No dia 30 de junho, a Xiaomi chegou ao Brasil com força total. Além de trazer para cá o Redmi 2, smartphone intermediário que ostenta um custo-benefício absurdo, a marca chinesa também anunciou que passará a vender em breve sua pulseira inteligente Mi Band em terras tupiniquins – e ela custará módicos R$ 95.

Com esse preço, a smartband se consagra como o dispositivo vestível mais barato do mercado brasileiro. Fica claro que a Xiaomi pretende continuar apostando na mesma estratégia agressiva utilizada em países estrangeiros: nos Estados Unidos, por exemplo, o produto pode ser adquirido por apenas US$ 15 (cerca de R$ 52 na cotação atual). Mas, afinal, será que um aparelho tão barato assim possui uma qualidade satisfatória para o consumidor?

O redator que lhe escreve não aguentou esperar e começou a testar a Mi Band desde o momento em que a marca revelou que traria o produto para cá. O mercado de wearables ainda está engatinhando no Brasil e enfrenta dificuldades para se estabelecer aqui. Logo, a Xiaomi enfrentará uma árdua jornada para fazer o dispositivo vingar no país. Confira nossa análise completa e descubra se vale ou não a pena investir seu dinheiro em uma Mi Band.

Design e construção

Logo de cara, a Mi Band chama atenção por conta de seu visual caprichado. Além de ser bastante elegante, o wearable é um tanto discreto e passa despercebido no pulso do usuário (falando do bracelete-padrão, de cor preta), lembrando um pouco aquelas pulseirinhas power balance que fizeram bastante sucesso entre os adolescentes lá por volta de 2007. Quem não entende muito de tecnologia vai custar a acreditar que aquilo que você está vestindo é um dispositivo eletrônico.

Como a grande maioria das smartbands disponíveis no mercado, a Mi Band é composta por duas peças distintas. A primeira é o bracelete, que nada mais é do que uma tira de TPSiV (elastómero termoplástico, um material elástico, borrachudo, antibacteriano e antialérgico) que pode ser ajustada através de um fecho de metal. O comprimento mínimo é de 157 mm e o máximo é de 205 mm.

O outro componente é o sensor em si – um pequenino núcleo construído em policarbonato com uma superfície de liga de alumínio dotado de três pequenas luzes LED multicoloridas. Essa peça deve ser inserida no compartimento dedicado presente no bracelete.

Recursos fitness

A Mi Band é compatível com qualquer dispositivo móvel equipado com Android (4.3 ou superior) ou iOS (7.0 ou superior). Para ativar a pulseira, você precisa baixar o Mi Fit, aplicativo gratuito disponível para ambos os sistemas operacionais, e fazer login utilizando sua conta Mi. É nela que ficarão armazenados todos os dados registrados pela smartband e eventuais configurações que você fizer no dispositivo.

Como outros rastreadores fitness, o produto da Xiaomi é capaz de identificar quantos passos você dá, quantas calorias você queimou ao longo do dia, quantos quilômetros percorreu e como anda a qualidade de seu sono (ela identifica automaticamente quando você dorme e desperta). Através do app citado, você acompanha em tempo real todas essas informações, conseguindo até mesmo saber quanto tempo durou seu sono profundo e sono leve.

O Mi Fit extrai tais dados automaticamente no mesmo instante em que você o abre. A interface do programa é caprichada e fácil de entender, estando totalmente adaptada para o português brasileiro. Ele também mantém um histórico detalhado mostrando as atividades físicas que você fez na última semana, mês, ano e assim por diante. Tudo muito intuitivo e com um visual bastante clean.

Ressaltamos também que o usuário da Mi Band consegue programar uma meta diária de passos (que, por padrão, é de 8 mil) para se manter saudável utilizando o wearable. Nesse caso, as três luzes LED servem como um indicativo para informar o quão longe você está de atingir seu objetivo – basta trazer o braço para perto de seu rosto (como se estivesse olhando as horas em um relógio) para que elas se acendam.

O que pode decepcionar algumas pessoas é a falta de suporte para outras atividades físicas além de caminhada e corrida. A Mi Band não é útil, por exemplo, para quem gosta de praticar ciclismo, já que ela não possui sensores mais elaborados para rastrear esse tipo de esporte (GPS). Também faltou um leitor de batimentos cardíacos e um altímetro para que a pulseira possa detectar a subida de degraus. Naturalmente, essas funções elevariam bastante o custo final do produto, então é fácil entender porque a Xiaomi resolveu mantê-las de fora.

Alarmes e notificações: indo além do básico

Mas não pense que a Mi Band serve apenas para você descobrir quantos passos você precisa dar para chegar na padaria da esquina – mesmo se você não se importar com tais recursos fitness, a pulseira ainda assim se mostra útil por conta de outras funcionalidades que ela possui. Uma delas é a de despertador: é possível configurar até três alarmes que farão a pulseira vibrar em seu pulso mesmo se ela estiver longe do celular.

O mais interessante é que o wearable consegue identificar quando seu sono está leve para acordar você com até trinta minutos de antecedência ao que foi programado; dessa forma, você desperta com mais ânimo e disposição. Acredite: essa função faz toda a diferença e é sim capaz de tornar suas manhãs ainda mais agradáveis. É possível desativar tal recurso caso você deseje, mas recomendamos que o consumidor ao menos dê uma chance para essa tecnologia.

O wearable consegue identificar quando seu sono está leve para acordar você com até trinta minutos de antecedência ao que foi programado.

Já no campo das notificações, a Mi Band – por enquanto – só pode ser configurada para avisar o usuário caso seu celular esteja recebendo uma ligação telefônica ou mensagem SMS. Há duas formas de usar a pulseira para receber avisos de outros aplicativos, como WhatsApp e Gmail: a primeira envolve usar programas de terceiros, como o Mi Band Tools, o Mi Band Notify e o Mi Band Notifier.

O segundo truque envolve baixar a loja de apps Xiaomi Market (acesse http://m.app.mi.com/ pelo seu dispositivo e clique no botão verde para adquirir o APK) e tocar no menu “More”. Na lista de aplicativos instalados, você verá que há uma atualização disponível para o Mi Fit. Caso adquira tal update pela Xiaomi Market, você terá acesso à versão chinesa do software, que conta nativamente com recursos para ativar notificações de outros serviços.

Não entendemos ao certo por que a Xiaomi resolveu manter esse recurso limitado ao público chinês – é bem provável que a companhia planeje liberar a funcionalidade aos poucos, já que vibrar o aparelho o tempo todo (sempre que você recebe um email ou uma mensagem no WhatsApp, por exemplo) pode drenar sua bateria rapidamente, o que elimina um dos pontos mais fortes do produto (falaremos mais sobre isso a seguir).

Desbloqueando seu aparelho com a Mi Band

Finalizando os recursos da Mi Band, é interessante observar também que ela pode ser usada para desbloquear o celular, substituindo assim a inserção de senhas ou padrões na lockscreen do aparelho. Porém, é importantíssimo frisar que essa funcionalidade só funciona na MIUI 6 ou no Android 5.0 Lollipop, já que essa tecnologia de desbloqueio só foi inaugurada pela Google na edição mais recente do SO.

Dessa forma, é interessante observar que, mesmo sendo baseada no Android 4.4 KitKat, a MIUI 6 possui suporte a tal recurso – que, por sinal, funcionou muito bem durante nossos testes. É necessário que a smartband esteja bem próxima do smartphone para que ele possa ser desbloqueado. Sendo assim, caso você passe pela infeliz experiência de perder o seu dispositivo ou tê-lo furtado, ninguém conseguirá acessá-lo sem sua pulseira por perto.

Bateria: que bruxaria é essa, Xiaomi?

O principal destaque da Mi Band é, de fato, a duração absurda de sua bateria de lítio, que, de acordo com a Xiaomi, possui 48 mAh. O material de divulgação afirma que ela é capaz de aguentar até trinta dias sem ser conectada à tomada. Mas não se engane: ela dura ainda mais.

Trata-se do gadget perfeito para quem não tem paciência de recarregar seus dispositivos o tempo todo.

Em nossos testes, recarregamos o produto por completo e utilizamos todos os seus recursos de forma intensa. Após uma semana, fomos conferir e a bateria ainda estava em 84%. Simplesmente inacreditável. A Mi Band é, dessa forma, o gadget perfeito para quem não tem paciência de ficar recarregando seus dispositivos eletrônicos o tempo todo. Vale observar, por sinal, que a recarga não demora mais do que três horas.

Também é importante ressaltar que usar programas de terceiros ou a versão chinesa do Mi Fit para ativar notificações de mais aplicativos pode fazer com que essa autonomia energética seja reduzida, já que a vibração gasta muita eletricidade da Mi Band. Ainda assim, não é perigoso estimar que, nesse cenário, a pulseira vai viver por pelo menos duas semanas até que você tenha que usar o carregador USB.

Resistência: um gadget para todas as situações

A Mi Band possui certificação IP67, o que significa que ela é resistente a poeira e água. Neste ponto, lembramos ao consumidor que tal certificação não garante que a pulseira possa ser submersa, mas assegura que ela sobreviva a banhos, chuvas e gotas de suor. Fizemos questão de ir ao chuveiro diariamente com a smartband e lavar as mãos com o equipamento no pulso para confirmar se isso é verdade.

Não tivemos qualquer tipo de problema nesse quesito, e o gadget continuou funcionando normalmente mesmo enfrentando humidade diariamente. Inclusive, é legal comentar que a estrutura da Mi Band é fácil de ser limpa – caso você acabe sujando o bracelete, basta retirar o núcleo e lavá-lo em água corrente, sem se esquecer de secar o compartimento do sensor antes de inseri-lo de volta.

O fator customização

O bracelete de elastómero termoplástico da Mi Band pode ser bastante confortável e resistente, mas precisamos concordar que ele não é a coisa mais “fashion” do mundo. Pensando nisso, a Xiaomi oferece no mercado uma pulseira alternativa para o wearable, feita de couro e com um visual bem mais elegante do que o tradicional. Lá fora, esse componente pode ser adquirido separadamente por US$ 40.

Sim, ele é mais caro do que duas unidades da Mi Band em si, mas precisamos concordar que se trata de um componente voltado a um público bastante específico – afinal, o bracelete de borracha não combina nada com um terno ou outro tipo de roupa de gala. Consideramos importante citar esse componente opcional, já que são pouquíssimos os gadgets vestíveis que oferecem essa liberdade de personalização para o usuário.

Infelizmente, a Xiaomi não informou se as pulseiras de couro serão lançadas no Brasil junto com a Mi Band em si; porém, visto que tais acessórios foram citados por Hugo Barra durante o leynote de lançamento da marca em nosso país, é provável que a companhia não demore muito até disponibilizar essas peças no mercado. Resta rezar para que elas não custem R$ 300.

Vale a pena?

A resposta curta é: sim! A Mi Band é, sem dúvida alguma, o dispositivo vestível com o melhor custo-benefício do mercado. Precisamos ser sinceros e dizer que seu sensor de passos pareceu impreciso durante alguns momentos: às vezes, permanecemos deitados durante algumas horas e ainda assim o aparelho afirmou que havíamos andado cem, duzentos e até mesmo trezentos passos.

A Mi Band é, sem dúvida alguma, o dispositivo vestível com o melhor custo-benefício do mercado.

Porém, isso está longe de ser um ponto negativo que impeça a compra do produto. A smartband possui um visual bacana, é resistente, confortável e possui vários recursos bacanas que vão além do simples rastreamento de atividades físicas – o alarme inteligente faz toda a diferença na vida do usuário e as notificações de aplicativos são bastante úteis, especialmente se você usar a versão chinesa da Mi Fit para ser avisado sobre novas mensagens no WhatsApp.

Junte tudo isso à bateria com mais de 30 dias de autonomia e ao preço baixo e você terá um produto capaz de conquistar até mesmo quem nunca teve vontade de comprar uma pulseira inteligente. São apenas R$ 95: bem menos do que o preço pedido por concorrentes como Fitbit Flex, Runtastic Orbit, Misfit Shine, Garmin vivofit, do bem máquina e All4One Connect. Não pense duas vezes: a Mi Band é um produto que você pode adquirir de olhos fechados.

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