Horas após a publicação da matéria, Reality Leigh Winner, de 25 anos, foi presa após ter sido identificada como a fonte usada pelo site de notícias

Brincar com a NSA – a Agência de Segurança Nacional norte-americana – é uma tarefa extremamente arriscada. Ainda mais quando o assunto é o vazamento de documentos que mostram que a interferência da Rússia no sistema de votação dos Estados Unidos foi bem maior do que o revelado para o público recentemente.

O furo foi dado hoje mesmo pela publicação The Intercept, que teria tido acesso a documentos confidenciais vazados por uma fonte de dentro da NSA. Menos de 12 horas depois da publicação da matéria, Reality Leigh Winner, de 25 anos, foi presa após ter sido identificada como a fonte usada pelo site de notícias famoso por ter servido como plataforma de publicação dos documentos secretos vazados por Edward Snowden.

Descuido fatal

O problema começou por uma distração do próprio The Intercept, que mostrou ao governo o que seria uma cópia dos documentos que chegaram até eles. Nas imagens, eles estariam com marcas de dobras, o que indicava obviamente que eles haviam sido impressos dentro do ambiente seguro onde podem ser acessados e vazados fisicamente.

Não entre em contato conosco a partir do lugar onde você trabalha

Com isso, foi fácil para a NSA descobrir quem havia impresso aquele exato documento: uma lista pequena de seis pessoas. Para facilitar a investigação do governo, desses seis indivíduos, um havia trocado emails com ninguém menos que The Intercept, os recipientes dos dados vazados.

Era Reality Leigh Winner, que cometeu o erro de contatar a imprensa pelo próprio email que utilizava dentro de seu (agora ex) emprego. É curioso notar que a publicação The Intercept possui uma lista com cuidados que possíveis fontes devem tomar para vazar informações para a empresa. Uma das regras é: “não entre em contato conosco a partir do lugar onde você trabalha”.

Confiança abalada

Dessa maneira, mesmo sem a imagem do documento possivelmente dobrado, a NSA teria altas suspeitas, para não dizer certeza absoluta, de que Winner era a responsável pela divulgação dos documentos confidenciais da Agência de Segurança Nacional. Ainda assim, tudo isso acaba abalando a confiança que futuras fontes poderiam ter no The Intercept, que sempre afirmou “tomar atitudes para garantir que as pessoas possam vazar dados na maior segurança possível”.

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