Nos últimos anos, vimos uma grande quantidade de gadgets sendo colocados no mercado para garantir que os usuários tenham sempre boas formas de fazer com que suas informações médicas sejam centralizadas. Exemplos claros estão nos smartwatches da Apple e também nos modelos com Android, ambos com capacidades de medições e criação de relatórios sobre batimentos cardíacos,atividades físicas e muito mais.

Mas é preciso saber que isso faz parte de algo muito individual, que ainda traz poucos resultados em escalas maiores. É fato que já existem aplicativos que permitem o envio de informações diretamente para instituições médicas ou médicos específicos, mas será que existe como criar um banco de dados maior, mais preciso e que traga novas possibilidades para pacientes de todo o mundo? A resposta é “sim”.

Sonhando alto: a construção de um banco mundial

Os médicos sabem diagnosticar uma doença porque estudaram muito tempo para isso, sendo que esses conhecimentos ainda se auxiliam das experiências obtidas ao longo da carreira. De uma maneira análoga, isso forma um pequeno “banco de dados” no cérebro de cada médico. Com essas experiências documentadas e armazenadas junto com a de outros médicos, o “banco de dados” passa a ser maior. Isso é algo simples.

Agora imagine que milhões de médicos espalhados por todo o mundo possam fazer isso em uma central única. Catalogando sintomas, resultados de exames, reações a medicações e muito mais materiais voltados a esse tema, seria possível criar um banco de dados realmente grande e complexo. Um banco de dados capaz de fazer cruzamentos com mais velocidade do que os que temos atualmente.

Com isso construído, qualquer instituição médica cadastrada poderia cruzar os resultados vistos em um paciente com o que já existe para fazer com que os diagnósticos sejam mais precisos. Muito mais do que isso, os bancos também poderiam ser usados para informações precisas e em tempo real acerca de reações às medicações, possíveis alergias e resposta aos tratamentos.

Mais acima, você viu que nós colocamos a expressão “Sonhando alto” antes de falar sobre a construção de um grande banco de dados. É claro que é possível fazer isso, mas imaginar isso em uma escala global é um desafio é gigante – a SAP afirma que 26% das instituições atuais nem ao menos conseguem acesso às informações certas no momento em que precisam.

É por isso que não podemos esperar que os resultados sejam vistos nos próximos 10 ou 20 anos. O que se imagina é que instituições regionais ou especializadas em alguns temas acabem se organizando mais rapidamente.

Pé no chão! O que já é possível?

Como dissemos na introdução deste artigo, os smartwatches são gadgets que já permitem um controle bem interessante das condições de saúde em diversos casos. Mesclar essas capacidades com as que falamos sobre os bancos de dados pode ser uma excelente solução para a criação de grandes centrais de informações acerca de algumas condições comuns em todo o mundo – doença de Parkinson, acompanhamento de pessoas com Alzheimer, câncer de vários tipos.

Mais do que isso, também há uma série de possibilidades que foram trazidas com a expansão da internet e das grandes centrais de dados. Novamente citando a SAP, há várias formas de fazer com que a internet dos grandes volumes de dados (Big Data) seja usada para melhorar a forma com que nos relacionamos com a saúde em todo o mundo.

1. Reduzir taxas de readmissão

Um dos principais desafios que os hospitais precisam enfrentar está em reduzir o retorno dos pacientes. Isso é possível com o cruzamento de informações sobre as condições enfrentadas por cada um, algo que permite aos médicos instruírem seus pacientes e acompanhantes sobre possíveis efeitos de uma medicação ou sobre prováveis condições pós-cirurgia.

Indo além, os hospitais podem cruzar as informações do paciente com as do procedimento realizado para que possa fazer testes específicos. Por exemplo, existe a informação de que 12% dos pacientes que possuem sangue tipo AB e que fazem cirurgias do tipo X apresentam baixa nas plaquetas após o procedimento. Para que esperar que o paciente apresente algum sintoma se é possível fazer o teste com ele ainda no hospital?

2. Gerenciamento e campanhas preventivas

Isso é relativamente comum no Brasil. Sempre que chega a estação mais fria, o Ministério da Saúde lança campanhas para a vacinação contra a gripe – pois as condições climáticas e os hábitos da população contribuem para a proliferação da doença. Levando isso para outras situações, muito mais poderia ser feito com a utilização correta do Big Data.

Cruzando dados, médicos e instituições podem descobrir que existem muitas pessoas apresentando alguma condição em comum e que todas elas compartilham de algum hábito ou de uma faixa etária. Logo, não seria necessário esperar que mais casos aconteçam, uma vez que é possível lançar campanhas preventivas de diversos tipos – indo desde as vacinações até aconselhamentos sobre hábitos, por exemplo.

3. Melhorando a eficiência de tratamentos

Novamente falando sobre o cruzamento de dados, podemos citar os bancos de informações sobre pesquisas e tratamentos de câncer. Eles podem reunir uma enorme quantidade de dados sobre os mais diversos tipos de tumores e como eles agem em cada tipo de paciente. Também podem ser armazenados relatórios sobre como cada paciente reage em relação aos tratamentos, quais são efetivos e quais não são.

Logo, é possível entender que alguns tratamentos podem não ser efetivos contra algum perfil de paciente – estima-se que mais 50% dos tratamentos quimioterápicos não retornem resultados esperados pelos médicos. Isso permitiria que as instituições recomendassem tratamentos mais específicos para cada um. Levando isso para bancos de dados de análise genética com DNA e outras escalas moleculares, as possibilidades são ainda mais interessantes.

4. Testes e validações mais precisos

Se hoje nós precisamos de uma série de testes em tecidos vivos para a validação de medicamentos e tratamentos, é possível que no futuro isso seja modificado. Como em tudo o que mostramos até agora, estamos falando sobre o cruzamento de dados, mas desta vez farmacêuticos. Acredita-se que um um futuro não muito distante, será possível prever as reações dos tecidos a diversas substâncias e combinações antes mesmo as aplicações práticas.

Além de não demandar animais para os testes, esse tipo de pesquisa pode reduzir custos e fazer com que os processos sejam reduzidos em muito tempo. Isso tudo já começa a ser usado em universidades e em algumas indústrias, mas a expectativa está em permitir que isso seja levado também para a indústria farmacêutica.

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Você imaginava que a análise de dados pudesse ir tão além dos computadores comuns. Certamente, esse é mais um exemplo do quanto a tecnologia pode fazer com que a humanidade evolua a largos passos. Você consegue se lembrar de algum outro exemplo de como os dados Big Data podem melhorar as condições de saúde em todo o mundo?

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