Europa quer pacto mundial para conter 'lado escuro' da internet

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Ursula von der Leyen, atual presidente da Comissão Europeia, deu indícios de que o bloco econômico de países do Velho Continente deseja estabelecer um acordo mundial de regras para a internet junto ao governo dos Estados Unidos e outros países.

O objetivo, indicou, é defender a democracia e os direitos humanos – e o discurso foi realizado durante o Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira (26), que ocorre de forma virtual em 2021. Von der Leyen atribuiu a importância da iniciativa a eventos semelhantes à invasão do Capitólio do país norte-americano, no início de janeiro.

"O que ocorreu no Capitólio foi um choque. Sempre dissemos que a democracia é parte de nosso código genético, mas precisamos alimentá-la todos os dias e defender as instituições de ataques de fake news e ódio", indicou a alemã. "Vimos o lado escuro do mundo digital."

Ursula von der Leyen, atual presidente da Comissão Europeia.Ursula von der Leyen, atual presidente da Comissão Europeia.Fonte:  Reprodução 

Além disso, a também filiada à União Democrata-Cristã (CDU), partido de centro-direita do qual é uma das vice-presidentes, ressaltou os impactos do ambiente digital no mundo real, não deixando de citar uma das seis fatalidades ocorridas no episódio.

"Descobrimos que é um passo curto entre teorias de conspiração e a morte de um policial", disse, complementando que a rede "tem impacto não apenas na questão da concorrência, mas também na democracia, na segurança e na qualidade de informação."

Impactos da internet no mundo real preocupam autoridades.Impactos da internet no mundo real preocupam autoridades.Fonte:  Pixabay 

Papel governamental

Após tecer suas considerações, Ursula defendeu que é chegado o momento de se executar ações. "Precisamos conter esse poder imenso das plataformas online. Queremos que os valores offline sejam defendidos online. O que é ilegal offline deve ser ilegal online", pontuou, sugerindo intervenções mais humanas em soluções da web: "As plataformas precisam ser transparentes sobre como algoritmos funcionam. Democracia não pode depender de computadores."

Por fim, para Von der Leyen, legislações é que devem estabelecer quem deve ou não usar redes sociais, que, ainda assim, precisam ter responsabilidades sobre como removem e promovem conteúdo.

"Por mais tentador que fosse Twitter fechar a conta de Donald Trump, isso não pode ser só uma decisão de empresas. Precisamos de leis", reforçou, acreditando que este será um dos principais aspectos da democracia nos anos que virão.

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