Esta matéria é original de 2014, mas foi reformatada no dia 09/01/2017

Existe algo em comum entre o TecMundo, o seu portal favorito de notícias sobre esportes e até mesmo aqueles sites de celebridades que todo mundo diz que nunca acessou. Esse algo é a organização responsável pela cessão dos domínios e protocolos necessários para o acesso de qualquer usuário às páginas. Estamos falando do ICANN, que também ajuda na determinação dos protocolos individuais de cada internauta.

ICANN significa “Internet Corporation for Assigned Names and Numbers” — ou Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números. Como o próprio nome diz, é uma organização responsável pelo gerenciamento da atribuição dos nomes e números que serão identificados como endereços virtuais na internet. Se o seu computador pode acessar o TecMundo, é porque existe uma central que compreende esse endereço como algo único.

Sem essa centralização, a internet seria uma completa desorganização. Afinal de contas, se mais de uma página pudesse ter o mesmo endereço, você imagina os conflitos que seriam gerados, não é mesmo? Mas isso é apenas um pouco de tudo o que o ICANN pode fazer. Confira agora mesmo muito mais sobre uma das instituições mais importantes da internet mundial.

Os domínios de topo

Uma das principais atribuições do ICANN é gerenciar e conceder os domínios de topo da internet (TLD) mundial — que também podem aparecer como "gTLD". Isso significa que a organização também centraliza as informações de todos os servidores da internet. Um domínio de topo é facilmente identificável pelo que vem após o “ponto” nos endereços. Por exemplo: “www.google.com” está no domínio de topo “.com”.

(Fonte da imagem: iStock)

Como explicado no próprio site do ICANN: “Para cada TLD existe uma entidade responsável por todos os domínios que terminam com esse TLD específico, com acesso a uma lista completa de domínios diretamente listados sob esse nome, bem como a uma lista dos endereços IP aos quais esses nomes estão associados”.

Fazendo uma analogia bem simples. O que vem antes do ponto seria o número de uma casa, mas o que vem depois seria a rua exata em que ela se localiza. Dessa forma, ao acessar o “Google.com” você está dizendo que quer a casa “Google”, que fica naquela rua “.com”. Nesse caso, a gestão do domínio de topos seria a VeriSign, que controla o registro de todos os sites terminados em “.com”, “.net”, “.name”, “.tv” e “.cc”.

ccTLD: os domínios nacionais

Cada país possui um TLD específico, que é chamado de ccTLD — sendo que “cc” significa “código de país”. É o caso do “.br” aqui do Brasil ou do “.jp” do Japão, por exemplo. Assim como acontece com TLDs comuns, os ccTLDs também respondem a diferentes entidades que facilitam a localização dos endereços cadastrados.

No Brasil, o responsável pelo controle dos domínios registrados é o “Registro.br”. Essa entidade é capaz de conceder o acesso de sites a uma grande gama de endereços que terminam em “.br” — você pode ver a lista completa por este link. É o “Registro.br” que fica encarregado também pelo envio das traduções necessárias para que os servidores DNS de todo o mundo consigam encontrar sites brasileiros na internet.

Adicionando novos domínios

O ICANN possui autonomia para disponibilizar domínios de topo quando julgar necessário, podendo isso ser realizado para países ou segmentos de produtos e serviços. Em 2008, o ICANN anunciou um programa que deveria expandir o número de TLDs genéricos para ampliar as capacidades de concorrência na internet — atualmente existem 452 TLDs registrados na instituição.

Central do ICANN, nos Estados Unidos (Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Mas conseguir uma licença para TLDs não é algo tão simples quanto registrar um site individual. É preciso obter autorizações especiais da organização, sendo que isso só acontece em determinados períodos não regulares. Até mesmo a Google precisa esperar por autorizações especiais — atualmente, o ICANN não está cedendo novos domínios e a empresa de Mountain View entrou com pedidos para o registro de dezenas deles.

Há domínios de topo não geridos pelo ICANN?

Como o ICANN revela em suas páginas, há alguns TLDs que não são geridos por ele. Estes são mantidos por instituições privadas ou não, mas que geralmente possuem acessos mais restritos e endêmicos. Dois exemplos citados pela organização são “.edu” (controlado pelo instituto Educause) e “.gov” (controlado pelo governo dos Estados Unidos da América). Além disso, sites e sistemas internos também não possuem qualquer vínculo com o ICANN.

DNS: traduzindo os endereços para os humanos

Se você consegue acessar o TecMundo digitando “www.tecmundo.com.br”, é porque existe uma central que consegue identificar esse domínio e traduzi-lo para o endereço IP correto — uma sequência de números única, que mostra aos computadores o local exato em que eles devem buscar os dados para a navegação. É nesse ponto que atua o Sistema de Nomes de Domínio (DNS).

Como mostra o site TechNet da Microsoft, “um computador cliente envia o nome de um host remoto a um servidor DNS, que responde com o endereço IP correspondente”. Como você pode perceber, o que o servidor DNS faz é exatamente uma tradução. De acordo com suas enormes bases de dados, ele consegue identificar os pedidos dos usuários (endereços textuais) para encontrar os arquivos nos servidores.

Mas qual o papel do ICANN nesse processo? Basicamente: gerenciar essas traduções. Os sites precisam estar armazenados em servidores registrados nas entidades que gerem os TLDs para que seus domínios sejam compreendidos pelo ICANN. Quando isso acontece, os usuários podem digitar endereços em qualquer lugar do mundo para terem acesso aos dados rapidamente, uma vez que a tradução ocorre sem problemas.

Vale dizer que um TLD não autorizado pelo ICANN não poderia ser encontrado por computadores que utilizam a internet comum. Isso acontece porque nossos dispositivos são conectados aos servidores DNS e somente domínios de topo homologados pelo ICANN conseguem ser traduzidos pelo sistema.

Há relação entre o ICANN e os IPs?

O ICANN não controla o fornecimento de endereços IP para os usuários de internet, mas colabora na coordenação desse serviço. Dessa maneira, o ICANN também pode ser citado como um dos responsáveis por evitar que mais de um dispositivo acesse a internet com a mesma identificação digital. A própria organização revela: “O ICANN é também um repositório central de endereços IP, a partir do qual são fornecidos intervalos de endereços aos registros centrais regionais que, por sua vez, os distribuem aos fornecedores de serviços de rede”.

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Como você pode perceber, o ICANN possui um papel vital para a internet mundial. A organização é responsável por “superintender a vasta e complexa rede interligada de identificadores únicos, que permite a comunicação entre os computadores ligados à internet”. Nenhum site fica armazenado em servidores do ICANN, mas, sem o trabalho do instituto, nenhum site poderia ser identificado única e ao mesmo tempo globalmente na rede.

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