Autoridades da União Europeia (UE) acusam a Rússia de usar duas espaçonaves para interceptar dados e comunicações de 12 satélites que prestam serviços aos países do bloco. A suposta espionagem espacial foi detalhada pelo Financial Times na quarta-feira (4).
De acordo com a reportagem, a prática pode comprometer dados sigilosos transmitidos pelos satélites. Além disso, permitiria a manipulação de trajetórias e a derrubada deles, em meio às tensões crescentes entre Moscou e o ocidente, no contexto da guerra com a Ucrânia.
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Aproximações suspeitas preocupam a UE
Monitoradas há anos, as espaçonaves russas Luch-1 e Luch-2 têm realizado manobras suspeitas em órbita repetidas vezes, segundo a denúncia. De maneira arriscada, elas se aproximaram de alguns dos principais satélites geoestacionários da UE em diversas ocasiões, nos últimos três anos.
- Segundo o chefe do comando espacial das Forças Armadas da Alemanha, Michael Traut, esses objetos espaciais estariam "realizando atividades de inteligência de sinais";
- Um alto funcionário de inteligência da UE também manifestou preocupação quanto a tais atividades, principalmente pela falta de criptografia nos dados de comando dos satélites europeus;
- Como muitos deles são antigos, não possuem computador de bordo avançado nem recursos criptográficos, ficando vulneráveis a interferências;
- A reportagem lembra, ainda, que a Rússia possui um dos programas de espionagem espacial mais avançados do mundo e vem aproveitando os dois veículos para rastrear outros.
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Os satélites que estariam sendo vigiados por Luch-1 e Luch-2 são utilizados para transmitir dados governamentais sensíveis e algumas comunicações entre militares. Além disso, contribuem para atividades civis, como a transmissão de TV via satélite.
Traut acredita que as espaçonaves russas interceptaram o link de comando desses satélites, usados pelos controladores em solo para ajustes orbitais. Dessa forma, Moscou teria a chance de enviar comandos falsos para derrubá-los ou fazê-los se perder no espaço.
No ano passado, a Rússia lançou outros dois satélites com capacidades semelhantes, Cosmos 2589 e Cosmos 2590, com o primeiro se posicionando a 35.000 km de altitude, na mesma órbita dos equipamentos europeus. O Kremlin não se manifestou sobre as acusações da UE.
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