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Segurança

Empresa de cibersegurança lista vulnerabilidades no 'rival do WhatsApp' que não precisa de internet

Bitchat, lançado pelo cofundador do Twitter, tem ao menos duas grandes brechas conhecidas e reconhece que ainda não passou por testes de segurança

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule18/07/2025, às 16:00

updateAtualizado em 20/07/2025, às 11:54

Um aplicativo de mensagens criado pelo executivo que ajudou a lançar projetos como Twitter (atual X) e Bluesky passou do status de impressionante a preocupante em poucos dias. O Bitchat, projeto de Jack Dorsey, teve o uso apontado como "arriscado" após denúncias sobre vulnerabilidades.

O serviço ganhou fama após o anúncio no início do mês, em especial pelo funcionamento baseado apenas na conexão Bluetooth de um dispositivo móvel. Isso significa que ele não exige uma conexão via Wi-Fi para funcionar e também não depende de servidores únicos ou vinculação a dados como email e telefone. Essas características tornam ele não apenas leve e descentralizado, mas também ideal para uso por pessoas focadas na própria privacidade. 

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A independência desses serviços a a ausência de rastreadores animou parte do público, mesmo com testes ainda limitados em participantes. Ainda não há uma previsão de lançamento da versão estável do Bitchat, que por enquanto só tem uma página do projeto no GitHub, além de links para download de um cliente para iOS e Mac ou Android.

O próprio Dorsey, porém, chegou a reconhecer que o Bitchat ainda está em fases experimentais e nem sequer passou por testes mais rigorosos de proteção digital. "Este software não recebeu nenhuma análise de segurança externa e pode conter vulnerabilidades, além de não atender necessariamente aos objetivos de segurança declarados. Não o utilize para fins de produção e não confie em sua segurança até que seja submetido a uma análise", diz o recado, já antecipando descobertas que apareceriam sobre o serviço.

Quais as vulnerabilidades do Bitchat?

  • De acordo com Ben Smith, engenheiro sênior de pesquisa da Tenable, foi identificada uma "exposição de privacidade" no Bitchat. Ela envolve o identificador persistente, a chave pública acessível via Bluetooth que é um código por enquanto permanente e imutável, atribuído a um usuário e que permite a troca de mensagens;
  • Segundo Smith, um agente malicioso no alcance físico do Bluetooth (até 300 metros) pode usar a chave pública para escanear e identificar o telefone de um usuário. Após registrar a presença desse identificador único, é possível rastrear os movimentos da pessoa e estabelecer padrões de comportamento dela;
  • O caso é tido como grave em especial porque o próprio Bitchat foi apresentado como alternativa para usuários que não querem ser rastreados, como manifestantes e ativistas;
  • Para além dessa brecha, o engenheiro não descarta que "outras falhas de segurança também podem existir" na plataforma, em especial pela falta de realização dos testes específicos;
  • Em outro estudo, o pesquisador Alex Radocea também já foi capaz de fraudar o acesso de outro usuário e "roubar" a identidade de uma pessoa no aplicativo, burlando o sistema de autenticação da chave;

Qual o problema dessas brechas?

Para Smith, mesmo que o aplicativo de Dorsey ainda esteja em fase de desenvolvimento, as denúncias sobre as brechas no serviço tornam o caso "extremamente importante, especialmente para um aplicativo focado em privacidade".

Nem mesmo o aviso do executivo é bem visto, já que isso só confirma que há de fato um risco na utilização do Bitchat neste momento, especialmente se você compartilhar informações sensíveis ou estiver em um local de risco. "Aplicativos desenvolvidos por figuras públicas de destaque tendem a ganhar popularidade rapidamente, o que aumenta ainda mais o risco. Embora exista um aviso na página do projeto, ele pode ser facilmente ignorado ou passar despercebido", comenta o engenheiro.

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Perguntas Frequentes

O que é o Bitchat e por que ele chamou atenção?
O Bitchat é um aplicativo de mensagens criado por Jack Dorsey, cofundador do Twitter e do Bluesky. Ele chamou atenção por funcionar sem internet, utilizando apenas conexão Bluetooth entre dispositivos móveis. Além disso, não exige servidores centrais, e-mails ou números de telefone, o que o torna uma opção atrativa para quem busca privacidade e descentralização.
Quais são as principais vulnerabilidades identificadas no Bitchat?
Foram identificadas duas falhas principais: a primeira é uma exposição de privacidade relacionada à chave pública fixa transmitida via Bluetooth, que permite rastrear usuários fisicamente. A segunda é uma falha de autenticação que possibilita a um invasor assumir a identidade de outro usuário no aplicativo.
Como a chave pública do Bitchat pode comprometer a privacidade do usuário?
A chave pública do Bitchat é um identificador persistente transmitido via Bluetooth. Como ela é fixa e única para cada usuário, um agente malicioso dentro do alcance do Bluetooth (até 300 metros) pode usá-la para identificar e rastrear o dispositivo de uma pessoa, monitorando seus movimentos e padrões de comportamento.
Por que essas falhas são especialmente preocupantes no caso do Bitchat?
As falhas são preocupantes porque o Bitchat foi promovido como uma ferramenta voltada à privacidade, ideal para ativistas e manifestantes que desejam evitar rastreamento. A existência de vulnerabilidades que permitem justamente esse tipo de monitoramento contradiz os objetivos do aplicativo e coloca seus usuários em risco.
O Bitchat já passou por testes de segurança?
Não. O próprio Jack Dorsey reconheceu que o Bitchat ainda está em fase experimental e não passou por análises externas de segurança. Ele alerta que o software pode conter vulnerabilidades e não deve ser usado em ambientes de produção ou para fins sensíveis até que seja devidamente auditado.
O aviso de segurança no site do Bitchat é suficiente para proteger os usuários?
Segundo especialistas, o aviso não é suficiente, pois pode ser ignorado ou passar despercebido, especialmente considerando que o aplicativo foi criado por uma figura pública e pode ganhar popularidade rapidamente. Isso aumenta o risco de uso indevido por pessoas que não estão cientes das falhas.
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