Apostando na tecnologia para preservar a memória e a cultura da Palestina das destruições causadas pelos conflitos no Oriente Médio, um museu localizado na Cisjordânia desenvolveu um arquivo digital que não pode ser apagado ou confiscado, mesmo que o acervo físico desapareça, conforme os responsáveis pelo projeto.
Com a maior parte das coleções nacionais destruídas, saqueadas ou sob o controle de Israel, o Museu Palestino de Birzeit investiu em um esforço de preservação digital ousado, que começou em 2018, segundo matéria da Wired. O “arquivo inviolável” reúne mais de 500 mil fotografias digitalizadas, documentos antigos, mapas, diários, filmes e cartas coletados de porta em porta nas casas de famílias palestinas.
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Estratégia para evitar a destruição
Financiado por doações de imigrantes e parceiros como a Universidade da Califórnia e a Fundação Gerda Henkel, o “Arquivo Digital do Museu da Palestina” tem funcionários dedicados em tempo integral às digitalizações, pesquisas e metadados, apoiados por uma ampla rede de voluntários. As tarefas incluem catalogação, revisão linguística e traduções.
- Para otimizar os trabalhos, há planos de usar um robô com IA para ler textos em árabe otomano, facilitando o processamento de registros históricos;
- Os esforços também envolvem medidas para a preservação desses materiais diante da alta quantidade de ataques cibernéticos sofridos pelo acervo;
- De acordo com o artista visual e diretor-geral do museu, Amer Shomali, o site da instituição sofre ataques quase todos os meses, ficando indisponível em diversas ocasiões;
- Mas a abordagem utilizada pelo projeto, com múltiplas cópias do arquivo armazenadas em diferentes lugares, permite restaurar o acervo na sequência.
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“Temos vários backups”, ressaltou o líder da iniciativa. “Não podemos protegê-lo de ataques cibernéticos, mas podemos protegê-lo de seu desaparecimento”, reforçou, lembrando que a estratégia também evita a perda dos materiais em caso de destruição física do museu na Cisjordânia.
Com a natureza distribuída do arquivo, a história da Palestina não fica restrita a um prédio ou servidor, já que as cópias de segurança espalhadas pelo mundo continuam preservando o conteúdo, como destaca a reportagem.
Pesquisas e exposições
Além da preservação do patrimônio cultural local, a tecnologia possibilita o uso dos materiais digitalizados para pesquisas e exposições apresentando a história da Palestina. Basta baixar e imprimir os conteúdos disponíveis no acervo.
Entre eles, há uma bíblia do século XIX impressa em Jerusalém e um jornal palestino de 1930. Devido à fragilidade dos materiais, as páginas exigiram cuidados adicionais para serem desdobradas antes de passarem pelo processo de digitalização.
O projeto foi utilizado para mais de 260 exposições em todo o mundo, dos Estados Unidos ao Japão, com tradução para cinco idiomas. Na Espanha, um trabalho baseado no acervo teve mais de 15 exibições em diferentes cidades desde 2025, despertando grande interesse.
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