Mulher perseguida pelo spyware Pegasus diz: 'não serei silenciada'

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Imagem: Ghada Oueiss/Twitter
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Em matéria divulgada pela emissora de TV norte-americana NBC, mulheres jornalistas e ativistas denunciaram que suas fotos íntimas foram roubadas de seus celulares por aplicativos espiões a serviço de governos opressores, e compartilhadas nas redes sociais para intimidá-las e silenciá-las.

Um destaque foi dado à jornalista libanesa Ghada Oueiss, da Al-Jazeera, uma das supostas vítimas de perseguição por regimes autoritários do Oriente Médio. Ela foi vítima de ataques de hack e vazamento de imagens, feitos através do famigerado spyware Pegasus, criado declaradamente para vigiar terroristas, pela empresa de tecnologia israelense NSO Group.

Ghada contou à NBC que estava em sua casa, em junho passado, jantando com o esposo quando recebeu uma mensagem de um colega pedindo que ela checasse o Twitter. Quando abriu a conta, a jornalista ficou chocada ao ver divulgadas algumas fotos suas de biquíni em uma jacuzzi. Embora inofensivas para os padrões ocidentais, as imagens são consideradas escandalosas na Arábia Saudita.

Perseguição à mulheres jornalistas no Oriente Médio

Fonte: Shahrzad Elghanayan/NBC News/ReproduçãoFonte: Shahrzad Elghanayan/NBC News/ReproduçãoFonte:  Shahrzad Elghanayan/NBC News 

Nos dias que se seguiram à publicação das fotos de Ghada Oueiss, a jornalista foi duramente atacada com milhares de tuítes e DMs que questionavam sua credibilidade como jornalista, chamando-a de "prostitua", "feia" e "velha". Muitas das mensagens vieram de seguidores do herdeiro saudita Mohammad bin Salman Al Saud, inclusive de alguns funcionários do governo.

Ela explicou à NBC que, como as fotos estavam apenas em seu celular, ela logo soube que havia sido vítima de um ataque hacker. Uma das várias jornalistas e ativistas perseguidas por regimes autoritários, a jornalista da Al-Jazeera disse acreditar que o ataque criminoso teve como objetivo silenciar suas reportagens críticas sobre o regime saudita.

Embora já tenha se acostumado a sofrer assédio online, a jornalista libanesa chama a atenção para a violência dessa invasão: "Foi como se alguém tivesse entrado na minha casa, no meu quarto, no meu banheiro". E concluiu: "Sei que eles querem me silenciar, mas eu não serei silenciada".