Instagram pode dificultar a vida de quem teve a conta invadida. Entenda

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Quem não sabe que as redes sociais são as maiores vitrines do mundo? Hoje, é praticamente impossível encontrar uma empresa ou um prestador de serviços que não tenha um perfil em qualquer mídia social, e não faça postagens visando promover suas atividades, e para cada vez mais angariar admiradores e oportunidades de negócios.

Os detentores dos perfis realizam diariamente diversas postagens com fotografias sobre temas variados, às vezes gastando centenas de milhares de reais para promover sua personalidade ou suas marcas, e para terem visibilidade e estarem sempre em evidência, e com isso poderem concretizar mais negócios.

Falaremos especificamente do que está acontecendo com o Instagram, que tem se tornado uma das mais utilizadas ferramentas para promoção das atividades das empresas e de qualquer prestador de serviços — inclusive o meu. O problema é que agora, com a mudança no sistema de segurança de recuperação de contas, é praticamente impossível recuperar uma conta invadida porque todas as comunicações são feitas também com quem invadiu o perfil. É mole?

E como se sabe: quanto mais seguidores, quanto mais curtidas e interações com as postagens, mais prestígio e visibilidade aquele perfil terá e aparecerá mais vezes na timeline dos seguidores. O “robô” do Facebook entende que se as postagens têm muitas interações (curtidas e comentários), elas são relevantes para os usuários, portanto devem aparecer com mais frequência.

O que tem ocorrido é que as contas com muitos seguidores têm sido invadidas de diversas formas e se o usuário tentar recuperar a conta, pode ser que não consiga, e pior, a conta seja apagada. Isso porque, quando o invasor entra na conta, ele altera todos os dados de contato, e com isso, se o Facebook enviar qualquer tipo de comunicação para sua recuperação quem também vai receber? O invasor! Vejam que beleza! Que sistema seguro!

E mesmo que receba uma mensagem informando sobre uma tentativa de acesso à conta do Instagram através de um aparelho telefônico desconhecido e tente proteger sua conta, de nada adiantará porque como o invasor já modificou os e-mails e as senhas, o usuário já não tem mais controle da conta e não poderá barrar essa atitude. O Facebook envia as mensagens dizendo que “se não foi você quem fez as alterações, você pode proteger a conta clicando no link” que é enviado, porém, não são raras as vezes que esse link não funciona, ou seja, todas as ferramentas de “segurança” simplesmente não impedem a invasão da conta.

O usuário ainda pode (e deve) tentar recuperar a conta, utilizando todas as ferramentas de segurança para reverter a invasão, acessando a “Central de Ajuda” da rede social, e escolhendo a opção de conta invadida, que receberá todas as comunicações no idioma escolhido pelo invasor — que altera os dados das contas para o seu idioma.

Infelizmente, o sistema de segurança é péssimo, e mesmo que o usuário envie os dados que tem em seu poder e se submeta às rígidas regras, o Facebook ainda se nega a restabelecer o acesso, informando que “não havia sido possível comprovar que a conta era efetivamente do usuário”.

Em todos os casos em que tivemos acesso, foram raríssimas as oportunidades em que esses contatos surtem efeito, e o usuário perde o seu perfil, ou descobre que o perfil ainda estava ativo, mas que o nome do usuário foi trocado.

O invasor pode apagar ou não todas as fotografias postadas e deixar público ou privado o perfil, mas sempre manterá todos os seguidores porque é exatamente isso que importa: os seguidores dos perfis. Quanto mais, melhor porque as contas invadidas são disponibilizadas para venda. Infelizmente, tal situação ocorre com certa frequência, visto que as contas com muitos seguidores são facilmente vendidas no mercado clandestino por muitas centenas de dólares.

Não caia na bobagem de pagar para uma empresa “recuperar” a sua conta porque isso não existe. Até hoje não vi nenhum caso em que uma dessas “agências” conseguiram fazer isso. O que elas fazem — pode ser — negociar com o invasor para pagarem um determinado valor e dizerem que conseguiram a recuperação de forma técnica. O melhor é tomar as medidas judiciais o quanto antes para tentar reaver o controle. 

Porém, como eu havia dito lá em cima, o invasor recebe a mesma mensagem e impede que o controle seja retomado e em alguns casos apaga a conta e o Facebook não consegue reativar contas apagadas, e se isso ocorrer, o Facebook pode ser responsabilizado por todos os prejuízos, mas será preciso analisar cada caso isolado porque os serviços podem ter sido defeituosos, visto que todas as ferramentas de segurança podem ter falhado, em afronta aos incisos II e III do artigo 3 da lei nº 12.965/14¹, sendo aplicável ao caso o inciso VI² do mesmo artigo acima, pois só o réu é capaz de responder pelos insucessos de suas ferramentas de proteção.

Mantenha suas contas seguras e com autenticação de 2 fatores, mas se nada disso der certo e sua conta for invadida, não tente nenhuma fórmula milagrosa com o amigo do tio do seu vizinho que é sobrinho da vizinha da sua avó.

 ¹ Art. 3º A disciplina do uso da internet no Brasil tem os seguintes princípios: II — proteção da privacidade; III — proteção dos dados pessoais, na forma da lei;

² VI — responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades, nos termos da lei;

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Rofis Elias Filho, colunista do TecMundo, é geek e advogado, apaixonado por tecnologia desde pequeno. Foi o primeiro da rua a ter internet em casa, em 1994, e se especializou em Direito de Informática no Brasil e em Portugal. Hoje, é professor da mesma matéria em diversas instituições, tendo sido coordenador-executivo da Pós-Graduação da ESA/SP. É sócio do escritório Elias Filho Advogados, que advoga para diversas empresas de tecnologia no Brasil e no exterior.