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The BRIEF

Conheça a história da TP-Link, uma das gigantes do mercado de roteadores

Trajetória da fabricante chinesa TP-Link tem início modesto, destaque com vários modelos de aparelhos inteligentes e um presente marcado por disputas políticas

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule06/06/2025, às 08:00

A história da tecnologia normalmente privilegia companhias de produtos como celulares, computadores e serviços digitais, mas algumas companhias de atuação mais técnica acabam deixadas de lado. É o caso da TP-Link, uma fabricante de um dispositivo essencial para que você se mantenha online: o roteador que estabelece a conexão com a internet.

Essa companhia já é veterana no mercado e tem inclusive uma presença forte aqui no Brasil. A seguir, confira em detalhes a origem, a diversificação da companhia e também a complicada situação atual dela no mercado internacional.

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A origem da TP-Link

A fabricante TP-Link nasce em Shenzhen, na China, em 1996. Os dois fundadores são Chao Jiànjūn e Chao Jiāxīng, irmãos que no ocidente usam o nome de Cliff e Jeffrey respectivamente. Eles são executivos bem discretos, com poucas informações sobre eles na internet ou entrevistas fora da China.

O nome da companhia é baseado no cabo de par trançado, ou twister pair link. Ele foi inventado por Alexander Graham Bell, o criador do primeiro telefone. usado em Telefonia, terminais e linhas de modem, esse componente é formado por dois fios de um mesmo circuito que ficam entrelaçados entre si para reduzir a radiação eletromagnética e possíveis interferências.

Os irmãos começam produzindo placas de rede, um componente importante que gerencia a troca de dados de um computador conectado a uma rede, seja ela com ou sem fio. Até o começo dos anos 2000 você não ouve falar nessa marca, já que ela atua somente na China e disputa mercados com multinacionais.

No meio dessa década, ela decide mudar o foco para a produção de dispositivos de rede sem fio, como pontos de acesso e roteadores no geral. Pela falta de rivais locais, em dois anos para ela vira a líder de mercado local e maior fabricante chinesa de produtos de rede para casa e escritórios de pequeno ou médio porte.

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O TL-WR642G. (Imagem: Divulgação/TP-Link)

O ano de 2007 é bem importante para a TP-Link: ela começa a expansão internacional, inclusive para o Brasil, inicialmente representado por uma empresa chamada Unicoba. E saiu nesse ano o TL-WR642G, o primeiro sucesso global dela no setor de roteadores.

Destaques da TP-Link em roteadores

Ao longo dos anos, a fabricante lançou uma enorme quantidade de dispositivos para conexão com a internet por meio de cabos ou sem fio. Alguns dos modelos mais lembrados ou de maior sucesso comercial incluem dispositivos como:

  • o TL-WR740N, de 2009, um dos mais acessíveis e populares de toda a fabricante nesse período;
  • o Portable 3G TL-MR3040, de 2011, que criava pontos de acesso Wi-Fi para conectar tablets, celulares, consoles portáteis e outros eletrônicos se você estivesse viajando, por exemplo;
  • o TP-Link Archer C7, de 2013, que ajudou a espalhar a palavra do Wi-Fi de duas bandas e começou uma linha de sucesso;
  • o Talon AD7200, de 2016, primeiro roteador no padrão de Wi-Fi 802.11ad;
  • o roteador top de linha quad-band Archer BE900, um dos primeiros do mundo com suporte para o padrão de conexão Wi-Fi 7

A TP-Link diversifica os negócios

A reputação dela nesse campo fica tão grande que em 2015 ela fabrica junto com a Asus o OnHub, um roteador lançado pela Google. No mesmo ano chega a linha Pharos de equipamentos de rede para uso externo. Já no ano seguinte ela apresenta uma nova logo, que passa a impressão de marca descolada e caseira.

No mesmo ano, ela tenta entrar no mercado de smartphone com a linha Neffos. O primeiro modelo foi o C5, que a análise publicada pelo TecMundo na época achou “OK” dentro da proposta de intermediário com preço baixo. A família teve ainda mais modelos, como o X1 e o X1 Max, que já eram bem mais caros e também vieram ao Brasil. Mas esse não foi um segmento que ela insistiu muito até por ser altamente competitivo.

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O Neffos X1. (Imagem: Divulgação/TP-Link)

Saltando mais um ano, os lançamentos de 2017 são bem relevantes. O primeiro deles é a geração inicial de sistemas de conexão mesh da TP-Link, a Deco M5. A tecnologia mesh é uma rede de malha de internet: são dois ou mais módulos espalhados por um imóvel e conectados a um roteador compatível para formar uma rede de sinal estável e alta qualidade.

A segunda novidade do ano é a Omada, uma subdivisão para o mercado corporativo que oferece uma ampla variedade de soluções na nuvem e serviços de acesso à rede, além de suporte para o cliente.

o roteador mesh Deco M5 da TP-Link em cima de uma mesa de madeira
O modelo mesh de roteador da empresa. (Divulgação/TP-Link_)

Nesse momento, ocorre também a criação de novas divisões para diversificar a marca. Uma delas é a Tapo, marca do grupo para itens de casa inteligente. Ela começou com câmera e adaptador para tomadas, depois passando para lâmpadas e vários outros produtos, como um aspirador-robô.

A TP-Link tinha desde antes outra linha de produtos domésticos, a Kasa, que aos poucos tem sido deixada de lado. Já a outra submarca ativa é a Vigi, focada em dispositivos de vigilância e segurança, como câmeras de alta definição e monitoramento remoto.
 

Mudanças corporativas e problemas políticos

Nesse período, a divisão norte-americana e internacional da TP-Link começa a se separar formalmente da divisão chinesa, inclusive com equipes, estratégia e executivos diferentes. Essa foi uma medida não só de mercado, mas também política: era uma tentativa da empresa de mostrar que o braço dos Estados Unidos e da China não estavam diretamente conectados e, por isso, sanções do governo norte-americano não seriam necessárias. 

O resultado? Em outubro de 2024, nasce a TP-Link Systems em Irvine, na Califórnia. Ela é a fusão da divisão norte-americana e internacional, incluindo a filial brasileira, e atua separadamente da TP-Link Technologies, que é a marca original e presente apenas no mercado da China.

O aspirador robô da Tapo.
O aspirador robô que marca a diversificação da marca. (Imagem: Divulgação/Tapo)

As mudanças envolveram também os cofundadores. Antes, os dois eram os acionistas majoritários da empresa, mas o Jeffrey comprou a parte do irmão e passou a administrar o braço global sozinho. A TP-Link Systems atualmente é dona de 65% do mercado de roteadores domésticos nos Estados Unidos.

Mas toda essa reviravolta na estrutura corporativa não impediu a empresa de ter problemas. No fim de 2024, o governo de transição de Donald Trump cogita banir roteadores da marca por riscos em cibersegurança, possíveis laços com o governo chinês e acusações de espionagem. O caso segue em análise e ainda não teve um desfecho até a publicação desta matéria.

Em maio de 2023, a Check Point até encontrou um firmware malicioso em roteadores da TP-Link com possíveis ligações com hackers de origem chinesa. Mas ela não era a única empresa em risco, e sim a que foi escolhida para ter a falha explorada. Além disso, ela se defende dizendo que sempre atualiza os equipamentos para corrigir vulnerabilidades que são descobertas, e às vezes o próprio usuário acaba não colaborando.

Perguntas Frequentes

Como surgiu a TP-Link e qual é a origem do seu nome?
A TP-Link foi fundada em 1996, em Shenzhen, na China, pelos irmãos Chao Jiànjūn e Chao Jiāxīng, que no Ocidente usam os nomes Cliff e Jeffrey. O nome da empresa vem do "twisted pair link" (par trançado), um tipo de cabo inventado por Alexander Graham Bell, usado para reduzir interferências eletromagnéticas em conexões de rede.
Quais foram os principais produtos que marcaram a trajetória da TP-Link?
Entre os destaques estão o TL-WR740N (2009), um dos mais populares da marca; o TL-MR3040 (2011), roteador portátil 3G; o Archer C7 (2013), que popularizou o Wi-Fi de duas bandas; o Talon AD7200 (2016), primeiro com Wi-Fi 802.11ad; e o Archer BE900, um dos primeiros com suporte ao Wi-Fi 7.
Como a TP-Link expandiu seus negócios além dos roteadores?
A empresa diversificou suas operações com a criação de linhas como a Tapo (produtos de casa inteligente), Vigi (segurança e vigilância) e Omada (soluções corporativas em nuvem). Também tentou entrar no mercado de smartphones com a linha Neffos, mas não teve grande sucesso nesse segmento.
O que é a tecnologia mesh e qual a importância do Deco M5?
A tecnologia mesh cria uma rede de internet em malha, com múltiplos módulos conectados para garantir sinal estável em toda a casa. O Deco M5, lançado em 2017, foi o primeiro sistema mesh da TP-Link e marcou a entrada da empresa nesse segmento de conectividade doméstica avançada.
Por que a TP-Link separou suas operações internacionais da matriz chinesa?
A separação foi uma estratégia para reduzir riscos políticos e comerciais, especialmente diante de tensões entre China e Estados Unidos. Em 2024, foi criada a TP-Link Systems, com sede na Califórnia, que atua de forma independente da TP-Link Technologies, focada no mercado chinês.
Quais são os problemas políticos enfrentados pela TP-Link nos EUA?
A empresa enfrenta suspeitas de riscos à cibersegurança e possíveis vínculos com o governo chinês. Em 2024, o governo de transição de Donald Trump cogitou banir os roteadores da marca. Além disso, um firmware malicioso foi encontrado em dispositivos da TP-Link, embora a empresa afirme corrigir vulnerabilidades com atualizações constantes.
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