A Meizu trouxe mais um smartphone para o Brasil por intermédio da Vi, a empresa que vende os dispositivos da marca por aqui. Nós estamos falando do MX6, o intermediário premium da empresa que tem uma série de qualidades e também alguns defeitos.

Para começo de conversa, ele é bem parecido com os novos iPhones da Apple, e isso pode agradar a algumas pessoas, mas também tem potencial para distanciar quem não quer algo desse tipo. Outro ponto interessante é que a Vi está vendendo o modelo sem o pacote ViStation, aqueles acessórios que a empresa embarcava na caixa de outros dispositivos da marca até então. Agora, você compra só o celular e consegue um preço bem mais interessante.

Mas afinal, vale a pena comprar esse aparelho em vez de outros modelos de marcas estabelecidas no Brasil, como Motorola, LG e Samsung? Descubra isso conferindo nossa análise completa.

Desempenho

Esse smartphone voa acima dos demais integrantes da sua categoria nesse aspecto. Ele tem o poderoso chip Helio X20 deca-core da MediaTek (mesmo do Quantum FLY) e conta com 4 GB de RAM, o que é o dobro de boa parte dos concorrentes. Isso quer dizer que ele não apenas tem poder de fogo para executar aplicações pesadas, como games e apps elaborados, mas também pode manter tudo isso carregado na memória do sistema por mais tempo, sem que você tenha que abrir esses apps de novo sempre que troca de tela.

Nós jogamos PinOut, Modern Combat 5, FIFA 17 e BGS Squadrons nesse celular sem nunca enfrentar momentos de lentidão. Claro que a qualidade gráfica não fica tão interessante quanto em modelos top de linha com telas de altíssima resolução, mas todos são perfeitamente jogáveis. Fora essa limitação, o MX6 pode rodar praticamente qualquer coisa que você encontrar na Google Play sem sofrer muito.

Nos benchmarks, ele conseguiu bons resultados, mas esquentou um pouco durante a execução desses testes. Isso, entretanto, é perfeitamente normal para um smartphone dessa categoria, especialmente para esses modelos feitos com carcaça metálica.

Benchmarks

Para a realização desta análise, submetemos o Meizu MX6 a cinco aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 6, Basemark X, GFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML5 e Metal).

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 6 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Basemark X tem como foco principal mensurar a qualidade gráfica dos dispositivos. Baseado na engine Unity 4, o app aplica testes de alta densidade, mostrando qual dos aparelhos se sai melhor na execução de jogos. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles, é avaliado o desempenho do celular no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

Como já adiantamos, e você deve ter percebido, o MX6 se parece bastante com os últimos iPhones da Apple. É inegável a inspiração da marca chinesa nesses produtos, especialmente quando você observa a parte da frente. A única coisa que foge bastante do “padrão Apple” é o formato do botão Home.

O posicionamento e o formato dos botões e das saídas ajudam a tornar o MX6 ainda mais parecido com os iPhones. Por um lado, isso é interessante porque ele acabou ficando muito bonito; por outro, essa questão pode espantar alguns usuários, que podem não querer “um celular que parece, mas não é iPhone”.

Meizu MX6 e Apple iPhone 7 Plus

Deixando isso de lado, a qualidade de construção do smartphone é excelente. A combinação de metal fosco com vidro de bordas curvas é praticamente perfeita, e você não vai encontrar nenhuma falha no MX6. Ele foi construído nos mais altos padrões de qualidade, aparentemente.

Tela

O display do MX6 é muito bom, especialmente para sua categoria. Ele é muito brilhoso e não deve ser problema para nenhum usuário que tentar ver algo na tela sob sol forte. A qualidade da representação das cores é boa também, perto da melhor qualidade que um painel IPS LCD pode conseguir.

A diagonal da tela mede 5,5’’, a resolução é Full HD, bem padrão para a categoria e no limite do confortável. Há muito espaço para ver e jogar, ao passo que o MX6 não fica tão ruim de segurar com uma mão só. O problema é que o celular é muito liso e escorrega com facilidade em qualquer superfície. Aí, é mais seguro procurar uma capinha no AliExpress ou DX.com.

Software

Esse smartphone chega ao mercado rodando o Flyme OS, uma versão altamente personalizada do Android feito pela própria Meizu para seus dispositivos. Seu visual lembra um pouco o iOS, sendo, portanto, bem diferente do Android Puro.

A área de notificações é diferentona, e não dá para acessar os menus dos atalhos ao fazer um toque longo sobre eles

A primeira indicação disso é a falta de uma gaveta de apps. Todos os ícones ficam soltos nas telas iniciais, e você tem que fazer a organização em pastas a partir de lá. Isso pode ser um inconveniente, mas, pelo menos, é possível usar widgets normalmente. A área de notificações é diferentona, e não dá para acessar os menus dos atalhos ao fazer um toque longo sobre eles, como no Android Puro e nos personalizados de outras marcas.

A forma de gerenciar e alternar entre apps abertos é um movimento que você precisa fazer de baixo para cima no display. Você pode ainda limpar todos os apps da memória RAM com um atalho, o que é interessante para o dia a dia do usuário mais hard core.

Em resumo, o Flyme OS é uma boa implementação do Android, mas ele pode gerar muito estranhamento em usuários que já utilizam o Robô há vários anos. Isso é verdade especialmente com o comando de voltar: você tem que dar um toque leve no botão Home sem apertá-lo. Se você o pressionar, ele volta para a tela inicial.

Problemas de conectividade

O visual geral da interface é bonito, assim como os apps padrão do sistema, e a fluidez de tudo é muito interessante. Contudo, encontramos alguns problemas que podem ser defeitos de software.

Quando isso acontecia, nós testávamos outros apps para ver se eles traziam a mesma mensagem, mas o problema não era generalizado

Apps de streaming, como Netflix, YouTube e Spotify, apresentaram muitos problemas. Eles viviam dando erro de conexão, apesar de o smartphone estar devidamente conectado à web por meio do WiFi ou do 4G. Quando isso acontecia, nós testávamos outros apps para ver se eles traziam a mesma mensagem, mas o problema não era generalizado. Só em alguns apps. Tivemos que desinstalar esses softwares duas ou três vezes em uma semana para voltar a usá-los.

Algo parecido aconteceu com Uber, Google Maps e Pokémon GO. Esses apps dependem fortemente do GPS, que parecia sempre estar com problemas para travar a posição do celular no globo. Em muitas ocasiões, ele simplesmente mostrava o aparelho em algum ponto remoto do Oceano Atlântico, milhares de quilômetros distante de onde ele realmente estava, em Curitiba. Para resolver isso, era necessário desligar e ligar o GPS ou colocar e tirar o MX6 do modo avião. Pokémon GO foi o que mais sofreu com isso. Na maior parte das vezes, não era possível executar o game.

MX6 e iPhone 7 Plus

A receptividade 4G e 3G do smartphone também foi consideravelmente pior que a de modelos similares de outras marcas, como Samsung, LG e Motorola, em nossos testes. Em áreas centrais de Curitiba, usando a rede da Vivo, o aparelho por vezes ficava com sinal mediano em 3G quando celulares ao lado conseguiam 4G com total intensidade na mesma operadora. Isso se refletia na velocidade de navegação mobile. O WiFi também foi muito mais lento que o de outros modelos em condições similares.

Em resumo, estamos diante de um problema de conectividade generalizado. Entramos em contato com a Vi para saber o que podia ser feito. Eles afirmaram que as dificuldades provavelmente eram um problema isolado da nossa unidade. Esperamos que esse seja o caso.

Câmeras

O MX6 consegue fazer fotos muito boas em praticamente qualquer situação de iluminação. Claro que existe uma piora na qualidade de imagens feitas à noite, mas ele sofre menos com isso que seus concorrentes.

O foco PDAF é muito rápido e garante que você possa fazer capturas sem demora. A reprodução das cores nas fotos é sempre bem realista. Ele não exagera no HDR e também  não satura demais as imagens. O alcance dinâmico é interessante, e você consegue fazer fotos de uma paisagem, por exemplo, sem ter o céu todo estourado.

O software de câmera tem uma série de recursos legais para brincar, mas nós vamos destacar a possibilidade de gravar pequenos vídeos e salvar o conteúdo em GIF para compartilhar nas redes sociais.

A câmera frontal não é das melhores, mas pode fazer imagens bonitas em boas condições de iluminação. É perfeitamente aceitável para selfies em grupo e para videochamadas.

Bateria

Um dos destaques mais interessantes do MX6 é a sua autonomia de bateria. Você consegue passar um dia inteiro longe das tomadas com uso mediano e ainda ter algo entre 30% e 40% de carga sobrando. Não dá para emendar um segundo dia sem colocar o aparelho na tomada, mas certamente dá para esticar um happy hour ou uma balada à noite e não ficar sem carga muito cedo.

Conseguimos espremer 7 horas e 8 minutos de execução contínua de vídeo

Isso considerando que você não está usando muito a câmera ou apps de mapas, que consomem muita bateria, naturalmente. De qualquer maneira, em um teste mais metódico, conseguimos espremer 7 horas e 8 minutos de execução contínua de vídeo no YouTube — com WiFi ligado e brilho da tela no máximo — do MX6 com uma carga completa da bateria.

Essa marca é consideravelmente melhor que a de concorrentes como Moto G4 Plus e Quantum FLY e bem similar ao que temos em modelos da Samsung na linha Galaxy A, como o A7 2016.

Vale a pena?

Não há dúvidas de que esse smartphone da Meizu é um excelente intermediário premium. Ele custa atualmente R$ 1.499 à vista na loja da Vi e tem um monte de pontos positivos que o colocam como melhor custo-benefício na categoria: ele tem um ótimo design, tem uma boa tela, qualidade de construção excelente e o desempenho é suficiente para rodar bem tudo o que há na Google Play. Ele é dual-SIM e tem mais RAM que a maioria dos concorrentes. O leitor de digitais é bom o suficiente, e as câmeras também.

A autonomia de bateira é o que mais destaca esse celular dos seus concorrentes, e o MX6 acaba sendo melhor que Moto G4 Plus, Quantum FLY e Galaxy A7 2016 em vários pontos. Por isso, nós gostaríamos de recomendar esse modelo da Meizu em vez desses aparelhos das concorrentes pelo conjunto da obra.

Mas os problemas de conectividade não podem ser deixados de lado. Mesmo a Vi dizendo que se trata de um problema isolado, o fato de termos pego uma unidade problemática pode indicar que existem outras por aí. Nesse caso, se você quiser arriscar e comprar um MX6, fique atento. Se algum problema no GPS, WiFi ou 3G/4G aparecer, faça a devolução antes do sétimo dia depois de ter recebido o dispositivo. Assim, é possível ter o reembolso ou uma unidade nova sem precisar dar satisfações. Nós explicamos como isso funciona em uma parte deste artigo.

Mas se você não quer correr o risco ou não está a fim de se incomodar, é melhor deixar o MX6 de lado e fazer uma aposta mais segura com a Samsung ou com a Motorola, por exemplo. Mesmo assim, fique sabendo que o MX6 tem um potencial maior que o dos concorrentes.

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