A velha máxima “se o produto for de graça, você é o produto” é lembrada com frequência quando o assunto são as redes sociais. O Facebook não cobra pelo acesso dos seus usuários, mas mantém a lucratividade em alta ao utilizar as informações publicadas por lá para veicular propaganda direcionada a você.

No entanto, não é bem isso o que a empresa acha do seu produto. Em mais uma postagem da coluna “Hard Questions”, criada pelo Facebook como forma de se posicionar em relação às críticas que envolveram a rede social nos últimos meses, Rob Goldman, vice-presidente de anúncios da companhia, respondeu a uma pergunta sobre o assunto.

“Se eu não estou pagando pelo Facebook, eu sou produto?”, diz a pergunta. A resposta de Goldman é direta: “Não. Nosso produto é a mídia social — a habilidade de se conectar com as pessoas que são importantes para você, não importa em que lugar do mundo elas estejam. É o mesmo que acontece com uma ferramenta de buscas gratuita, um website ou um jornal. O produto principal é ler as notícias ou procurar por informação — e os anúncios existem para financiar essa experiência”.

Mas será que é isso mesmo?

Pois é, o Facebook não foi nada sutil na indireta e aproveitou para jogar o Google e praticamente todos os serviços gratuitos da internet nessa fogueira. No final das contas, é fato que a maioria dos exemplos citados realmente sobrevive financeiramente através da exibição de anúncios, mas existe uma diferença abissal na quantidade de informações coletadas para tanto.

A atenção dada ao escândalo da Cambridge Analytica incentivou muitos usuários a usarem a ferramenta disponibilizada pela rede social para baixar os dados que ela guarda sobre você. Muita gente ficou assustada ao descobrir que a empresa tinha acesso a informações como ligações feitas em celulares com Android, lista com todos os telefones dos seus contatos e a sua posição geográfica nos momentos em que fez login na rede.

Mão segurando smartphone.

Um estudo feito pelo AdGuard Research também mostrou que o Facebook coleta os dados de 41% dos principais aplicativos para Android, com detalhes como marca e modelo do aparelho utilizado, endereço IP e, em alguns casos, até mesmo o histórico de compras dentro do programa.

Nem é preciso dizer que isso é muito mais do que um site que simplesmente veicula anúncios sabe sobre seus usuários. Poucas companhias no mundo têm acesso a quantidade de informação que o Facebook tem sobre não apenas as pessoas com perfil cadastrado por lá, mas qualquer um que utilize um dos aplicativos citados na pesquisa ou mesmo entre em qualquer um dos vários sites com botões de compartilhamento da rede. Foram até criadas maneiras de tentar contornar essa situação.

No texto, a empresa também tem uma resposta para justificar esse fato. Goldman diz que o Facebook precisa dessas informações “para oferecer um serviço melhor”, mostrando postagens das pessoas mais próximas de você primeiro, por exemplo, ou exibindo anúncios de um café que você poderia visitar. É uma maneira possível de ver o funcionamento da rede social, mas ela também entrega como os verdadeiros clientes da empresa são os anunciantes, não os usuários.

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