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Segurança

Onboarding malicioso: Cibercriminosos se tornam funcionários para atacar empresas por dentro

Criminosos estão usando currículos falsos e deepfakes criados com Inteligência Artificial Generativa para se infiltrar em empresas

Avatar do(a) autor(a): Cecilia Ferraz

schedule12/09/2025, às 15:30

updateAtualizado em 17/02/2026, às 08:09

Cibercriminosos não estão apenas interessados em explorar vulnerabilidades em corporações por phishing ou ransomware – agora, o foco é realizar atacar internos. Empresas estão registrando cada vez mais agentes maliciosos se passando por funcionários legítimos. A lógica é simples: usar o onboarding, processo que introduz o colaborador recém-contratado, para obter acesso legítimo a sistemas críticos.

Relatos recentes mostram como “novos funcionários” entram com currículos impecáveis, referências convincentes e entrevistas bem-sucedidas — só que tudo é falso. Em pouco tempo, já participam de reuniões, acessam repositórios de código e lidam com dados internos. Quando a fraude é descoberta, o invasor já levou o que precisava.

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IA Generativa possibilita currículos e perfis falsos em redes sociais

Esse novo tipo de ataque só é possível porque a inteligência artificial generativa deu às quadrilhas ferramentas para criar identidades inteiras do zero. Com IA é possível gerar currículos realistas com histórico de trabalho verossímil, criar perfis em redes sociais com fotos e conexões falsas, e produzir vídeos deepfake para entrevistas por vídeo – com vozes e rostos artificiais. 

Um levantamento da Gartner aponta que, até 2028, um em cada quatro candidatos será falso devido ao aumento de perfis criados por IA generativa.

Segundo a CNBC, Vijay Balasubramaniyan, CEO da startup Pindrop Security, afirmou que a própria empresa fez um processo seletivo com um candidato que usava um deepfake. Esse movimento lembra uma peça de teatro digital: o “candidato” não é uma pessoa real, mas uma combinação de ferramentas avançadas projetadas para enganar recrutadores.

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O problema não se limita a indivíduos isolados: há operações coordenadas por Estados e grupos criminosos. Relatórios de inteligência dos EUA apontaram mais de 320 casos de agentes norte-coreanos se infiltrando como trabalhadores de TI falsos em empresas internacionais — um aumento de 220% em um ano.

Esses agentes usaram desde deepfakes até chamadas falsas para entrevistas, passando por “fazendas de laptops” nos EUA, projetadas para simular conexões locais e disfarçar a origem dos acessos. Muitas vezes, os alvos são empresas da Fortune 500, onde os ganhos de espionagem ou roubo de propriedade intelectual podem ser massivos.

A principal preocupação nesse tipo de golpe são as próprias empresas e suas políticas internas de proteção de dados e permissões de usuários. Tradicionalmente as empresas, até mesmo gigantes de tecnologia, tratam funcionários com total confiança - eles têm acesso total a e-mails, ferramentas e repositórios críticos de código. 

Como proteger sua empresa?

Especialistas defendem a aplicação do conceito de Zero Standing Privileges (ZSP), baseado em princípios de Zero Trust:

  • Acesso mínimo por padrão: novos funcionários só devem ter acesso ao que realmente precisam para começar.
  • Just-In-Time (JIT) e Just-Enough-Privilege (JEP): permissões extras só são dadas quando necessárias e por tempo limitado.
  • Auditoria constante: cada concessão de privilégio deve ser rastreada e registrada.
  • Revogação automática: ao final de cada tarefa ou período, acessos expiram sem necessidade de intervenção manual.

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Perguntas Frequentes

O que é onboarding malicioso?
Onboarding malicioso é uma técnica usada por cibercriminosos para se infiltrar em empresas, passando-se por funcionários legítimos. Eles utilizam currículos falsos e deepfakes para serem contratados e, assim, obter acesso a sistemas críticos da empresa.
Como a inteligência artificial generativa facilita esses ataques?
A inteligência artificial generativa permite a criação de identidades falsas completas, incluindo currículos realistas, perfis em redes sociais com fotos e conexões falsas, e vídeos deepfake para entrevistas. Isso torna mais fácil para os cibercriminosos se passarem por candidatos legítimos.
Quais são os riscos para as empresas com esse tipo de ataque?
Os riscos incluem o acesso não autorizado a dados internos, repositórios de código e informações sensíveis. Quando a fraude é descoberta, os invasores já podem ter obtido e utilizado as informações críticas da empresa.
Qual é a previsão para o futuro em relação a candidatos falsos?
De acordo com um levantamento da Gartner, até 2028, um em cada quatro candidatos poderá ser falso devido ao aumento de perfis criados por inteligência artificial generativa.
Como as empresas podem se proteger contra o onboarding malicioso?
As empresas podem adotar medidas de segurança mais rigorosas durante o processo de contratação, como verificações de antecedentes mais detalhadas, validação de referências e o uso de tecnologias para detectar deepfakes e outras falsificações digitais.
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