Logo TecMundo
Internet

Deputados aprovam projeto de lei contra 'adultização' de crianças nas redes; saiba o que muda

Parlamentares fizeram alterações no texto, que traz responsabilidades para redes sociais em proteção digital de menores.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule21/08/2025, às 11:05

updateAtualizado em 21/08/2025, às 11:54

A Câmara dos Deputados aprovou em votação na última quarta-feira (20) o projeto de lei 2628/2022. Essa é a proposta de regras e responsabilizações que garantam a segurança de crianças em plataformas digitais.

O texto foi chamado informalmente de "PL contra a 'adultização' de crianças" e entrou na pauta após o vídeo publicado pelo influenciador digital Felca, que denunciou uma série de práticas condenáveis envolvendo a exploração da imagem de menores de idade em redes como o Instagram.

smart_display

Nossos vídeos em destaque

O que diz o PL 2628/2022

Com relatoria do deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), o projeto de lei definiu obrigações de plataformas digitais e de entidades fiscalizadoras para evitar a propagação desse tipo de conteúdo nas redes, inclusive (mas não se restringindo) aos com materiais sexuais.

O projeto de lei na atual versão considera inadequado conteúdos de exploração e abuso sexual, violência, assédio, indução a práticas danosas à saúde, promoção e comercialização de jogos de azar, tabaco, álcool ou derivados, publicidade enganosa e pornografia no geral. Ele inclui os seguintes tópicos:

  • Em uma adaptação do que já era previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), as redes podem ser obrigadas a realizar a "remoção imediata de conteúdos criminosos" e que violam direitos desse público, mas apenas por meio de "um processo específico de notificação" feito pela vítima, seus responsáveis ou entidades relacionadas;
  • As plataformas digitais terão que tomar medidas consideradas "razoáveis" para garantir que crianças e adolescentes não acessem conteúdos ilegais ou impróprios, de violência até a comercialização de jogos de azar;
  • Entre a exibição do conteúdo, está também a exposição desses usuários menores de idade à publicidade, além de recursos de coleta e tratamento de dados pessoais desse público;
  • Podem ser criadas regras que oficializem o papel de supervisão dos pais ou responsáveis;
  • As redes sociais precisam adicionar "mecanismos mais confiáveis" para verificação da idade dos usuários para além de um cadastro sem verificação dos dados;
  • Uma nova lei deve criar uma agência autônoma para regular os conteúdos, aplicar punições e exigir a retirada de materiais — nos moldes do que já acontece com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O descumprimento das medidas pode levar empresas e pessoas a serem multadas — com plataformas até correndo o risco de serem suspensas em caso de não cumprirem medidas cabíveis. Além disso, redes de grande porte (com 1 milhão de crianças ou adolescentes cadastrados ou mais) terão que apresentar um relatório semestral sobre a moderação realizada nesse tipo de conteúdo.

Quais os próximos passos?

O projeto de lei já havia sido aprovado no Senado, mas agora terá que voltar ao debate por lá. O motivo é a série de alterações no texto original que foram realizadas após discussão da Câmara, em especial a respeito de acusações de parlamentares conservadores sobre como a legislação supostamente abriria portas para censura contras redes sociais. 

Além disso, o tema envolveu até uma denúncia de lobby por parte da Meta, dona do Facebook e Instagram. Caso passe sem alterações no Senado, a lei será enviada ao presidente da República para sanção e entrar em vigor, algo que ainda não tem data para acontecer.

O que exatamente o tema ‘adultização’ tem a ver com regulamentação das redes sociais? Confira neste artigo do TecMundo mais detalhes sobre esse debate!

Perguntas Frequentes

O que é o PL 2628/2022 e qual seu objetivo principal?
O PL 2628/2022 é um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados que estabelece regras para proteger crianças e adolescentes em plataformas digitais. Seu objetivo principal é combater a chamada "adultização" de menores nas redes sociais, responsabilizando as plataformas por conteúdos inadequados e exigindo medidas para evitar o acesso de menores a materiais impróprios.
O que significa "adultização" de crianças nas redes sociais?
"Adultização" refere-se à exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdos e comportamentos típicos da vida adulta, como sexualização, violência, consumo de álcool, jogos de azar e publicidade enganosa. O termo ganhou destaque após denúncias de exploração da imagem de menores em redes como o Instagram.
Quais tipos de conteúdo são considerados inadequados pelo projeto de lei?
O projeto considera inadequados conteúdos que envolvam exploração e abuso sexual, violência, assédio, indução a práticas prejudiciais à saúde, promoção de jogos de azar, tabaco, álcool, publicidade enganosa e pornografia em geral. Esses conteúdos devem ser removidos mediante notificação específica.
Como as plataformas digitais serão responsabilizadas?
As plataformas terão que adotar medidas razoáveis para impedir o acesso de menores a conteúdos ilegais ou impróprios, implementar mecanismos confiáveis de verificação de idade e remover conteúdos criminosos após notificação. O descumprimento pode resultar em multas e até suspensão da plataforma.
O que muda na verificação de idade dos usuários?
O projeto exige que as redes sociais adotem mecanismos mais confiáveis para verificar a idade dos usuários, indo além do simples cadastro com autodeclaração. Isso visa impedir que crianças e adolescentes acessem conteúdos impróprios ou sejam expostos a publicidade direcionada.
Haverá alguma supervisão dos pais ou responsáveis?
Sim. O projeto prevê a possibilidade de criação de regras que oficializem o papel de supervisão dos pais ou responsáveis, reforçando a proteção dos menores no ambiente digital.
O que acontecerá com o projeto após a aprovação na Câmara?
Como o texto foi alterado na Câmara, ele precisa retornar ao Senado para nova análise. Se aprovado sem novas mudanças, seguirá para sanção presidencial. Ainda não há data definida para sua entrada em vigor.
Qual será o papel da nova agência reguladora mencionada no projeto?
O projeto prevê a criação de uma agência autônoma responsável por regular os conteúdos digitais, aplicar punições e exigir a retirada de materiais impróprios, funcionando de forma semelhante à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) da LGPD.
star

Continue por aqui