O Clubhouse chegou ao Android, mas e agora?

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Imagem: Clubhouse (Divulgação)
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Qualquer um que acompanhe as novidades no mundo digital já ouviu falar sobre o Clubhouse no início do ano. O aplicativo só de áudio se popularizou rapidamente ao redor do mundo, mas apenas para quem tinha um iPhone, já que ele só foi disponibilizado para o sistema iOS. Agora, chegou a vez dos usuários de Android.

A pergunta é: será que a estratégia de separar o lançamento entre os usuários foi uma boa ideia? Daqui para a frente, o Clubhouse pode crescer e se consolidar, como também pode cair no esquecimento por ter perdido o momento certo de agir. Existem dois lados a se considerar.

Em primeiro lugar, a sensação de exclusividade foi muito trabalhada pelo app e surtiu alguns resultados, inclusive o buzz que fez todo mundo falar que queria conhecer. O Instagram fez o mesmo quando surgiu, em 2010, e, hoje, é uma das redes mais usadas no mundo, com 1 bilhão de usuários ativos mensais.

Por outro lado, a limitação impedia a maior parte das pessoas de participar. Em uma rede social, a quantidade de usuários é algo importantíssimo, uma vez que todo o conteúdo é criado e compartilhado entre o público. Alcance baixo significa pouco conteúdo, o que reverbera em falta de retenção, ou seja, o que atraiu tanta gente para o Clubhouse no começo não necessariamente os manteve lá.

Há ainda outro problema: o sucesso fez outras empresas correrem para seguir a onda, concorrendo diretamente com o aplicativo. O Twitter, por exemplo, estava trabalhando em salas de audiochamadas Spaces já em dezembro de 2020 e acabou acelerando os testes em função do hype do Clubhouse. Em março deste ano, os Spaces já estavam disponíveis para Android.

Isso lembra a ascensão e queda de nomes como Snapchat e Vine, que viram seus formatos serem reproduzidos e não conseguiram se manter acima dos concorrentes. Agora, a ideia de vídeos curtos já foi absorvida, e temos os stories no Instagram, Facebook, WhatsApp e Twitter — nenhuma exclusividade para o Snapchat, porém vale pontuar que o app trouxe novidades e cresceu em nichos específicos, mas isso é conversa para outro artigo.

Portanto, esses são os dois caminhos possíveis para o Clubhouse a partir de agora. Resta observar como será a atuação da plataforma para chegar mais perto do primeiro cenário. Algumas estratégias bem interessantes podem ser utilizadas para “requentar” a novidade, uma das utilizadas pelo próprio Clubhouse é o programa de pagamento a produtores de conteúdo como o YouTube, por exemplo. Outra alternativa é por meio de influenciadores, que tiveram grande impacto na reputação do aplicativo inicialmente.

O fato é que o marketing é essencial para não deixar a peteca cair. Com a entrada dos usuários do sistema Android, vamos ver o que o Clubhouse está preparando para se tornar uma rede social tão relevante quanto já se mostrou capaz de ser.

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André Palis, colunista do TecMundo, trabalhava no Google antes de empreender. Fundou a Raccoon em 2013, em São Carlos, importante polo de tecnologia do Estado de São Paulo, e em 8 anos adquiriu a carteira de grandes players do mercado, como Vivara, Natura, Leroy Merlin e Nubank. Em 2013, notou um gap no mercado digital, pediu demissão da Google e, ao lado de Marco Túlio Kehdi, fundou a Raccoon, uma agência full service que atua como parceira estratégica em toda a cadeia digital. Em 2021, a Raccoon passou por um processo de fusão e agora faz parte da holding global S4 Capital.

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