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Segurança

Ex-chefe de segurança do WhatsApp diz que foi demitido por apontar falhas no app

No processo movido contra a Meta, Attaullah Baig alega que recebeu relatórios propositalmente ruins em desempenho até ser dispensado

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule09/09/2025, às 10:30

updateAtualizado em 03/03/2026, às 08:28

O antigo chefe de segurança do WhatsApp está processando a empresa depois de ser demitido sob acusações graves. De acordo com ele, o aplicativo de mensagens possui falhas graves de proteção digital e ele foi dispensado justamente por apontá-las.

Attaullah Baig iniciou a ação judicial em uma corte distrital da Califórnia. Ele alega que a Meta, empresa dona também de Facebook e Instagram, não apenas foi negligente em relação às denúncias feitas de forma repetida por ele sobre vulnerabilidades no serviço, mas também gerou a demissão do funcionário como forma de retaliação.

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Quais as acusações contra o WhatsApp?

Contratado em janeiro de 2021, o especialista diz ter conduzido uma série de testes internos de tentativa de acesso a dados sensíveis do WhatsApp do lado dos próprios funcionários. Os resultados desse projeto, que escancararam falhas de segurança na estrutura do serviço, teriam desagradado a própria empresa.

  • Segundo ele, "centenas" de colaboradores conseguiram nessas avaliações acessar informações como imagens de perfil, localização, entrada em grupos e até a listas de contatos de usuários;
  • O mensageiro ainda foi acusado de não conseguir deter ações contra as mais de 100 mil contas que são invadidas por dia;
  • Além da falta de segurança e não garantir proteção aos usuários, essas brechas violavam um acordo judicial fechado entre a Meta e a Federal Trade Comission (FTC), principal órgão regulador dos EUA, sobre aumentar as camadas de proteção sobre dados de usuários e fazer auditorias constantes;
  • Attaullah conta que alertou constantemente os gerentes da companhia sobre tudo isso, incluindo duas cartas enviadas para o cofundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg. O seu supervisor direto teria falado para ele "focar em tarefas de segurança de aplicativo menos críticas";
  • Em 2022, ele produziu um relatório completo com os "problemas críticos de cibersegurança" no WhatsApp, mas a Meta teria "bloqueado vários esforços" e projetos da equipe, incluindo sugerir uma camada adicional de aprovação de login para recuperação de conta e impedimentos para baixar a foto de perfil do usuário;

Em dezembro de 2022, o funcionário fez uma denúncia para a FTC e outra instituição do governo, a Securities and Exchange Commission (SEC), sobre as descobertas não levadas em conta pela empresa e o risco em potencial que isso provoca aos usuários.

Attaullah foi demitido em fevereiro de 2023. Ele alega que isso aconteceu depois de várias retaliações da Meta, ameaças de dispensa e relatórios consecutivos que indicavam um desempenho negativo por parte do colaborador (e que ele considera injustos, além de uma grande coincidência por começarem depois das denúncias).

O que diz a empresa

A Meta nega as acusações de Attaullah e deve se defender nos tribunais ou então buscar um acordo. Em nota enviada para a CNBC, a empresa diz que as acusações são distorcidas.

"Infelizmente, essa é uma estratégia familiar em que um antigo funcionário é dispensado por desempenho ruim e surge publicamente com alegações distorcidas que não representam o trabalho duro da nossa equipe. A segurança é um espaço controverso e nos orgulhamos em construir nosso forte histórico de proteger a privacidade das pessoas", diz a nota.

Sabia que o WhatsApp tem funções escondidas, como uma calculadora e busca por empresas que estão perto de você? Conheça alguns segredos do app neste artigo!

Perguntas Frequentes

Por que o ex-chefe de segurança do WhatsApp está processando a Meta?
Attaullah Baig está processando a Meta alegando que foi demitido por apontar falhas graves de segurança no WhatsApp. Ele afirma que a empresa foi negligente em relação às suas denúncias sobre vulnerabilidades no serviço e que sua demissão foi uma forma de retaliação.
Quais falhas de segurança foram identificadas no WhatsApp?
Attaullah Baig conduziu testes internos que revelaram que "centenas" de colaboradores conseguiram acessar informações sensíveis dos usuários, como imagens de perfil, localização, entrada em grupos e listas de contatos. Além disso, o WhatsApp foi acusado de não conseguir deter ações contra mais de 100 mil contas invadidas diariamente.
Como a Meta respondeu às denúncias de falhas de segurança?
Segundo Attaullah Baig, a Meta não apenas ignorou suas denúncias, mas também o demitiu como retaliação. Ele afirma ter alertado constantemente os gerentes da companhia e enviado cartas ao cofundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, mas foi instruído a focar em tarefas de segurança menos críticas.
Qual é a relação entre as falhas de segurança e o acordo com a FTC?
As falhas de segurança identificadas por Attaullah Baig violavam um acordo judicial entre a Meta e a Federal Trade Commission (FTC), que exigia o aumento das camadas de proteção sobre dados de usuários e a realização de auditorias constantes.
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