O erro cometido por um sistema de reconhecimento facial alimentado por inteligência artificial fez com que uma mulher de 50 anos ficasse presa durante mais de cinco meses nos Estados Unidos. O caso aconteceu recentemente, como noticiou a CNN no domingo (29).
A tecnologia identificou erroneamente Angela Lipps como suspeita de fraude bancária na cidade de Fargo, na Dakota do Norte. Moradora do Tennessee, há quase 2.000 km dali, ela afirma nunca ter ido à cidade e se declarou inocente.
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Polícia admite erro
Utilizando o sistema Clearview AI, que se baseia em bilhões de fotos coletadas da internet, a polícia de Fargo identificou Angela como possível suspeita de crimes na região. Um dos investigadores afirmou que o tipo físico, o rosto e o penteado eram semelhantes aos da autora.
- Com isso, foi emitido um mandado de prisão para ela, detida em sua casa no dia 14 de julho do ano passado;
- A mulher passou três meses presa no Tennessee, até ser transferida para a Dakota do Norte, onde ficou mais dois meses na cadeia em Fargo;
- Os rumos do caso começaram a mudar quando, no início de dezembro, a defesa de Angela apresentou provas de que ela não estava em Fargo na época dos crimes, ocorridos entre abril e maio;
- Na véspera do Natal, Lipps foi libertada da prisão, após a justiça determinar o arquivamento das acusações até que uma investigação mais aprofundada fosse feita.
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De acordo com o Departamento de Polícia de Fargo, "alguns erros" foram cometidos durante o processo de investigação que levou à prisão por engano de Angela. As autoridades também admitiram que não têm ferramentas de reconhecimento facial com IA na cidade.
As informações foram enviadas pela cidade vizinha, West Fargo, que usa o Clearview AI e identificou a mulher como uma suspeita em potencial após analisar imagens de câmeras de segurança. A verdadeira autora das fraudes usou uma identidade militar falsa para sacar dezenas de milhares de dólares.
Impactos da prisão por engano
De volta ao Tennessee, Angela ainda sente as consequências do erro cometido pelo sistema de identificação com IA. Além do medo e da humilhação, ela afirma ter perdido a casa, o carro e até o cachorro enquanto estava presa.
"O trauma, a perda de liberdade e os danos à reputação não podem ser facilmente reparados", afirmou a defesa da mulher, que também reclama da falta de pedido de desculpa pelas autoridades. Os advogados avaliam a possibilidade de processo por violações de direitos.
Na última semana, noticiamos um caso semelhante no Brasil, com um homem detido quatro vezes por engano devido a erro do programa Smart Sampa. Confira os detalhes nesta matéria.
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