Fornecedores da Apple usam práticas racistas em anúncios de emprego

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O site The Information divulgou nesta terça-feira (08) uma análise de anúncios de emprego colocados nas mídias por fornecedores da Apple na China. O resultado é particularmente sensível para uma companhia que se orgulha de suas práticas inclusivas e igualitárias: mais de 30 dessas empresas discriminam ilegalmente minorias, como os uigures muçulmanos.

Em alguns anúncios de emprego, constavam explicitamente que o trabalho para a Apple incluía limites de idade e proibição de cabelos tingidos e tatuagens.

Os anúncios contendo linguagem discriminatória vem de diversas montadoras de iPhones, iPads, Apple Watches e AirPods. Entre os fabricantes, estão grandes fornecedores da Apple como Foxconn, Pegatron, Quanta , Wistron, Luxshare, Compal e Goertek.

Fonte: Bloomberg/ReproduçãoFonte: Bloomberg/ReproduçãoFonte:  Bloomberg 

Como foi realizada a pesquisa dos anúncios discriminatórios?

Para assegurar que os anúncios publicados por recrutadores de mão de obra tivessem relação com a Apple, a equipe do Information computou apenas aqueles nos quais a empresa da maçã foi explicitamente citada, ou aquelas que historicamente produzem produtos para a gigante americana.

Um anúncio de emprego feito pela fabricante de vidros para iPhones, Biel Crystal, em abril deste ano explica textualmente: “Tibetanos, uigures, Hui, Yi, Dongxiang do Tibete ou das regiões de Xinjiang não são aceitos”. Além de contrariar a própria lei chinesa, essas condições violam frontalmente as regras da Apple para fornecedores.

Para Katie Paul, diretora do Tech Transparency Project, que rastreou os anúncios discriminatórios das cadeias de suprimento da Apple, há grande "ironia" na atitude das empresas contratantes em segregar minorias religiosas e étnicas, uma vez que essas mesmas minorias são aceitas para trabalhos forçados extenuantes, patrocinados pelo governo chinês dentro dessas empresas.

Muitos desses anúncios são feitas por recrutadores terceirizados, o que dificulta o policiamento. A Apple reconheceu que também monitora esse tipo de comunicação em busca de discriminação ilegal, e que determinou a remoção de 300 deles.

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