Imagens do iPhone 5 vazadas semanas antes de seu lançamento (Fonte da imagem: Reprodução/iLab)

Nada mais é segredo no mundo da tecnologia. Dificilmente veremos uma empresa surpreendendo o mercado e seus consumidores como antigamente. Apenas seis anos separam o mercado de hoje e aquele que Steve Jobs chacoalhou ao apresentar o primeiro iPhone, que revolucionou o mercado de comunicação móvel.

Atualmente, mesmo que um produto altamente inovador esteja pronto para ser lançado, suas configurações, dados e até mesmo imagens vão chegar ao consumidor com alguns meses de antecedência.

O problema não é exclusividade de um ou dois fabricantes: dificilmente uma grande empresa no mercado de tecnologia consegue segurar informações sigilosas por muito tempo. Como exemplos, temos dezenas de vazamentos que se mostraram exatos, como o HTC One, Xperia Z1 e o iPhone 5, com direito a imagens de seu carregador e fones de ouvido. Nada passa despercebido.

Nas últimas semanas, vimos na prática isso acontecer com um dos maiores fabricantes de gadgets portáteis do mundo. A Samsung trouxe o revolucionário Galaxy Gear para sua linha de produtos, que não fugiu em nada das fotos espalhadas na web semana passada.

Como isso acontece?

Todo mundo sabe que o projeto de um novo produto é algo totalmente sigiloso, algo que é encarado como de primeira importância dentro das grandes fabricantes. A Apple, por exemplo, tem as famosas (e rígidas) políticas de sigilo, que se aplicam a funcionários, terceirizados e desenvolvedores.

Suposta patente de próxima geração do Google Glass (Fonte da imagem: Reprodução/Patentbolt)

Porém, dois elementos fazem com que seja praticamente impossível segurar dados: a terceirização e o acesso à comunicação. A velocidade com que as informações trafegam na rede faz com que uma foto feita por um funcionário de qualquer fabricante de componentes na China chegue à mão de editores de veículos especializados em poucos minutos.

A velocidade do mercado mobile

O mais impressionante é que isso só ocorre no mercado de dispositivos móveis, mais especificamente na parte de hardware. É muito raro observarmos vazamento de informações relacionadas a mudanças sistemas operacionais, a não ser em funções muito específicas, que podem ter alguns rastros escondidos em atualizações.

Enquanto computadores, por exemplo, são anunciados sem que qualquer rumor tenha saído (o Mac Pro é um exemplo), os smartphones e tablets encontram hoje uma concorrência gigantesca, o que faz com que seja necessário ser muito veloz entre o lançamento e a chegada dos produtos às prateleiras.

Após o anúncio de um novo smartphone, geralmente não passam mais de três semanas até que ele esteja nas mãos do consumidor. Com a alta demanda a nível global, as fabricantes precisam contar com estoques generosos do produto muito antes de seu anúncio oficial, o que abre as portas para o vazamento de informações sigilosas.

Terceirização e a velocidade de informações

Além de serem rápidas na hora de formar um estoque, as fabricantes acabaram se tornando verdadeiras montadoras de gadgets móveis. Elas criam produtos e terceirizam a fabricação de grande parte dos componentes. Isso multiplica a quantidade de pessoas que têm acesso a elementos de um aparelho.

Com o vazamento de informações diversas sobre elementos separados, geralmente a imprensa especializada consegue formar o quebra-cabeças, levando para os consumidores as expectativas que eles podem ter em relação às novidades de cada marca.

Imagem do Galaxy Gear surgiu na web dias antes de seu lançamento. (Fonte da imagem: Reprodução/Venturebeat)

Componentes como a estrutura do aparelho, seu processador, bateria e elementos complementares, ao serem vazados, podem fazer com que se tenha uma ideia muito próxima ao que o aparelho realmente vai ser – isso quando não surgem imagens de mockups de teste, esquecidos ou perdidos por funcionários das fabricantes.

E é aí que entra a web. Qualquer um que tenha a intenção de passar informações para frente consegue fazer isso em segundos. Se antigamente segredos industriais eram vazados apenas para concorrentes, hoje basta um post em redes sociais para que o mundo saiba as novidades de cada marca antes da hora.

Além disso, informações de registro de patentes também acabam ganhando a rede com muita velocidade. Um bom exemplo disso foi o registro do smartwatch da Samsung, que teve uma patente coreana distribuída em todo o mundo.

Vantagens e desvantagens

Para as fabricantes, é difícil ver muita vantagem nisso. Embora concorrentes teoricamente possam se beneficiar com as informações, não há muita coisa que possa ser feita ao longo do processo a não ser algumas mudanças estratégicas de posicionamento.

Para o consumidor, a vantagem nesse tipo de vazamento é que você pode esperar um pouco mais para comprar um novo smartphone, por exemplo, caso veja que alguém pode lançar algo que lhe agrade. Inclusive, com a frequência de vazamentos em algumas empresas, especialistas acreditam que isso pode até mesmo ser uma estratégia interna para retardar a venda de concorrentes.

O problema é que a ação pode ser um tiro no pé. Caso o vazamento traga altas expectativas e não se torne real, isso pode decepcionar os consumidores. Ao mesmo tempo, um rumor pode funcionar como teste de mercado para as fabricantes. Ideias liberadas ao longo do desenvolvimento do produto podem ajudar a medir o interesse da imprensa e público em alguma ferramenta específica – embora as pesquisas de mercado sejam sempre a melhor opção.

Além de influenciar nas vendas dos concorrentes, o impacto pode ser direto nas próprias vendas da empresa que tem as informações vazadas. Quem, com conhecimento dos rumores, vai comprar um aparelho novo sabendo que em poucos meses ele estará defasado?

O fim da surpresa

A grande desvantagem para o consumidor é, na verdade, um ponto totalmente psicológico: a surpresa. Ganhamos expectativas sobre um produto, mas perdemos a surpresa de ver algo revolucionário chegando ao mercado.

(Fonte da imagem: Shutterstock)

Produtos que chacoalham o mercado geralmente têm um processo mais lento de desenvolvimento e fabricação, tendo projetos mantidos em sigilo dentro da própria empresa. Isso geralmente ocorre quando não se tem a menor possibilidade de que algum concorrente consiga se aproximar, o que não é visto no mercado móvel.

De qualquer forma, mesmo que um gadget seja totalmente inovador (e a referência mais recente disso é o Google Glass), ele perde o seu status em menos tempo, já que informações sobre novas gerações com funções melhoradas começam a surgir na web em muito pouco tempo.

O fato é que, se qualquer empresa tem informações vazadas no mercado atual, precisamos conviver com o fim de experiências inovadoras no mercado de smartphones. Isso fica ainda mais reforçado com a tendência de inovações sendo liberadas a conta-gotas.

O que há pouco tempo era visto apenas na Apple, agora também começa a aparecer em concorrentes como a Samsung. Os lançamentos de novas gerações acabam se concentrando em melhorias ou criações de novas funções, mantendo o aspecto do modelo antigo.

Tudo isso cria um “combo de previsibilidade”, que faz com que o mercado de smartphones e tablets fique cada vez mais veloz, porém passe a sensação de ser menos inovador. E a tendência é que isso só piore com o tempo, afinal, a cada vez mais é necessário diminuir custos e tempo de produção, algo que é praticamente impossível de se conseguir mantendo a fabricação de grandes linhas de produtos com total autonomia.

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