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Novo 'Vírus do Pix', GhostSpy foca ataques em celulares Android no Brasil

GhostSpy é vendido como serviço, com painel para controlar o acesso remoto, executar roubo de dados e tem até multa contratual para seus usuários!

Avatar do(a) autor(a): Adriano Camacho

schedule31/07/2025, às 19:15

updateAtualizado em 31/07/2025, às 19:39

Um novo esquema de golpes focados na plataforma Android foi identificado no Brasil. Segundo o relatório da Zenox, empresa especialista em cibersegurança, cibercriminosos desenvolveram um sistema para a criação de aplicativos dedicados ao furto de dados chamado “GhostSpy”.

A interface era vendida no modelo software-como-serviço (SaaS), por meio de planos de pagamentos mensais, com direito a termos de uso – e até multa de R$ 100 mil para os usuários que os violarem.

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Assim como o golpe do recibo falso, esse tipo de esquema ganha cada vez mais relevância entre os criminosos. Em partes por democratizar o acesso ao crime para qualquer usuário malicioso, mas especialmente por oferecer “soluções automatizadas” e baseadas em nuvem para funcionar. 

O GhostSpy oferecia um extenso pacote de recursos, incluindo acesso remoto aos dispositivos Android e exfiltração de dados pessoais, além da promessa de ser “impossível de remover”.

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Tela em que criminosos monitoravam celulares das vítimas no GhostSpy. (Fonte: Zenox / Reprodução)

O relatório ainda evidencia outro grave risco oferecido pelo sistema – a possibilidade de vazamento dos dados furtados para terceiros. Conforme aponta a Zenox, o painel de gerenciamento dos serviços fraudulentos possui uma falha grave que permite o acesso irrestrito às informações, mesmo à atores desconhecidos. 

Apesar do “contrato de uso”, que tenta isentar os desenvolvedores da responsabilidade final, toda a operação é ligada a “Goiano”, um cibercriminoso chamado de farsante pela comunidade hacker.

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Termos de uso do GhostSpy. (Fonte: Zenox / Reprodução)

O que é GhostSpy e como ele funciona?

O GhostSpy trata-se de um Trojan de Acesso Remoto (RAT), com atuação direcionada a dispositivos Android. Assim como o nome sugere, essa classe de ameaças tem como objetivo final garantir o controle à distância dos sistemas comprometidos, geralmente sendo disfarçado como um arquivo ou aplicativo comum.

Nesse contexto, o GhostSpy se destaca pela “comodidades” oferecidas ao seu usuário, reunidas em um painel de controle web. A partir dele, o ator malicioso pode explorar inúmeras partes do sistema afetado, graças ao abuso da permissão de “Acessibilidade do Android”. 

Entre as possibilidades, estão:

  • Controle Remoto da Tela: O atacante pode ver o que é exibido na tela do dispositivo e até interagir com ela, controlando o que aparece e como o dispositivo responde;
  • Keylogger: O programa registra tudo o que a vítima digita, seja ao vivo ou armazenando as informações para envio posterior;
  • Modo de Privacidade: O dispositivo da vítima escurece a tela para esconder as ações do atacante, tornando difícil perceber que está sendo monitorado;
  • Roubo de Dados Pessoais: O malware consegue acessar e roubar informações como fotos, mensagens de texto, registros de chamadas, contatos e aplicativos instalados;
  • Gerenciamento de Arquivos: O invasor pode acessar, baixar ou até enviar arquivos para o dispositivo da vítima;
  • Rastreamento de Localização: O GhostSpy é capaz de rastrear a localização do dispositivo, monitorando onde ele está em tempo real.

Na prática, os dispositivos são infectados a partir de arquivos “.apk”, renomeados para se disfarçarem como documentos, certificados ou recibos, por exemplo. Segundo o relatório, os nomes utilizados pelos criminosos sugerem um foco no público brasileiro, frequentemente usando nomes de empresas de logística, bancos, e-commerces e até serviços governamentais como fachada.

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Interface de criação de APKs falsos no GhostSpy. (Fonte: Zenox / Reprodução)

Segundo o marketing do GhostSpy, as vítimas ainda teriam uma grande dificuldade de se livrar da “infecção”. Ele é descrito como "impossível de remover", o que na verdade sugere a aplicação de técnicas avançadas para se manter no dispositivo. Além disso, o malware também promete burlar o Google Play Protect, bem como configurar automaticamente as permissões necessárias para explorar a vulnerabilidade.

O cibercriminoso responsável

Apoiado em evidências técnicas e denúncias da própria comunidade hacker, o relatório aponta que o criminoso conhecido como ‘Goiano’ está diretamente associado ao GhostSpy. No entanto, o suposto responsável pelo esquema, na verdade, pode ser um farsante.

Conforme afirmam as publicações do canal “OneRevealed”, que se dedica a investigar fraudes no submundo digital, ‘Goiano’ seria um fraudador ativo no Telegram, com foco em golpes digitais envolvendo trojans de acesso remoto (RATs).

Associado ao GhostSpy, ‘Goiano’ é considerado uma fraude na comunidade hacker

De acordo com as alegações, o GhostSpy seria uma versão renomeada e “reembalada” do GoatRAT, malware já conhecido no meio cibercriminoso – que se popularizou como “Vírus do Pix” no Brasil. Na nova versão, a principal mudança realizada por Goiano teria sido a criação de um painel web, com o objetivo de dar ao programa uma aparência mais profissional e exclusiva, mascarando sua real origem como uma adaptação de código já existente.

Em mais detalhes, a abordagem utilizada no GhostSpy é apenas a mais recente, em uma série recorrente de supostas fraudes de Goiano. O canal lista diversas ferramentas que teriam relação com o criminoso, que teriam sido modificadas a partir de códigos-fonte abertos ou crackeados, como Craxs RAT e Cypher RAT.

Segundo as acusações do OneRevealed, Goiano também seria responsável pelo rebranding dos sistemas abaixo:

  • Spysolr, baseado no GoatRAT
  • Everspy v2/v3 (rebranding de Craxs/Cypher RAT)
  • Brata RAT (rebranding de Craxs/Cypher RAT)
  • Ghost RAT (rebranding de Craxs RAT)
  • Brazil RAT / Brazilian RAT (rebranding de Craxs/Cypher RAT)
  • Phoenix RCU / PhoenixRCU (rebranding de Craxs/Cypher RAT)
  • A-Rat (rebranding de Cypher RAT)
  • Andromeda Rat (rebranding de Cypher RAT)
  • BT-MOB

Para evitar a identificação ou relação direta nas remarcações, Goiano teria usado uma série de outros apelidos – e até se passado por outros atores. A exemplo, o OneRevealed afirma que ele fingiu ser o agente ”EVLF”, e enfatizou que não se trata da mesma pessoa. O relatório ainda aponta outros supostos apelidos do criminoso:

  • @GhostSpyBotnet
  • @GhostspyVIP
  • @Everspy
  • @PhoenixRCU
  • @BrataRat
  • @brmob
  • @Spysolr
  • @brazillianspy

Como se proteger do GhostSpy e outros trojans de acesso remoto?

Para se proteger de ameaças como o GhostSpy, é fundamental ter atenção redobrada com os aplicativos instalados no celular. Prefira sempre baixar apps de lojas oficiais, como a Google Play Store, e evite clicar em links ou abrir arquivos recebidos por mensagens, e-mails ou redes sociais. Mesmo em ambientes confiáveis, vale a pena investigar antes de instalar: observe o nome do desenvolvedor, leia as avaliações de outros usuários e confira o número de downloads para garantir que o aplicativo é legítimo.

Outro ponto crucial é o controle de permissões do sistema. Aplicativos maliciosos costumam solicitar acessos desnecessários, como a permissão de Acessibilidade, que permite ler a tela e até controlar o dispositivo remotamente. Por isso, é importante revisar as configurações com frequência e só autorizar permissões a apps realmente confiáveis. 

Além disso, adotar boas práticas de segurança digital também pode fazer toda a diferença:

  • Desconfie de mensagens que peçam instalações urgentes ou rastreamento de encomendas fora dos canais oficiais;
  • Não clique em links ou ligue para telefones enviados por fontes suspeitas;
  • Ative a verificação em duas etapas nas suas contas online;
  • Use senhas fortes e evite desbloqueios simples como padrões;
  • Em caso de suspeita de infecção, desconecte o celular da internet e considere restaurá-lo para os padrões de fábrica.

Já passou por algo similar ou conhece alguém que já caiu no GhostSpy? Nos conte nas redes sociais do TecMundo!

Perguntas Frequentes

O que é o GhostSpy e como ele funciona?
O GhostSpy é um trojan de acesso remoto (RAT) voltado para dispositivos Android. Ele permite que cibercriminosos controlem remotamente o celular da vítima, acessem dados pessoais, registrem tudo o que é digitado (keylogger), rastreiem a localização e até escondam suas ações com um "modo de privacidade". O malware é distribuído por meio de arquivos .apk disfarçados como documentos legítimos e abusa da permissão de acessibilidade do Android para operar.
Por que o GhostSpy é considerado perigoso?
Além de oferecer controle total do dispositivo infectado, o GhostSpy é descrito como "impossível de remover", indicando o uso de técnicas avançadas de persistência. Ele também promete burlar o Google Play Protect e configurar automaticamente as permissões necessárias. Outro risco grave é a falha no painel de controle do malware, que permite o vazamento dos dados roubados para terceiros, mesmo não envolvidos diretamente no ataque.
Como o GhostSpy é distribuído e quem são os alvos?
O GhostSpy é disseminado por meio de arquivos .apk renomeados para parecerem documentos legítimos, como recibos, certificados ou arquivos de empresas conhecidas. Os nomes usados sugerem um foco no público brasileiro, com referências a bancos, e-commerces, empresas de logística e até serviços governamentais.
Quem está por trás do GhostSpy?
O cibercriminoso conhecido como "Goiano" é apontado como o responsável pelo GhostSpy. No entanto, ele é considerado um farsante pela comunidade hacker. Segundo o canal OneRevealed, o GhostSpy seria apenas uma versão renomeada do GoatRAT, com um painel web adicionado para parecer mais profissional. Goiano também estaria envolvido em outras fraudes, reembalando malwares existentes sob novos nomes.
O que significa que o GhostSpy é vendido como "software como serviço" (SaaS)?
Significa que o GhostSpy é comercializado como um serviço online, com planos de pagamento mensais e acesso a um painel de controle web. Os usuários do malware recebem termos de uso e até cláusulas contratuais, como uma multa de R$ 100 mil em caso de violação, o que demonstra uma tentativa de profissionalizar e escalar o uso da ferramenta criminosa.
Quais são os principais recursos oferecidos pelo GhostSpy?
O GhostSpy oferece uma série de funcionalidades maliciosas, como controle remoto da tela, keylogger, modo de privacidade (que escurece a tela da vítima), roubo de dados pessoais (fotos, mensagens, contatos, etc.), gerenciamento de arquivos e rastreamento de localização em tempo real.
Como posso me proteger contra o GhostSpy e outros RATs?
Para se proteger, baixe aplicativos apenas de lojas oficiais como a Google Play Store, evite clicar em links suspeitos e revise as permissões concedidas aos apps, especialmente a de acessibilidade. Ative a verificação em duas etapas, use senhas fortes e desconfie de mensagens que pedem instalações urgentes. Em caso de suspeita de infecção, desconecte o celular da internet e considere restaurá-lo para os padrões de fábrica.
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