Uma pesquisa realizada nos EUA pela Associated Press (AP) em conjunto com o Instituto Norte-americano de Imprensa constatou que, na maior parte dos casos, acreditar ou não em uma notícia postada em redes sociais como o Facebook tem mais a ver com quem fez o compartilhamento do que com a fonte original.

O estudo foi realizado entre novembro e dezembro de 2016 com quase 1,5 mil pessoas e colocou usuários de redes sociais em várias situações hipotéticas. Em todas elas, entretanto, os pesquisados tiveram que analisar uma notícia verídica publicada pela AP ou um texto idêntico, mas publicado por um veículo fictício chamado DailyNewsReview.com.

As pessoas fizeram a análise a partir de postagens em um site social bem ao "estilo Facebook", onde todos os posts eram feitos por pessoas famosas que os usuários tinham marcado anteriormente como confiáveis e não confiáveis.

O resultado

Nessa situação, 50% das pessoas disseram que a matéria tinha reportado os fatos de forma correta e verdadeira quando ela foi compartilhada na rede social por uma pessoa famosa em quem elas confiavam. Em contraponto, apenas 35% consideraram o mesmo texto como verdadeiro quando a postagem havia sido feita por uma personalidade não digna de confiança. Os resultados foram praticamente os mesmos quando os pesquisadores perguntaram aos grupos se eles achavam que o texto tinha sido bem escrito.

Todas as postagens, independente de quem compartilhava, vinham com a marcação da fonte original

Vale destacar que todas as postagens, independente de quem compartilhava, vinham com a marcação da fonte original, sendo 50% dos casos “AP” e 50% “DailyNewsReview.com”. No geral, a origem da notícia fez pouca diferença na percepção dos pesquisados.

Considerando somente os posts originados da notícia da AP — uma agência de notícias legítima e mundialmente conhecida —, 52% dos envolvidos acreditaram que aquilo era verdade quando o compartilhamento tinha sido feito por uma pessoa considerada confiável. Quando o texto da AP era enviado para a rede social por personalidades não dignas de confiança, a taxa de pessoas que acreditaram naqueles fatos foi de apenas 32%.

Vale destacar que o texto em análise era referente a uma descoberta científica relacionada a diabetes. Ou seja, não tinha absolutamente nada a ver com política ou outros assuntos que poderiam dividir pessoas de acordo com opiniões já formadas.

Influenciadores

Dessa forma, os pesquisadores constataram que, além de influenciarem fortemente no que nós lemos nas redes sociais, as pessoas que fazem os compartilhamentos também influenciam na forma como consumimos esses conteúdos. Infelizmente, não foram levados em consideração “compartilhadores anônimos”, como amigos e familiares dos participantes.

O estudo foi feito para analisar como a disseminação de notícias falsas acontece em redes sociais. Vale ressaltar inclusive que, recentemente, o Facebook começou a permitir que os usuários marquem determinadas postagens como falsas para que elas passem por análises de especialistas. Contudo, mesmo depois de constatada e sinalizada a inveracidade da publicação, o Facebook não pretende remover a publicação da linha do tempo das pessoas.