Diariamente, somos bombardeados com novas informações, e muitas vezes não conseguimos nos atualizar com a rapidez necessária para entender o vocabulário em constante mudança, que é o do mundo da tecnologia. Este artigo tem o propósito de ser um guia para consulta rápida de termos que possuem a terminação ware em sua etimologia.

Muitas palavras que mostraremos já devem ser velhas conhecidas de qualquer usuário de computador, mas algumas, além de curiosas, não são usadas com tanta frequência e, por isso, podem ser mal entendidas. Os termos hardware e software são os mais próximos da realidade de todos, e comumente são referidos com definições diferentes, algumas até engraçadas, como “hardware é aquilo que você chuta, software é aquilo que você xinga”.

Por que ware?

A palavra inglesa ware pode ter muitos significados. Em algumas expressões ela é usada como sufixo para designar um tipo de produto e, diferente do que muitos pensam, não é só na tecnologia que podemos vê-lo. Palavras como tupperware, houseware, tableware, etc. são usadas pelos falantes de língua inglesa para se referirem a utensílios domésticos, por exemplo.

O Glossário

Veja abaixo algumas das palavras mais conhecidas, bem como outras pouco usadas, mas que também fazem parte do compêndio dos termos que definem produtos de tecnologia.

Software — provavelmente a palavra mais conhecida dos usuários do portal Baixaki. No Brasil, usamos o termo “programa” para substituí-la, mas ela também é usada amplamente no mundo da tecnologia, mesmo no nosso país. O prefixo soft é usado como uma contraposição ao hard, de hardware.

Hardware

Hardware — as peças de computador são comumente referidas como o hardware do PC. Usado como prefixo, o hard designa a parte física de um produto como o computador, ou um vídeo game, por exemplo. Mas a expressão não é usada somente no mundo da tecnologia. Hardware pode ser todo tipo de peça para montagem de algo. A diferença é que no mundo da tecnologia, a palavra não precisa de complemento. Em outras áreas, ela é usada como hardware “de alguma coisa”.

Freeware — um programa gratuito, sem nenhuma restrição de uso, pode ser chamado de freeware, que é uma contração da expressão “free software”. Muitos programas do Baixaki possuem a licença freeware, ou seja, podem ser baixados e distribuídos sem a necessidade de autorização do autor, desde que não sejam alterados de nenhuma forma.

Shareware — alguns desenvolvedores de software pago distribuem cópias gratuitas de seus programas, mas com algum tipo de limitação, seja ela nas funções, tempo de utilização, quantidade de execuções, etc. Tais programas costumam vir com temporizadores que bloqueiam o uso por um tempo, enquanto exibem as vantagens de se comprar aquele software, além de mensagens e caixas de diálogo. Os sharewares também podem adicionar algum tipo de marca aos arquivos gerados por ele. Por exemplo: um programa de vídeo que possui essa licença pode inserir uma marca com o nome do desenvolvedor em toda a extensão do vídeo gerado.

O intuito do shareware é apresentar o programa ao usuário, para que ele o avalie e faça testes, convencendo-se de comprá-lo posteriormente. Não há uma convenção para definição de um programa como shareware, trialware ou demoware, pois todos eles possuem praticamente o mesmo tipo de limitação. Para jogos, costuma-se usar o demoware, ou somente demo, já que os jogos distribuídos sob essa licença possuem somente algumas fases, além das limitações já citadas.

Share, trial, demo

Trialware — também chamado somente de trial, tem uso similar ao shareware, mas costuma ser aplicado a programas com limite de tempo de uso ou número de execuções. A palavra trial carrega a ideia de “teste” ou mesmo “julgamento”, que são traduções que fazem sentido também no Brasil.

Demoware — ou demo, como já mencionamos, é geralmente usado para jogos que possuem poucas fases, limite de quantidade de execuções, limite de tempo e outros. Os demos são liberados pelos desenvolvedores para que os jogadores possam sentir um gostinho de como o produto final será. Eles são boas alternativas para quem só quer conhecer os jogos, sem comprá-los, além de possuírem tamanho menor do que o original, reduzindo o tempo de download.

Adware — publicidade é a maneira que muitos desenvolvedores de software livre encontraram para poderem sobreviver e manter a gratuidade de seus programas. O adware exibe propaganda embutida na interface do usuário. Outro tipo de adware são as famosas barras de ferramentas que acompanham instalações de outros programas. O prefixo ad vem de advertising (publicidade, em inglês).

Muitas vezes há alguma informação sobre a adição do adware, mas de forma camuflada para que o usuário não o exclua. Alguns desenvolvedores nem perguntam, incorporam o adware à instalação de outros programas e o usuário que se vire para removê-lo depois. O adware é comumente problemático por também conter algum tipo de spyware para espionar os costumes do usuário e exibir publicidade dirigida.

Spyware

Spyware — como comentamos acima, e seguindo a tradução literal do prefixo spy, o spyware é um programa feito unicamente para coletar informações do computador em que é instalado. Os dados são reunidos e enviados para o desenvolvedor, que os utiliza da maneira como lhe convier. Vários tipos de informação podem ser colhidos, como os hábitos do usuário, seus gostos musicais, nomes de login, senhas, números digitados, etc. Os objetivos variam de exibição de resultados relevantes de pesquisa, publicidade, até fraude bancária.

Malware — apesar de ser um termo recente, os malwares nos acompanham desde a existência do primeiro software. Alguns desenvolvedores gastam tempo criando programas maliciosos (daí o nome malware, do inglês malicious software). Para prender a atenção do usuário e convencê-lo a clicar em algum link ou executar o programa malicioso, são usadas frases de efeito e assuntos de interesse comum, como fotos, vídeos, correntes, pornografia, fofocas, etc.

Quando o usuário executa um malware, ele se instala no computador e pode ter diversos tipos de comportamento, como simplesmente danificar dados ou enviar informações sigilosas ao dono, para posterior utilização ilícita.

Scareware — em inglês, “scare” quer dizer “assustar”, que é justamente o objetivo desse tipo de programa. Na verdade, o termo não é usado somente para programas, mas para uma tática mentirosa de causar ansiedade e medo no usuário, para que ele seja convencido a tomar atitudes como clicar em banners publicitários, baixar software falso de segurança, etc.

Geralmente, o scareware está associado com publicidade enganosa: o anúncio é publicado em algum site, dizendo que o computador do usuário pode estar em risco. Pessoas menos informadas ou desatentas poderão clicar no banner, baixar o suposto software de segurança (ou mesmo acessar um site que se diz de segurança) e instalá-lo no computador. Tais programas costumam vir infestados de vírus, spywares e outros malwares.

Scareware

Vaporware — esta expressão costuma ser usada para programas, mas também povoa outras áreas. O vaporware é um produto que foi anunciado pelo fabricante em um estágio muito cru de desenvolvimento, causando expectativa no mercado. Porém, o produto acaba estourando cronogramas, demorando muito para ser lançado, ou mesmo nem ser lançado, por desistência dos desenvolvedores.

O fato de um vaporware não ser lançado não significa que o fabricante mentiu ao anunciá-lo, pois geralmente há uma intenção genuína de liberar o produto para o mercado. Mas durante a etapa de desenvolvimento, problemas vão acontecendo e postergando o lançamento do produto. Também podem ser chamados de vaporware produtos que são efetivamente lançados, mas o mercado não os absorve por decepção.

Donationware — um novo conceito, surgido na primeira década do século 21 é o donationware, que funciona basicamente com a doação de dinheiro para os desenvolvedores, permitindo assim que eles continuem a pesquisa e a melhoria do programa. A doação é espontânea e o valor também, isto é, você doa se quiser, e quanto quiser.

Donationware

Payware — qualquer programa comercial, ou seja, com fins lucrativos, pode ser considerado um payware. Existem diversos tipos nesta categoria, como por exemplo os softwares antivírus, que você paga uma licença por um certo período de tempo e deve renová-la periodicamente. Outros programas são seus para sempre depois que você comprá-los, dispensando a necessidade de pagar uma assinatura ou licença renovável. A desvantagem é que se uma nova versão do programa for lançada, você deverá comprá-la também.

Os sistemas operacionais também podem ser considerados payware. O Linux, apesar de ter seu código-fonte aberto, possui versões payware, que são as chamadas “distribuições”. Nem todas as distribuições são payware, mas boa parte delas é. Nesse caso, o payware seria um programa de código aberto, com alterações feitas por empresas do ramo, vendidos como qualquer outro.

CURIOSIDADE: por mais que empresas criem distribuições Linux e cobrem por isso, elas devem manter aberto o código-fonte do sistema e incluí-lo na documentação que acompanha o produto. Esses desenvolvedores não cobram pelo software (já que a licença é gratuita), e sim pelo “pacote”.

Betaware — muitas empresas lançam versões beta de seus programas, no intuito de testá-los em larga escala, para identificação de potenciais problemas. Esse tipo de programa não é recomendável para usuários menos experientes, pois costuma ter sérios "defeitos" ainda não corrigidos, já que se trata de uma versão ainda “crua” do software. Os programas beta também podem ter funcionalidade reduzida, para direcionar melhor os testes dos desenvolvedores para pontos críticos dos problemas.

Beta e testware

Testware — este é um dos nomes que provavelmente poucos já ouviram. Testwares são programas criados para testarem as funções de outros programas. Mas a palavra também pode ser usada para denominar aquilo que conhecemos como “plataformas”. O Microsoft .Net Framework, por exemplo, é um tipo de testware. Em geral, todo programa que tiver a palavra framework (plataforma) em seu nome, pode ser considerado um testware, pois possui um conjunto de instruções, arquivos e bibliotecas que podem ser utilizadas para fazer outros programas funcionarem.

Middleware — para que diferentes programas e sistemas “conversem”, é necessário um middleware. Ele é a ponte que liga, transmite e traduz as informações de cada um, permitindo que os chamados “sistemas distribuídos” funcionem. Pode-se entender o middleware fazendo uma analogia com as línguas do mundo. Uma pessoa falante da língua chinesa e outra de língua espanhola seriam os software, e o intérprete (pessoa que fala as duas línguas) seria o middleware.

Middleware

Firmware — a grande maioria do hardware utilizado em computadores possui algum tipo de firmware, que é uma espécie de programa residente, gravado diretamente dentro de um chip, com a função de coordenar e tornar “inteligentes” as tarefas do equipamento. Calculadoras, controles remotos, discos rígidos, teclados, celulares e câmeras digitais são alguns exemplos de eletrônicos que possuem firmware. Em resumo, o firmware pode ser considerado como a parte pensante, que dá vida a objetos inanimados.

Warez — procure fugir de sites que tiverem essa palavra escrita. Ela é variante de “wares”  e representa a distribuição e captação de software ilegal, geralmente relacionada a cracks e “recursos” que a pirataria utiliza para quebrar proteções de softwares e torná-los funcionais sem que o usuário pague o preço do programa. Eles também costumam ter suas páginas infestadas de armadilhas contra os desavisados, para espalhar malwares pela rede.

Uso comercial

A terminação ware também é usada em marcas comerciais, como uma forma de aproximar o público do produto. A fabricante de jogos e vídeo games Nintendo, por exemplo, possui uma família de jogos para o vídeo game Wii, chamada de “Wiiware”. Os wiiwares são jogos comprados e baixados através da loja oficial da Nintendo.

Outro exemplo de marca é a Alienware, que foi recentemente comprada pela Dell, e fabrica computadores para os entusiastas de jogos e máquinas de alto desempenho.

Usuarioware

Quantas palavras do nosso glossário você já conhecia? Existe alguma que você conhece e não foi citada? Fique à vontade para enviar as suas sugestões, no sistema de comentários.

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