O Neffos C5, da TP-Link, acaba de chegar ao Brasil com uma proposta bem interessante e que já foi feita aos consumidores brasileiros por outras marcas há alguns anos: ser uma opção interessante de intermediário com boa performance e preço baixo.

Se isso lhe faz lembrar a proposta inicial do Moto G de primeira geração, você não está enganado. Acontece que o Moto G agora é um intermediário premium e custa quase duas vezes o valor do Neffos C5.

Esse dispositivo é o primeiro modelo da marca a chegar ao Brasil, junto com uma versão mais básica dele, chamada C5L, que custa um pouco menos. Nossa análise será focada apenas no C5 tradicional, que tem carcaça compacta, boas especificações e desempenho bastante decente para um aparelho dessa faixa de preço. Confira a seguir se vale a pena investir seu dinheiro nele.

Design

Esse smartphone tem um design similar ao que vimos em vários lançamentos da LG que chegaram ao mercado entre 2014 e 2015. Ou seja, dá para reconhecer muito dos G3 e especialmente dos G4 nesse dispositivo. O C5 se parece um bocado com o G4 Beat e outros por conta desse formato “quadradão” com uma barra maior na parte do fundo na frente.

A qualidade da construção no que diz respeito ao acabamento é boa. Não há qualquer detalhe aparentemente mal elaborado, mas os materiais da construção não parecem muito resistente, especialmente a tampa traseira. Se você comprar o dispositivo em sua versão branca, tenha mais cuidado. Mesmo com isso, só dá para saber exatamente como é a durabilidade dele no dia a dia.

Vale destacar que os botões de volume e energia, localizados na lateral direita, são fáceis de alcançar e possuem um retorno tátil bem claro. Isso quer dizer que, mesmo sem olhar, você sabe qual botão está apertando e tem certeza quando de fato pressiona um deles.

Os acessórios (fone, cabo e carreador) são bonitos e muito bem construídos. Você provavelmente não vai ter problemas com cabo quebrado em algum tempo ou fones sem funcionar por nenhum motivo aparente.

Desempenho

Como nunca tínhamos entrado em contato com um smartphone da TP-Link, e o Neffos C5 tem um preço bastante acessível, o bom desempenho dele foi uma pequena surpresa. O dispositivo realiza tarefas cotidianas com muita agilidade, lidando com apps de redes sociais, portais de notícias, navegadores e games básicos sem nenhum “engasgo”.

Já testamos smartphones mais caros e com hardware mais avançado que o do Neffos C5 que não funcionavam tão suavemente quanto ele

Ele também consegue rodar jogos mais avançados, como Horizon Chase e Angry Birds 2 com muita facilidade. O aparelho reproduz os gráficos desses títulos sem nenhuma perda adicional ao que já acontece por conta de a tela ser “apenas” HD e não há lentidão para carregar ou executar esses games.

Alternar entre apps e lidar com a interface geral do sistema é sempre muito rápido, o que evidencia uma ótima sincronia entre hardware e software. Já testamos smartphones mais caros e com hardware mais avançado que o do Neffos C5 que não funcionavam tão suavemente quanto ele. Apesar disso, ainda existem limitações, e os benchmarks revelam isso.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Neffos C5 a quatro aplicativos de benchmark. São eles: 3DMark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6GFXBench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

3D Mark (Ice Storm Unlimited)

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

AnTuTu Benchmark 6

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

GFX Bench (T-Rex HD)

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Vellamo Mobile Benchmark

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Tela

O display do C5 é construído no padrão IPS LCD e conta com 5 polegadas em sua diagonal. Isso, combinado com a resolução HD (1280x720), garante uma densidade de pixels “ok”: 293 ppi. O ideal é no mínimo 300 ppi, faixa a partir da qual o olho humano não distingue mais os pixels à distância em que usamos esses equipamentos do rosto.

Esse tamanho de tela é tido por muita gente como o mais adequado, pois garante um certo equilíbrio entre espaço e conforto em manejar o dispositivo com apenas uma das mãos. Contudo, como estamos falando aqui de um aparelho barato em tempos que smartphones subiram muito de preço, há defeitos nesse display.

Primeiro, ele não reproduz cores com fidelidade. A saturação parece muito baixa, o que deixa tudo com um aspecto meio esbranquiçado e sem vida. Tons fortes, como azul, amarelo e vermelho, são sempre os mais visivelmente afetados. Por outro lado, o nível máximo de brilho é bem forte, o que permite usar o C5 mesmo sob sol forte sem maiores problemas. Os amplos ângulos de visão também ajudam em situações mais extremas.

Software

Esse aparelho vem de fábrica com o Android Lollipop 5.1, o que é um ponto negativo, uma vez que o Marshmallow 6.0.1 já está no mercado há quase um ano e já estamos para receber uma nova versão por parte da Google. Ou seja, a não ser que TP-Link tenha planos para atualizar seu dispositivo muito em breve, ele terá um software muito defasado em poucos meses.

A personalização que a empresa aplicou sobre o sistema operacional é relativamente branda e funcional

Apesar disso, a personalização que a empresa aplicou sobre o sistema operacional é relativamente branda e funcional. Você não encontra no visual uma diferença tão gritante em relação ao que vemos no Android puro hoje no que tange ao design, mas há algumas diferenças estruturais bem importantes. Por exemplo: não há uma gaveta de apps, e você pode personalizar os efeitos de transição e temas de forma nativa, sem instalar launchers ou qualquer outra coisa.

A interface do sistema, apesar de não contar com a gaveta de apps para ajudar na organização, é funcional porque mantém muitas das habilidades do Android comum e ainda possui alguns extras inteligentes, como a loja de temas.

Esses temas não mudam apenas os ícones, mas sim todo os apps nativos do aparelho. Isso quer dizer que é possível fazer uma mudança bem profunda na aparência do software com poucos toques na tela.

Não há muitos apps desnecessários pré-instalados, mas temos sim aquela situação de apps repetidos: um app da Google para música e outro nativo do sistema para a mesma coisa, um app de email da Google e um nativo do sistema para a mesma coisa, e por aí vai.

Câmera

No departamento das câmeras, o Neffos C5 é bem mediano. Ele consegue fazer fotos intermediárias em boas condições de iluminação e é preciso ter paciência com o foco, além de manter seu braço o mais estável possível o tempo todo. Qualquer mexidinha resulta em fotos péssimas, totalmente borradas ou com muito ruído.

Porém, novamente temos que atentar para o fato de que praticamente todos os dispositivos dessa faixa de preço possuem câmeras tão deficientes quanto as do C5. Ou seja, ele está na média. Tecnicamente falando, temos um sensor de 8 MP atrás e outro de 5 MP na frente. O principal conta com flash duplo e autofoco.

O software da câmera, por sua vez, é bem interessante e simples de usar. Vale destacar a presença do modo de captura “inteligente”, que é uma variação mais avançada do modo “automático”.

As fotos feitas com esse modo inteligente ficaram sempre melhores em nossos testes, uma vez que ele funciona basicamente escolhendo qual modo de fotografia é mais adequado para cada cena automaticamente. Ele alterna entre paisagem, retrato entre outros sem que você interfira.

Bateria

A bateria do Neffos C5 é mediana. Ela consegue manter seu telefone longe das tomadas um dia inteiro sem problemas, mas isso em uso leve, sem jogar ou ver vídeos por muito tempo. Isso acontece porque a célula de energia é pequena, uma vez que o próprio smartphone é bem compacto. São apenas 2.000 mAh, o que é suficiente para um intermediário barato como esse, mas nada muito além disso.

Mesmo assim, ela dá conta de algum tempo de jogatina na volta do trabalho ou faculdade para casa e, como dissemos na seção de desempenho, o aparelho consegue lidar muito bem com vários títulos mais avançados.

Vale a pena?

O TP-Link Neffos C5 tem seus pontos negativos, mas eles não comprometem tanto a experiência de uso, considerando que quem vai comprar esse dispositivo são pessoas que não exigem muito do hardware no dia a dia. Afinal, estamos falando de um celular que está custando algo em torno de R$ 700 nas grandes lojas virtuais brasileiras.

O Neffos C5 tem seus pontos negativos, mas eles não comprometem tanto a experiência de uso

Como ele é dual-chip, tem espaço para cartões de memória e rádio FM, deve se tornar bem atraente para o público que não gosta de pagar muito em um smartphone, mas quer extrair o máximo de funcionalidade dele. Mas não é só isso o que ele tem a oferecer.

O desempenho é muito bom para um aparelho dessa categoria, o Android é relativamente limpo, e ele tem capacidade até para rodar games intermediários mais “pesadinhos”.

Esse telefone lembra muito aquilo que a Motorola trouxe para o Brasil com o primeiro Moto G. Hoje, ele concorre com modelos como o LG K10 e tem desempenho melhor que o Meizu M2 Note, por exemplo. Sua bateria não é excelente, e a tela e as câmeras são “ok”, mas, pelo preço que a TP-Link está cobrando, vale a pena sim investir no Neffos C5.

Onde comprar: KaBuM

Cupons de desconto TecMundo: