Não é preciso procurar muito para encontrar pessoas criticando o fato de que “as pessoas não leem mais” e dizendo que os smartphones e plataformas de vídeo estão “emburrecendo” o público. Indo na contramão disso tudo, uma nova pesquisa divulgada pela Kantar Brasil indicou que a internet – e as tecnologias a ela conectadas – está na verdade estimulando mais brasileiros a ler. A diferença é a forma e a profundidade dessa leitura.

Depois de entrevistar 13 participantes de forma presencial e 1 mil por meio da internet, os pesquisadores constataram que cada pessoa no Brasil lê em média 6,5 tipos diferentes de publicação. Os dados indicam que o público lê em grande quantidade graças aos seus dispositivos conectados, mas dá preferência materiais com menos profundidade.

Do que você gosta?

Em primeiro lugar, as notícias de páginas da web aparecem como fonte leitura para 85% dos entrevistados. Na sequência, aparecem os livros em geral (74%), textos de entretenimento em sites (70%), feeds de notícias em redes sociais (60%), jornais (56%), revistas de notícias e blogs (ambos com 53%). Revistas de variedades, artigos científicos, a Bíblia, conteúdos de apps, HQs e mangás também aparecem, com menos representatividade.

No meio digital, o estudo indica que há um foco maior matérias mais ligadas à informação, como reportagens e trabalhos acadêmicos. “São leituras mais velozes, realizadas em pequenos trechos ou blocos, ou de artigos e textos mais curtos”, explica a Kantar. Já no impresso, o consumo de material escrito tem margem para mais foco e dedicação por parte dos leitores, como preferência a temas ligados a lazer e relaxamento, como romances, ficção e autoajuda, por exemplo.

A preferência pela leitura de textos noticiosos pela internet pode ser explicada por uma sensação de falta de tempo citada pelos entrevistados, que associam os livros a uma atividade mais solitária e que exige dedicação. Por esse motivo, os sites de notícia comprem melhor a função de informar com comodidade e rapidez, podendo ser usados em telas de celulares e computadores mesmo durante o trabalho ou no transporte público.

Rejeição aos eReaders

Mesmo sendo conhecidos por boa parte do público, os eBooks ainda não conseguiram convencer as pessoas a trocar os livros impressos pelos modelos digitais. Entre todos os leitores entrevistados, somente 4% utiliza os eReaders e a maioria (60%) ainda define a leitura em dispositivos eletrônicos – incluindo também celulares e tablets – algo “desconfortável”.

A maior parte dos leitores acha os eReaders "desconfortáveis"

No geral, os aparelhos eletrônicos de leitura são associados a conteúdos gratuitos ou de baixo custo, de forma que o sucesso da categoria depende de preços convidativos e mais baixos do que os vistos nos exemplares físicos das obras literárias. Além disso, os eBooks também são citados como uma excelente opção para substituir livros pesados, com mais de 600 páginas, já que esses volumes grandes são incômodos de carregar.

Poder do YouTube

Ao contrário do que muita gente parece pensar, o sucesso das mídias sociais e plataformas como o YouTube também potencializa o interesse dos jovens pela leitura. Canais de vídeo, blogs, páginas no Facebook e perfis no Twitter e Instagram podem incentivar e influenciar seu público. Esse estímulo pode vir, por exemplo, de webcelebridade que comentam sobre obras específicas ou que até mesmo publicam seus próprios livros.

Recentemente, a youtuber Jout Jout fez com que centenas de pessoas fossem às livrarias do país para eventos de lançamento do seu livro, intitulado “Tá Todo Mundo Mal”. O mesmo pode ser dito de outros famosos do site de vídeos, indo desde obras em que reúnem relatos de suas histórias favoritas até mesmo a obras de ficção baseadas no mundo de jogos populares, como Minecraft.

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