A edição de 2015 da CES trouxe muitas coisas interessantes para os apaixonados por tecnologia e uma das empresas que mais surpreendeu foi a Intel, que apresentou novidades envolvendo seus processadores, SoCs e dispositivos vestíveis, entre outras coisas – saiba mais clicando aqui. Um dos pontos altos de sua apresentação, no entanto, foi a demonstração de usos das câmeras 3D em drones, permitindo que eles vejam e desviem de obstáculos automaticamente.

Para falar um pouco sobre as novidades apresentadas no evento, a empresa realizou em sua sede em São Paulo uma bate-papo com Reinaldo Affonso, diretor de tecnologia da Intel para a América Latina. O TecMundo esteve presente para saber mais sobre o futuro dessas tecnologias e suas aplicações no nosso cotidiano.

Aplicando o uso de sua tecnologia RealSense em drones, a Intel exibiu na CES uma demonstração em que o robô voador fugia de humanos que tentavam cercá-lo sem que tivesse que ser controlado para isso e fez com que ele passasse por um pequeno labirinto e esperasse a abertura de uma porta antes de seguir para seu ponto de destino. Embora a autonomia fornecida às máquinas seja impressionante, ela levantou algumas preocupações práticas.

Drones realmente úteis

Um dos pontos levantados foi o risco que esses equipamentos automatizados podem representar às aeronaves, já que um drone tragado por uma turbina poderia levar a acidentes graves. Para evitar esse tipo de problema, Affonso afirmou que a empresa estaria em contato com governos e instituições reguladoras para trabalhar em uma nova legislação para a aviação civil, permitindo que as máquinas voassem em determinadas altitudes.

Embora vejamos muitos modelos de drones sendo lançados dia após dia, é fato que a necessidade de um controlador acabava fazendo com que esses dispositivos parecessem mais um tipo de “brinquedo de luxo” do que algo realmente útil. No entanto, o diretor da Intel ressalta que a tecnologia RealSense poderia mudar de vez essa perspectiva, fornecendo utilidades práticas aos equipamentos automatizados.

“Um exemplo é a manutenção de cabos elétricos de alta tensão. Hoje, um helicóptero voa lentamente pela extensão da linha para observá-la e, caso encontre um defeito, é preciso colocar uma plataforma sobre os cabos e permitir que um funcionário suba lá e os repare. Agora, um drone especial poderia ser montado nas linhas, percorrendo-as sozinho enquanto pula os postes, detecta os defeitos e os repara, sem precisar de auxílio humano”, explica.

Menores, porém melhores

Além dessa aplicação específica, Affonso pontuou que o uso de câmeras 3D RealSense poderia ser usada para facilitar a implantação de carros autônomos sem a necessidade de todo um aparato exposto na parte superior dos automóveis – embora isso seja uma possibilidade mais distante no futuro. O uso desses sensores em tablets e outros equipamentos também permitira o desenvolvimento de jogos que interagem com o ambiente em que você está, algo mais próximo da realidade atual.

Tudo isso não seria possível, é claro, sem o desenvolvimento de novos processadores e SoCs, que combinam mais capacidade computacional com menor consumo energético e tamanho físico reduzido. Durante a CES, a Intel apresentou não somente a quinta geração de suas CPUs para computadores e dispositivos móveis, as linhas Broadwell e Cherry Trail, mas também exibiu o Curie, um computador completo do tamanho de um botão de camisa.

Segundo Affonso, essas novidades seguem a filosofia da empresa de abrir opções para que tenhamos equipamentos inteligentes em todos os lugares, sejam eles os dispositivos vestíveis ou outros tipos de produtos. Embora trabalhar para desenvolver chips cada vez menores e mais potentes seja algo caro, o diretor acredita que a constante evolução de seus produtos também coloca a Intel em uma “posição vantajosa no mercado”, o que compensa os gastos.

O futuro se aproxima

De acordo com Reinaldo Affonso, a quinta geração de chips da Intel deve chegar ao mercado ainda este ano, entre o final do primeiro trimestre e o começo do segundo, enquanto o Curie ainda não possui um prazo estabelecido. Já com relação aos dispositivos com a tecnologia RealSense, o diretor afirma que já estão disponíveis alguns aparelhos, como o tablet Dell Venue 8 7000 series.

Sem mencionar quando o aparelho chegará oficialmente ao Brasil ou qual será seu preço final, Affonso admitiu que o valor cobrado pelo aparelho deve ser mais alto na época de seu lançamento. Ainda assim, ele ressalta que o custo do produto não deve demorar a cair, como é habitual quando se trata de produtos eletrônicos.

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