É difícil para aqueles que gostam de carros convencionais aceitarem o fato de que os elétricos estão prestes a aposentar o rico e estimado suco de dinossauros que alimentam nossos veículos hoje.

Alguns, inclusive, tentam de todas as formas colocar os automóveis movidos a eletricidade em descrédito, mas não tomam o cuidado necessário antes de propagar as informações por aí. Então é hora de desmistificar ou confirmar alguns fatos a respeito dos carros elétricos.

Vale lembrar que, sim, estamos falando de outros países e, sim, nós sabemos que isso pode demorar bastante para se tornar uma realidade aqui no Brasil.

Um bom começo é falar sobre a fonte da eletricidade que vai alimentar esses carros: sim, é fato que na América do Norte e na Europa a maioria das usinas de geração de energia são termelétricas e/ou nucleares, mas isso não significa que o carro elétrico seja tão poluente quanto um a combustão.

Isso porque, proporcionalmente, os veículos elétricos são bem mais eficientes, e o argumento da “sujeira na fonte” depende (e muito!) do lugar onde você vive. Um exemplo é o estudo divulgado pela CityLab, que mostra que se você vive em estados no oeste dos Estados Unidos, os carros elétricos são potencialmente mais limpos e baratos. Mais ao leste, por exemplo, a coisa muda de figura.

Com a popularização de fontes de energia alternativa e renovável – uma empreitada que a Tesla vem levando muito a sério e que várias cidades estão adotando como padrão –, a expectativa é que a demanda seja cada vez menos direcionada à rede normal de energia. Elon Musk detalhou bastante isso em um documento, se você estiver com disposição para ler e não repetir o argumento de que “elétricos poluem na fonte”.

Outro argumento bastante usado contra os veículos elétricos se refere à bateria: o processo produtivo, segundo alguns críticos, envolve níveis obscenos de CO2: a geração de carbono seria equivalente a oito anos de direção de um carro movido a gasolina. Só tem um detalhe: quem fez o comparativo não incluiu a emissão do processo de extração, refino e transporte do combustível – o que torna a comparação no mínimo injusta.

A informação, inclusive, faz parte de um filme financiado pelos irmãos Koch, chamado “Os Segredos Sujos dos Carros Elétricos” – mas é apenas uma das várias que são deturpadas. Ainda assim, fábricas de baterias para carros elétricos, como é o caso da Gigafactory da Tesla, são alimentadas por energia renovável – e mesmo as que não são poluem menos que todo o processo envolvido no combustível normal.

Sobre o uso das baterias pós-vida no carro, muitas companhias já têm projetos para que elas sirvam como unidades de armazenamento doméstico mais em conta, o que estende consideravelmente a vida útil do produto.

Postos de recarga em um centro dedicado na Noruega

A parte da infraestrutura é um fato inegável aqui no Brasil: são pouquíssimas cidades que contam com pontos de recarga para veículos elétricos e não há um “corredor elétrico” que torne viável se ter um carro movido a eletricidade sem se preocupar em ficar na rua.

A tendência, no entanto, é que isso mude rápido: em várias regiões dos Estados Unidos, da Europa e da Oceania já existem inúmeras estruturas que permitem que você praticamente cruze o país com um VE.

A rede elétrica, apesar de também correr riscos, pode ser poupada: veículos elétricos podem ser programados para ser recarregados ao longo de um determinado período, evitando picos de demanda caso todos os donos resolvam ligar seus carros ao mesmo tempo na tomada – um desafio um pouco menos complexo do que, por exemplo, picos gerados por uso de ar-condicionado ou até mesmo quando as TVs de plasma começaram a se popularizar.

Por fim, existe o argumento de que os veículos elétricos não tem graça porque não fazem barulho. Embora um motor a combustão realmente soe melhor em diversas situações, um carro (ou moto) elétrico pode ser tão divertido de conduzir quanto qualquer outro.

E aí, qual é o seu grande ponto a favor ou contra os veículos elétricos? Deixe seu comentário!