Quem nunca se decepcionou ao ver uma fotografia mediana de um lugar que parecia tão lindo ao vivo? Isso acontece bastante, principalmente por que a beleza de uma paisagem é muito difícil de ser passada para uma imagem estática, já que ela envolve muito mais do que apenas o visual bonito. Porém, algumas técnicas simples podem ajudar na hora de escolher como fazer a fotografia.

O que faz uma fotografia de paisagem se destacar? (Fonte da imagem: Cuba Gallery)

Dentre vários fatores que determinam se uma foto é boa ou não, para a fotografia de paisagens existem três deles que são essenciais: um bom enquadramento, o fator surpresa e um tratamento final que valorize mais a imagem.

Recortando a paisagem

Um dos principais motivos por que as imagens de paisagem não ficam tão bonitas como quando são vistas pessoalmente é que, quando recortamos a vista dentro de uma fotografia, limitamos o olhar das pessoas para uma parte apenas do que estávamos vendo. É por isso que saber escolher bem os pontos de recorte é essencial.

Lembre-se sempre da regra dos terços quando for fotografar uma paisagem, isso ajuda na hora de escolher o que fotografar, qual enquadramento fazer e o que deixar de fora. Veja se você quer mostrar mais o céu ou não, incline a câmera, experimente novos pontos de vista.

Não pense na paisagem como você está vendo, pois na câmera ela ficará bem diferente. Uma dica é observar a paisagem diretamente no visor, para que se tenha uma ideia mais clara de como o resultado final ficará.

Uma fotografia de paisagem simples não tem muitos atrativos e, por isso, ela deve conter algo que chame a atenção. O enquadramento ajuda nisso, já que ele indica o que é importante e o que vale a pena ser olhado. Relembre um pouco da regra dos terços neste artigo e veja como usar as linhas retas e curvas ao seu favor para enriquecer as suas imagens.

Use as curvas da paisagem a seu favor (Fonte da imagem: Cuba Gallery)

Uma dica: para saber quanto do céu você vai pegar, leve em conta dois fatores, as nuvens e a proposta. Um céu com nuvens grandes e aparentes ganha destaque posteriormente na hora da edição final e não deixa a imagem “lavada”. Porém, em alguns casos, o céu completamente limpo pode ficar bom, dependendo da proposta. Em uma imagem desértica, por exemplo, ele passa a ideia de infinito, o que pode contribuir com o propósito da foto.

Surpreenda o olhar

Esse passo é, sem dúvidas, o mais importante. É o elemento surpresa que vai impactar e chamar a atenção de quem for ver a sua fotografia. Não existe uma lista com objetos e efeitos que você deve usar para causar isso, mas é só pensar que algo na imagem precisa surpreender.

O contraste das flores com a neve ao fundo pode ser considerado um elemento de destaque (Fonte da imagem: Cuba Gallery)

O seu elemento surpresa pode ser uma iluminação pouco usual, a neblina, uma onda no mar, linhas retas ou curvas, um objeto ou planta diferenciado, o arranjo das nuvens no céu, uma coloração impactante, um lens flare etc... Não importa o que for, a atenção precisa ser capturada para que a fotografia se torne chamativa.

Você pode utilizar a regra dos terços e o enquadramento para capturar esse elemento de destaque e deixá-lo mais visível, além do que, ele não precisa ser nada palpável. O que não pode acontecer é a fotografia ficar monótona, lavada. Na hora que você está vendo, é possível ver detalhes, árvores interessantes, cores diferentes, mas a câmera tende na “chapar” isso tudo, esconder os menores detalhes e unificar as cores.

Use a luz natural para transformar paisagens simples e imagens chamativas (Fonte da imagem: Cuba Gallery)

Não quer dizer que você não possa bater uma fotografia simples, mas se a paisagem não possuir muitos atrativos, tente arrumar isso com o enquadramento e com o ângulo de visão. Outro fator importantíssimo é o horário. As melhores fotos de paisagem são feitas não quando o sol está alto, mas nos extremos do dia.

Desse modo, acorde cedo, explore o ambiente, caminhe bastante para descobrir os melhores pontos de vista e algumas surpresas no caminho. É claro que é possível fotografar uma paisagem que você está vendo pela primeira vez, mas quanto mais familiarizado você estiver com o ambiente, melhor você poderá capturá-lo.

O elemento surpresa do qual nós tanto falamos aqui pode ser, inclusive, uma alteração na profundidade de campo. Se engana quem acha que fotografias de paisagem precisam ter uma profundidade de campo enorme.

Brinque com a profundidade de campo para criar imagens incríveis (Fonte da imagem: Cuba Gallery)

É claro que isso não é tão perceptível como em uma foto macro, mas é possível brincar com esse efeito, sim. Mexa manualmente nos valores da abertura do diafragma para desfocar levemente o fundo ou os elementos mais próximos da foto.

O toque final

Existem dois ajustes que podem fazer toda a diferença em uma fotografia de paisagem: as cores seletivas e os níveis. Neste artigo nós falamos um pouco sobre as duas ferramentas, porém existem muitas possibilidades que podem ser exploradas além do que foi comentado, principalmente no ajuste de cores.

Ferramenta de cores seletivas (Fonte da imagem: Baixaki)

Abra a imagem no Photoshop e vá em Image > Adjustments > Selective Colors. Essa ferramenta é ótima, pois ela mexe separadamente com cada canal de cores da foto. Isto é, você tem muito mais controle sobre cada parte da imagem, sem precisar alterar a sua coloração por inteiro.

Escolha um canal entre os nove disponíveis: “Reds” (vermelhos), “Yellows” (amarelos), “Greens” (verdes), “Cyans” (cianos, os azuis mais claros), “Blues” (azuis mais escuros e fechados), “Magentas” (tons de rosa), “Whites” (brancos, as áreas claras da foto), “Neutrals” (tons neutros) e “Blacks” (pretos, as áreas mais escuras da foto).

Os seis primeiros canais mexem apenas nas partes da foto que contêm as suas cores. Você pode então balancear cada tom, adicionando mais amarelo ou ciano, ou retirando esses tons, por exemplo. Brinque um pouco com a ferramenta para entender como a alteração tem efeito. Resumidamente, funciona assim: cada canal de cor da foto possui em si todas as outras cores e cabe a você escolher a quantidade de cada uma dessas cores em cada canal.

Editar as cores seletivas já valoriza bastante a imagem (Fonte da imagem: Fotografia por Niamor83 e edição por Ana Nemes)

Já os três últimos canais devem ser alterados com muito cuidado, pois eles mexem em toda a imagem. Os brancos são as partes claras da imagem, os neutros são os tons médios e os pretos são as sombras. Nesses três canais, procure alterar apenas o último controle deslizante, “Blacks” (sem confundir com o canal “Blacks”, controle de mesmo nome), para escurecer ou clarear a foto. É algo parecido com o ajuste de níveis, porém mais focado nas cores e não na iluminação.

Se ainda for preciso, abra o controle de níveis (“Levels”) pressionando Ctrl + L no teclado e faça os demais ajustes que forem necessários. Em imagens de paisagem, na maior parte dos casos, esses dois ajustes já são suficientes. Existem casos, no entanto, nos quais você ainda pode usar a ferramenta de corte (“Crop”) para recortar a imagem, enquadrando novamente a paisagem, como é possível ver na imagem a seguir:

A edição e o crop podem valorizar a sua fotografia de paisagem (Fonte da imagem: Fotografia por Rick Smith e edição por Ana Nemes)

Em geral, esses três ajustes simples no Photoshop devem bastar para destacar os elementos da imagem e deixá-la mais atrativa, porém você sempre pode usar outras ferramentas e filtros da sua preferência, de acordo com a proposta da foto.

Ao unir um bom enquadramento e elementos surpresas a uma edição final leve, as chances de que a sua fotografia de paisagem se torne muito mais do que apenas um registro simples do que foi visto são muito maiores. Exercite o seu olhar sempre e, se possível, carregue uma câmera (pode ser compacta ou mesmo de celular) com você o tempo inteiro, para não deixar passar uma oportunidade que renderia uma ótima foto.

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