Arábia Saudita planeja smart city com 170 km livre de carros

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Uma nova cidade sem via alguma para automóveis. Acha impossível no século 21, ainda mais com os avanços alcançados pelo setor de veículos elétricos? Mohammed bin Salman, príncipe da Arábia Saudita, discorda – e já tem planos para concretizar essa ideia. Também uma das pessoas mais ricas do planeta, ele prometeu construir uma rede de smart cities chamada The Line, trazendo à luz "futuras comunidades hiperconectadas" livres de carros.

O anúncio faz parte do projeto NEOM, com subsídios de "apenas" US$ 500 bilhões. De acordo com bin Salman, trânsito ultrarrápido, soluções autônomas e um traçado que garante acesso a instalações básicas em distâncias de no máximo cinco minutos de caminhada farão parte do empreendimento, a exemplo de escolas e clínicas médicas.

Além disso, organizadores envolvidos, em comunicado à imprensa, declararam que 20 minutos de duração será o limite para qualquer viagem.

Com cerca de 170 km de extensão, espera-se que 1 milhão de pessoas vivam na The Line, alimentada por energia 100% limpa, voltada à natureza e cuja superfície será totalmente dedicada a pedestres, enquanto camadas adicionais para infraestrutura e transporte ficarão "escondidas" sob o solo.

Inteligência artificial, por sua vez, é que monitorará a região, baseada em coleta de dados constante e modelos preditivos voltados ao aprimoramento do dia a dia dos residentes.

A construção está prevista para ser iniciada ainda no primeiro trimestre de 2021 e foi incluída nos planos do Saudi Vision 2030, que pretende gerar 380 mil empregos e US$ 48 bilhões de produto interno bruto para o país.

Mohammed bin Salman, príncipe da Arábia Saudita.Mohammed bin Salman, príncipe da Arábia Saudita.Fonte:  Reprodução 

Existem "poréns"

Apesar de surpreendente, a The Line não está livre de controvérsias. Segundo o The Guardian, a região na qual se pretende erguê-la é atualmente ocupada pela tribo Huwaitat, que, inclusive, já pediu ajuda às Nações Unidas para frear despejos forçados e abusos de autoridades sauditas.

Entre os diversos fatos a respeito do cenário, Abdul Rahim al-Huwaiti, membro da comunidade, foi morto por forças de segurança locais no ano passado após divulgar um vídeo em que explicava a situação. De acordo com o Governo, ele teria reagido a uma abordagem. Homossexualidade, por enquanto, é ilegal no país, e mulheres possuem direitos altamente restritos. Há, também, um longo histórico de violações a direitos humanos por lá.

Só para se ter uma ideia, comentaristas e fãs de esportes forçaram a Riot Games, desenvolvedora por trás de League of Legends e Valorant, a abandonar um acordo de patrocínio que seria firmado com o NEOM no League of Legends European Championship (LEC), se dizendo decepcionados com a parceria.

Riot Games teve de abandonar patrocínio de projeto saudita devido a protestos da comunidade de jogos.Riot Games teve de abandonar patrocínio de projeto saudita devido a protestos da comunidade de jogos.Fonte:  Reprodução 

Quanto à iniciativa, não se trata da primeira tentativa no mundo de estabelecimento de algo do tipo, estando entre os exemplos a metrópole Songdo, em Seul, e o bairro de Quayside, em Toronto (abandonado pela Sidewalk Labs, uma empresa pertencente à Google Alphabet, devido à incerteza econômica sem precedentes gerada pela pandemia).

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