencial nas mortes envolvendo essa ação – 15 casos confirmados em 2014, 39 em 2015 e 73, até agora, em 2016 – acabou fazendo com que os cientistas precisarem assumir uma postura um pouco mais ativa. Cansados de esperar que o bom senso das pessoas – ou a seleção natural – resolva o problema, Hemank Lamba e uma equipe da Carnegie Mellon University, nos EUA, entraram em ação.

Uma foto publicada por @selfie.mylife em

Como? Apostando no desenvolvimento de um aplicativo que tem como principal objetivo alertar o indivíduo quando ele estiver em uma situação de risco. Para tentar levar a tarefa adiante, o estudante de doutorado analisou todas as 127 mortes relacionadas oficialmente às selfies – com 76 dos casos tendo ocorrido na Índia, nove no Paquistão, oito nos EUA e seis na Rússia – em busca de padrões.

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Trabalho árduo

O resultado dessa pesquisa inicial foi que a maior parte dos acidentes fatais no momento das selfies estão ligadas à queda de grandes alturas, geralmente com as pessoas tentando escalar prédios ou posando para fotos na beira de edifícios e montanhas. A altura também se mostra presente nos casos em que o indivíduo tenta fazer um clique saltando de pontes ou penhascos para tentar cair na água de lago e rios ou no mar.

Cada região avaliada, no entanto, tem as suas próprias particularidades. Enquanto em países como Rússia e Estados Unidos as armas de fogo acabam aparecendo bastante durante o levantamento, a nação “campeã” de morte desse tipo, a Índia, sofre com os jovens se arriscando para tirar fotos ao lado ou mesmo em cima da linha de trem. Aparentemente, para os indianos, é uma prova de amizade ou de amor fazer seus autorretratos em dupla nesses locais.

De posse desses dados e de um algoritmo que mistura essas informações a posições geográficas reconhecidamente perigosas – além de analisar em tempo real a imagem captada pela câmera do celular –, Hemank e seu time criou um app que possivelmente pode salvar muitas vidas. Em testes iniciais com mais de 3 mil fotos, o software apresentou uma taxa de acerto de 70% na identificação de situações arriscadas para o usuário.

Análise é feita em diversos pontos da imagem

A moral da história? Nem tudo que é proibido é mais gostoso

Mesmo com esse cenário favorável para o projeto, o aplicativo ainda precisa de mais ajustes antes de ser finalizado. A forma como o sistema vai alertar a pessoa de que ela está em perigo, por exemplo, é algo que vem sendo debatido. Isso porque esse tipo de aviso pode acabar incentivando os aficionados por selfies mais radicais a transformar as notificações em “dicas” dos lugares mais insanos para a prática. A moral da história? Nem tudo que é proibido é mais gostoso.

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