É impossível pensarmos em nossas vidas hoje sem uma rede de comunicação tão versátil e abrangente quanto a internet. Através dela, nós podemos conversar com outras pessoas, compartilhar nossos trabalhos e até realizar transações bancárias.

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Mas você já parou para pensar sobre tudo o que precisou acontecer para que a rede mundial de computadores se tornasse realidade? O Tecmundo não só pensou sobre o assunto, mas também resolveu criar este artigo que explica detalhadamente todos os passos necessários para o desenvolvimento dela. Confira!

Interagindo à distância

Para começar a destrinchar a história sobre como a World Wide Web foi criada, é preciso voltar mais de meio século no tempo, no ano de 1957. Naquela época, computadores eram monstros tecnológicos desconhecidos pelo público em geral e estavam disponíveis apenas em instituições militares, centros de pesquisa ou bancos.

Terminais e mainframe na década de 50 (Fonte da imagem: Divulgação/Terminal Emulators)

Os computadores da época também eram grandes e precisavam ficar em salas especiais para se manterem na temperatura ideal. Por esse motivo, as equipes de programadores não tinham acesso direto à máquina principal e a tarefa de carregar os programas era desempenhada por outro especialista.

Essa burocracia gerava muitos atrasos e erros, e um sistema mais eficaz precisava entrar em ação. Assim, surgiu o conceito de terminais e time-sharing, em que o usuário podia interagir diretamente com o mainframe usando uma máquina de terminal conectada via cabo. Este sistema também garantia que vários usuários interagissem com o mesmo computador simultaneamente, sem nem perceber que o hardware estava sendo compartilhado.

Ainda assim, esses terminais agiam mais como um teclado e um monitor ligados ao “gabinete” à distância do que nodos se comunicando. Já o compartilhamento de informações entre diferentes células e instituições acontecia de forma manual.

DARPA e o mundo bipolar

O lançamento do primeiro satélite artificial pela União Soviética em 1958 representou um marco tecnológico, provocando o medo de que a URSS pudesse atacar os EUA a qualquer momento. A fim de manter-se na liderança tecnológica, o Departamento de Defesa Americano criou a Defense Advanced Reaserch Project Agency, ou DARPA, que conduziria pesquisas avançadas para o setor militar.

Com a missão de agilizar o processo de transmissão de informações e conhecimentos entre as várias instituições, o DARPA planejou uma rede de computadores de grande escala, chamada ARPANET. A rede também tinha a vantagem de centralizar as informações, evitando que dados fossem duplicados.

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No mesmo período, outras instituições ao redor do globo também surgiram com conceitos semelhantes. Entre as mais importantes estão a RAND, de caráter militar, a NPL, do Laboratório Nacional de Física na Inglaterra, e a rede Cyclades, criada para pesquisas científicas nas França.

Arpanet em 1969 (Fonte da imagem: Divulgação/CathaySchool)

Além das instituições oficiais do governo, universidades do setor tecnológico também mostraram interesse no compartilhamento de dados e informações através de uma rede de computadores. Este foi o pontapé inicial para a rede deixar de ser algo que apenas grandes instituições tinham acesso para se tornar um recurso mais abrangente.

Protocolos de comunicação

Para que a difusão de dados entre diferentes redes fosse possível, era necessário que todos os computadores conectados estivessem “falando a mesma língua”. Assim, nascia o Network Control Protocol, um conjunto de regras e procedimentos que tinha como objetivo padronizar a maneira como a comunicação eletrônica é desempenhada.

Mais tarde, o NCP seria substituído pelo mais sofisticado TCP, que tinha a vantagem de garantir que tudo o que fosse transmitido chegasse por completo ao destino, mesmo que houvesse quebras no meio do caminho. A versão aprimorada deste protocolo, chamada TCP/IP, é a mesma utilizada até hoje.

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O conjunto de redes gerenciadas pelo laboratório Cyclades, na França, também teve uma participação importante no desenvolvimento da rede global. Como o orçamento dessa instituição era mais limitado se comparado ao do DARPA, a equipe desenvolveu uma forma de permitir a comunicação direta entre um emissor e um receptor através da rede, mas com o mínimo de intervenção possível dos demais computadores. Nascia o conceito de roteadores.

Capitalizando a conexão

Notícias sobre as redes de comunicação de computadores começaram a se espalhar rapidamente, com cada vez mais instituições e empresas interessadas em acessar as informações disponibilizadas por elas. Entretanto, não era todo mundo que tinha os recursos para construir uma conexão entre os nodos da rede, deixando “buracos” especialmente entre as regiões que estavam mais distantes do centro das comunicações.

Foi aí que as companhias telefônicas viram uma oportunidade de expandir seus negócios, usando a sua já bem difundida infraestrutura de postes e cabos para suprir este novo tipo de cliente. O protocolo X23 foi criado logo a seguir, permitindo que os computadores pudessem usar as linhas de telefone como intermediário entre a origem e a rede principal — por um preço, é claro.

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O crescimento desse negócio milionário chamou a atenção de vários órgãos, incluindo o da bem conhecida Internation Organization of Standardization. A fim de padronizar a intercomunicação entre as várias redes e sub-redes de computadores, a ISO reuniu-se com universidades e outras autoridades para compor uma padronização universal de comunicação digital, chamada de Open System intercommunication, ou OSI.

O modelo OSI propõe um sistema bem definido de comunicação através de diversas camadas hierárquicas diferentes, cada qual com limites e objetivos bem especificados. Assim, todo o processo desde a abertura da comunicação, transmissão, recepção, verificação e correção dos dados é dividido em vários protocolos nas sete camadas, entre eles o TCP.

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Este novo modelo de comunicação logo foi adotado por todas as maiores redes do mundo, que puderam se interconectar e trocar informações além das fronteiras de países e continentes, algo que aos poucos passou a ser chamado de InterNet. Em 1990, os servidores originais da DARPA foram desligados, mas a internet continuou seguindo com as próprias pernas.

A World Wide Web como conhecemos hoje

Perceba que, até este momento, as informações eram trocadas apenas através de terminais de texto em telas pretas. Para deixar o compartilhamento e exploração das informações mais fácil, em 1990 o cientista britânico Tim Bernes-Lee desenvolveu um novo formato em que usuários poderiam explorar documentos gráficos interligados por hypertexto, projeto chamado de World Wide Web.

Tim Bernes-Lee, criador da World Wide Web (Fonte da imagem: Reprodução/Yovisto)

Neste modelo, as informações são acessadas usando um aplicativo especial como interface, chamado de browser, tirando proveito da arquitetura cliente-servidor. Os documentos são escritos usando a marcação HTML e identificados dentro da rede através de um denominador único chamado URL, que transforma endereços numéricos em nomes mais fáceis de serem lembrados, como “www.tecmundo.com.br”.

Computador NEXT usado por Bernes-Lee como o primeiro servidor web (Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

O projeto foi bem aceito e, em 1991, os primeiros servidores com as recém-nascidas páginas em HTML já estavam à disposição do público. Hoje, o gerenciamento dos padrões, distribuições de nomes e manutenção dessa infraestrutura é mantido pelo World Wide Web Consortium, que tem Sir. Tim Bernes-Lee como seu presidente.

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