Durante o Qualcomm Uplinq 2014, que aconteceu na cidade de São Francisco, tivemos a oportunidade de acompanhar uma série de discussões sobre os produtos da empresa e também sobre o futuro da tecnologia.

Como não poderia deixar de ser, um dos tópicos que mais estão em evidência são os “wearables”, ou simplesmente dispositivos vestíveis. Uma série de personalidades ligadas à indústria participou da discussão e indicou qual será o futuro dessa tecnologia.

Entre elas estavam David Garver, vice-presidente de negócios e desenvolvimento da AT&T, Tom Essery, vice-presidente de desenvolvimento digital da Timex, Jonathan Peachey, CEO da Flip Technologies, e Rob Chandhok, vice-presidente da Qualcomm.

A benção da Apple

Uma das novidades que mais animou os participantes foi o lançamento do Apple Watch. Segundo eles, a presença da Apple no setor é importante para legitimar os smartwatches. Isso significa que se uma empresa do porte dela entrou, é porque tem futuro. Logo, será excelente para a Qualcomm, que está presente na maioria dos smartphones e outros dispositivos hoje em dia.

O crescimento do setor também indica que cada vez mais esses produtos estão ganhando identidade própria. Se no início eles eram apenas complementos para os smartphones, agora eles já conquistaram o seu espaço e fazem cada vez mais parte do sistema. E isso deverá se estender além dos relógios inteligentes, pois novas categorias de produtos devem chegar ao mercado.

Esses novos produtos também poderão trazer funções inéditas para o nosso dia a dia, e um dos exemplos disso é o controle dos filhos. Crianças gostam de relógios e, através de dispositivos inteligentes, seus pais poderão saber o que elas estão fazendo ou onde estão, por exemplo. O smartwatch do filho pode mandar uma mensagem para o smartwatch do pai avisando que a criança já chegou da aula ou está na casa de um amigo.

Muito além de relógios inteligentes

Ter relógios inteligentes é só o primeiro passo. Além deles, os especialistas da indústria esperam que a tecnologia alcance produtos como calçados, chapéus, roupas e outros acessórios, como joias, brincos, colares e tudo o que possa ser utilizado no corpo.

Esses produtos vão poder carregar uma série de sensores inteligentes registrando tudo o que você fizer durante o dia: monitorar a sua saúde, tempo gasto com exercícios e muito mais. Um brinco poderia vibrar e avisar que chegaram mensagens no Facebook ou no WhatsApp, por exemplo.

Porém, para que tudo isso possa se tornar realidade, ainda é preciso investir em novas tecnologias de baterias e telas. Afinal de contas, não seria muito prático ter um brinco com sensores se eles precisassem ser recarregados o tempo todo. As pessoas aceitam carregar um smartphone todas as noites, mas para a maioria dos wearables, isso seria inadmissível e prejudicaria a experiência de uso.

Os óculus inteligentes estão chegando com tudo.

Segundo Jonathan Peachey, antes de encontrar o que realmente os consumidores querem, é preciso testar muito: meses e até anos são investidos em pesquisa e desenvolvimento antes que um produto finalmente chegue ao mercado.

De acordo com ele, é preciso reinventar os dispositivos. Não basta incluir no smartwatch as mesmas funções dos smartphones. O relógio precisa ser realmente inteligente, fazer a diferença e se tornar relevante para o consumidor. Grande parte disso está na simplicidade e na forma com que as pessoas encaram os produtos. Se for natural, será adotado. Caso contrário, não.

Peachey citou como exemplo a notificação de mensagens dos smartwatches: “Onde é o começo e o fim da tarefa de um smartwatch? [somente] Mostrar a mensagem ou mostrar e permitir a resposta imediata a partir dele?”. O que ele quer dizer com isso é que é preciso estudar o modo como esses dispositivos se comportam antes de investir em novos recursos.

Isso também significa que produtos diferentes têm aplicações diferentes. Por mais que um smartwatch sirva para mandar/receber mensagens ou notificações, seria impossível ver um filme nele devido ao tamanho da tela. Por isso, eles são produtos complementares, e não substitutos.

A ideia é que no futuro tudo seja conectado. Você entra no seu carro e não precisa mexer no celular, pois o veículo já detecta o dispositivo. Sua casa vai reconhecer suas atividades diárias e tudo será mais automatizado e conectado.

Isso abre uma série de oportunidades para pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, inclusive na área da medicina. Um paciente que sofre de diabetes poderá ter um sensor conectado ao seu corpo o tempo todo, e este poderá entrar em contato com o médico automaticamente caso algum alerta seja disparado.

O TecMundo viajou para São Francisco a convite da Qualcomm.

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