Youtubers temem exclusão de canais após strikes em vídeos antigos

5 min de leitura
Imagem de: Youtubers temem exclusão de canais após strikes em vídeos antigos
Imagem: Creative Caliph/Shutterstock
Avatar do autor

Vários youtubers brasileiros estão utilizando as redes sociais no início desta semana para reclamar que estão recebendo strikes seguidos e que por isso estão à beira de perderem o canal.

Um dos casos que tomou a maior proporção foi do produtor de conteúdo Viniccius13, que faz vídeos do jogo Minecraft. Ontem (08), ele publicou no Twitter que havia recebido dois strikes e que o canal poderia ser excluído com mais uma ação do tipo.

O mesmo aconteceu com o Patife, que faz lives e vídeos de gameplay. Em conversa com o TecMundo, ele explicou o motivo para os strikes que podem levar ao fim dos canais. Segundo o criador de conteúdo, músicas que antes eram distribuídas sem restrições de direitos autorais começaram a exigir copyright. Com isso, o YouTube está distribuindo penalizações em vídeos antigos.

“Essas empresas têm o direito de fazer o claim [reivindicar] e dar o strike a qualquer momento. Ele é solicitado na hora pelo YouTube. No meu caso, eu tomei strike em vídeos de 2015. Na época, as músicas que utilizei não tinham copyright e poderiam ser utilizadas”, contou o youtuber.

Patife argumentou também que por serem vídeos mais antigos, ações do tipo não podem causar o “flag”, que retira a monetização do conteúdo. Por causa disso, uma reivindicação do tipo é logo direcionada para o strike, que é uma punição mais severa.

“A partir do momento que um canal toma o terceiro strike, já era. Então o meu [strike] veio um por dia, mas parece que outras pessoas tomaram dois no mesmo dia. Meu medo é acordar amanhã e o meu canal estar offline”, desabafa.

De mãos atadas

Patife afirma que tem conversado ativamente com outros produtores de conteúdo que estão sofrendo as sanções e que todos estão receosos com o que pode acontecer nos próximos dias.

Ele explicou que para diminuir um possível prejuízo, deixou privado cerca de 1,6 mil vídeos de seu canal. Apesar da possibilidade — não garantida — de evitar um possível terceiro strike, que seria fatal, o player diz que a decisão afetará seu canal de qualquer jeito.

Patife

Ao deixar os vídeos privados para se proteger dos strikes, o criador acaba perdendo as visualizações do conteúdo. De acordo com as contas realizadas por Patife, seu canal pode chegar a ter 50 milhões de views a menos, o que pode fazer com que o algoritmo do Google entenda que o material é irrelevante. Isso impactaria o engajamento do youtuber.

“Para um produtor, esse tipo de situação nos deixa completamente desprotegidos. E qualquer pessoa pode passar por isso, porque existem essas empresas que compram os direitos de músicas antigas e fazem esse processo de strike. Então ficamos à mercê deles, já que em alguns casos têm empresas que pedem uma quantia absurda em dinheiro para não dar o strike e não fazer a reivindicação do direito autoral”.

Campanha na internet

Para chamar a atenção do YouTube, várias pessoas se reuniram para uma ação conjunta nas redes sociais. Até mesmo o youtuber Felipe Neto entrou na discussão para cobrar uma resposta rápida para o que está acontecendo com os produtores de conteúdo.

“Essas máfias já foram combatidas pelo Youtube uma vez e foram derrotadas. Agora parece que estão tentando voltar”, disparou Neto sobre as empresas que compram direitos autorais por uma quantia irrisória e tentam cobrar dos produtores de conteúdo um valor maior.

Confira, abaixo, um pouco da repercussão sobre o caso:

O que diz o YouTube?

O TecMundo entrou em contato com o YouTube, mas ainda não recebeu um posicionamento oficial da plataforma sobre o assunto. A matéria será atualizada se o serviço emitir um comunicado.