Dados de vítimas da rede de exploração sexual liderada pelo financista Jeffrey Epstein foram expostos após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgar documentos do caso sem anonimizar informações sensíveis. É o que revelou uma investigação da DW publicada na última semana.
Segundo a reportagem, partes das centenas de milhares de documentos relacionados ao caso foram divulgadas com falhas no processo de proteção de dados, contrariando promessas feitas por autoridades americanas. Questionado, o órgão atribuiu a exposição a um “erro humano ou técnico” e afirmou ter iniciado auditoria para investigar condutas irregulares.
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Erro na ocultação de dados
Em cumprimento à legislação que determinou a divulgação dos documentos do caso Epstein, os arquivos de texto e áudios deveriam ter passado por um rigoroso processo de ocultação de dados. Mas de acordo com a publicação, isso ocorreu parcialmente, deixando muitas informações visíveis.
Na análise de milhares de arquivos divulgados pelo DOJ, a DW identificou dados como:
- Nomes completos de sobreviventes expostos em partes dos documentos;
- Datas de nascimento;
- Endereços de email e endereços residenciais;
- Números de telefone;
- Documentos de identificação, incluindo uma carteira de motorista;
- Mais informações que possibilitam identificar diretamente as vítimas, testemunhas e informantes que prestaram depoimento à justiça.
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Conforme os investigadores, a exposição pode estar relacionada à existência de versões duplicadas de vários documentos. Durante o trabalho, eles encontraram as informações corretamente ocultadas em uma das cópias e expostas na outra, sugerindo inconsistências na revisão dos arquivos antes da publicação.
O método utilizado para a comparação dos documentos foi a geração de códigos únicos para cada arquivo (hash). Dessa forma, a apuração conseguiu verificar que mais de 500 mil arquivos haviam sido excluídos entre o início da divulgação e o momento em que a reportagem fez a coleta, além de identificar alterações.
Danos irreparáveis
Com a disponibilidade dos arquivos em plataformas abertas e no site do DOJ, as pessoas que tiveram os dados expostos relataram ter recebido ameaças e passado por casos de assédio e humilhação. De acordo com uma das sobreviventes, o erro do Departamento causou danos irreparáveis.
“Enquanto os ricos e poderosos permanecem protegidos por informações censuradas, meu nome foi exposto ao mundo. As provas estão aqui, mas aqueles que detêm o poder preferem que morramos socialmente, emocionalmente e fisicamente a admitir a sua própria cumplicidade”, acrescentou.
Apresentada em julho, a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein II permitirá que sobreviventes de abuso sexual e os governos de estados americanos processem o DOJ por não cumprimento das regras definidas pela lei original. Uma das violações mencionadas é a garantia da proteção de dados das vítimas.
Vale destacar que as falhas na ocultação das informações sensíveis foram identificadas pela investigação depois de o DOJ informar que removeria os documentos e aplicaria mais medidas de proteção.
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