O fenômeno das lives: do artista internacional ao seu colega de trabalho

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Durante o período de distanciamento físico adotado para tentar conter a pandemia da covid-19, o mundo está presenciando o crescimento exponencial de uma ferramenta que nunca foi o grande destaque das redes sociais: transmissões ao vivo. As lives estão atingindo recordes de audiência, e os motivos estão muito relacionados ao fato de o ser humano precisar de conexões — físicas ou virtuais.

No Brasil, o Instagram viu a audiência da ferramenta Ao Vivo dobrar no último mês. Globalmente, a empresa já registra 800 milhões de usuários ativos diariamente no Facebook e Instagram utilizando o recurso. Já o TikTok ultrapassou 2 bilhões de downloads durante a pandemia.

No YouTube, a busca pelo termo "lives" disparou desde o fim de março. Na plataforma de vídeos da Google, o Brasil cravou seu nome no ranking global de shows ao vivo, com a cantora Marília Mendonça alcançando 3,3 milhões de acessos simultâneos e 40 milhões de visualizações apenas durante a transmissão em 8 de abril.

E a "rainha da sofrência" não foi a única a se destacar mundialmente: os cinco shows ao vivo mais assistidos do YouTube aconteceram em abril; quatro deles foram de artistas brasileiros.

Lives mais assistidas(Fonte: YouTube — Abril/2020)

Fato é que as pessoas sempre tiveram curiosidade de conhecer os bastidores da vida dos famosos, por isso recursos como os Stories fazem tanto sucesso, afinal abriram uma porta para conteúdos menos maquiados, como os que vemos nos feeds. A oportunidade de saber como é a casa do seu cantor predileto ou poder pedir uma música mesmo em meio a uma plateia virtual com milhões de pessoas também agrada muito aos fãs.

No entanto, entreter as pessoas pode ser bem simples e não exigir uma equipe furando a quarentena para criar um cenário incrível. Assim como as celebridades que podem atrair multidões virtuais, aquele seu colega de trabalho — talvez até você mesmo — está usando o recurso de live como uma maneira de tentar quebrar a monotonia do distanciamento social. Outro dia, por exemplo, eu me flagrei assistindo a uma live de 40 minutos de um colega fazendo um sanduíche e falando sobre funk dos anos 2000 para o seu modesto público de cerca de 20 pessoas online. E posso dizer que foi bem divertido.

Como ganhar dinheiro com lives

Como consequência dessa necessidade de aproximação digital, artistas e influenciadores estão sentindo uma grande mudança nas suas ações de marketing e formas de interação com o público.

Do lado dos artistas, arrecadações financeiras podem ser feitas por meio de recursos como o Super Chat, do YouTube, ou as novas ferramentas de doação em lives no Instagram, Facebook e TikTok. Além de receber em benefício próprio, outro fenômeno são as transmissões beneficentes, que visam ajudar ações voltadas aos mais afetados durante a pandemia.

Pioneiro das lives gigantescas, o cantor Gusttavo Lima marcou 2,76 milhões de acessos simultâneos na sua primeira supertransmissão ao vivo e ainda arrecadou R$ 500 mil em dinheiro, alimentos e equipamentos para combate ao coronavírus.

Gusttavo Lima YouTubeLive do cantor sertanejo Gusttavo Lima.

Com tanta movimentação em torno das lives, é claro que as empresas não querem ficar de fora. Seja por meio do marketing indireto, como o product placement, colocando cerveja na mesa dos artistas durante os shows em casa, seja pelo patrocínio das apresentações, as marcas querem participar desse momento.

E o leque de temas das transmissões ao vivo está bem variado durante a quarentena: coreografia, leitura de poesia, receita, show de música, tutorial de maquiagem, rotina de exercícios e muito mais. Tudo isso permite que diversas áreas do mercado se mobilizem para ganhar uma fatia dessa exposição e dos crescentes números de audiência das redes sociais.

Os profissionais de marketing têm visto aumento nas impressões de anúncios e engajamento em posts patrocinados nas mídias sociais. A agência de influenciadores Obviously, por exemplo, relatou crescimento de 76% nas curtidas diárias em publicações pagas no Instagram nas duas primeiras semanas de março.

Pelo menos por enquanto, as diretrizes de conteúdo mudaram drasticamente para combinar mais com uma estética doméstica. Além disso, artistas e influenciadores precisam se adequar às novas exigências do público, que não está deixando passar nenhum escorregão ou discurso desalinhado com o que tentam vender na internet.

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