O escândalo de privacidade envolvendo Facebook e Cambridge Analytica ganhou um novo capitulo no último final de semana, quando Tim Cook, o presidente da Apple, teceu comentários criticando o acesso indevido a dados pessoais de 50 milhões de cidadãos dos Estados Unidos.

Na tentativa de ressaltar um diferencial entre a sua empresa e as rivais Google e Facebook, Cook destacou que a Apple sempre se preocupou com a privacidade de seus usuários. Ele reforçou ainda que a Maçã jamais comercializou dados privados de seus clientes com terceiros, uma crítica direta ao modelo de negócios das duas gigantes da internet.

Sem meias palavras, porém, Mark Zuckerberg foi à baila, defendeu o seu próprio produto e fez críticas tanto à fala de Cook quanto ao modelo de negócio da Apple. Em conversa com o podcast do Vox, o criador e presidente do Facebook afirmou que o modelo baseado em anúncios “é o único modelo racional” capaz de manter funcionando um serviço feito para ser usado por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo.

Mark ZuckerbergMark Zuckerberg afirmou que coloca os interesses da comunidade como primários para tomar decisões dentro do Facebook.

Ele falou ainda ser importante fugirmos da “Síndrome de Estocolmo”, que é quando uma vítima se apaixona por seus sequestradores. Foi assim que ele definiu a relação entre os clientes e as empresas “que trabalham duro para cobrar mais e convencê-lo de que se preocupam mais com você”, numa referência aos preços nada convidativos praticados pela Apple.

Enfim, afirmar que uma empresa se preocupa mais com os clientes porque cobra mais caro "soa ridículo", finalizou Zuckerberg.

Confira a fala de Mark Zuckerberg na íntegra:

Sabe, eu penso que esse argumento, de que, se você não está pagando por algo, então não nos preocupamos com você, é extremamente simplista. E não é de todo alinhado com a verdade. A realidade, aqui, é que se você quer construir um serviço para conectar todos pelo mundo, então muita gente não será capaz de pagar. Portanto, como é o caso de muitas mídias, um modelo baseado em publicidade é o único racional e capaz de sustentar a construção desse serviço para alcançar as pessoas.

Isso não significa que nós não estamos focados primariamente em servir a pessoas. Penso, provavelmente para a insatisfação de nosso time de vendas, que eu tomo todas as nossas decisões com base no que terá importância para a nossa comunidade e com menos foco no lado de publicidade dos negócios.

Mas se você quer criar um serviço que não servirá apenas aos ricos, então é preciso ter algo pelo qual as pessoas possam pagar. Creio que [o fundador e presidente da Amazon] Jeff Bezos fez uma fala excelente sobre isso no lançamento de um Kindle há alguns anos. Ele disse “há companhias que trabalham duro para cobrar mais de você e há companhias que trabalham duro para cobrar menos”. E, no Facebook, nós estamos no campo das empresas que trabalham duro para cobrar menos de você e oferecer um serviço que todos possam utilizar.

Não acredito que isso signifique que não nos importamos com as pessoas. Ao contrário, creio ser importante não termos Síndrome de Estocolmo e [com isso] deixarmos as companhias que trabalham duro para cobrar mais convencerem você de que elas, de fato, se preocupam contigo. Porque isso soa ridículo para mim.

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