Ilustração e design: Tim Trauer

Quanto um navegador pode mudar em menos de três anos? O Google Chrome tem provado que esse período é suficiente para uma série de aperfeiçoamentos que podem tornar a experiência dos internautas mais rápida e agradável.

O browser desenvolvido pela Google chegou ao mercado em 2008, com a promessa de ser mais veloz e intuitivo do que a concorrência. O resultado dos investimentos da gigante de Mountain View foi bem recebido pelos usuários.

Depois de 16 meses do seu anúncio oficial, o Chrome já detinha 4,63% do mercado de navegadores – marca não alcançada por browsers bem mais antigos, como o Opera, criado em 1994. Desde então, o produto da Google não parou de crescer.

De acordo com estudo da Net Marketshare, entre maio de 2010 e março de 2011, ele saltou de 7,04% para 11,57% do total das pessoas conectadas no planeta. Outras pesquisas apontam que sua atuação é ainda maior, tendo participação em 13,89% dos acessos à internet.

O Chrome também caiu no gosto dos brasileiros, conquistando mais de 18% do mercado nacional – segundo levantamento do serviço StatCounter, no período de março de 2010 ao mesmo mês de 2011. Esse valor começa a incomodar o Mozilla Firefox, que vê seu adversário se aproximando cada vez mais pelo retrovisor!

A importância que o Chrome vem ganhando já reflete nos acessos do Tecmundo. No mês passado, 32,89% dos leitores usaram esse browser para conferir nossos artigos e notícias – ficando atrás apenas do Firefox com 33,69%. Isso revela que a atuação do navegador da Google continua crescendo e tem um grande potencial no Brasil.

Nasce mais um produto da Google

O Google Chrome teve sua versão Beta anunciada no dia 2 de setembro de 2008 com a divulgação de uma história em quadrinhos. A empresa resolveu desenvolver o seu navegador por entender que os browsers existentes não acompanhavam a evolução da internet.

(Fonte da imagem: Reprodução página do Google Chrome)

Para a Google, os produtos da época foram criados para operar com páginas repletas de texto – característica que deixara de ser uma realidade. Os usuários já usavam a internet para ouvir música, assistir a vídeos, bater papo com amigos e familiares ou jogar games online. Em palavras mais contundentes, para a multinacional, os navegadores eram retrógrados e não satisfaziam as necessidades dos internautas.

A criação do Chrome levou em consideração o novo cenário da web, bem mais interativa e dinâmica que na época em que seus concorrentes haviam sido criados. O projeto do navegador foi elaborado com foco em velocidade, estabilidade e segurança.

Para isso, os programadores e engenheiros da Google adotaram duas tecnologias inovadoras: o Webkit (motor de renderização baseado no KHTML) e o V8 (recurso responsável por rodar o JavaScript com maior rapidez). A combinação dessas ferramentas é que tornou o carregamento e processamento das páginas mais velozes no Chrome.

Outro diferencial desse navegador foi o mecanismo para manter as abas em execução. Cada site ou serviço é mantido em operação independente, como se cada aplicação aberta estivesse em uma caixa separada. Assim, caso aconteça algum problema com uma das páginas visitadas, as outras não são afetadas – um método de estabilidade pouco explorado pelos navegadores na época.

Esse mesmo conceito de operações independentes oferece maior segurança ao internauta, isso porque as aplicações em execução não podem se comunicar, evitando o vazamento de dados e a ação maliciosa de pragas virtuais de uma aba para outra.

Aliado a tudo isso, o Chrome recebeu uma interface simples, mas que oferecia um visual mais limpo e compacto da área de navegação – aparência bem diferente do Internet Explorer 7 com suas largas barras de ferramentas e de título.

Os primeiros passos

Logo em sua versão de teste, o Chrome já surpreendeu. Em benchmarks realizados com sua JavaScript Virtual Machine, o navegador obteve a impressionante marca de 47 ms, sendo seguido pelo Firefox 3.0, com 293 ms; Opera 9.52, com 304 ms; e Internet Explorer 7, com 1082 ms.

Na primeira leva de atualizações, em dezembro de 2008, o browser da Google ganhou um gerenciador de favoritos e marcadores e uma poderosa ferramenta para o controle da privacidade de navegação. Inúmeras correções de falhas precisaram ser feitas, como a incompatibilidade com servidores de email e o erro de integração com o Windows Vista.

(Fonte da imagem: Divulgação/Google)

No primeiro semestre do ano seguinte, o navegador chegou a sua segunda versão. Entre as principais modificações implementadas, estão o suporte para o recurso de autocompletar na barra de endereço, a exibição de tela cheia (o botão de atalho é o F11) e o aprimoramento das abas – oferecendo ao usuário a possibilidade de remover ícones e thumbnails (imagens em miniaturas).

Em setembro de 2009, foi lançado o Chrome 3.0. A versão ganhou novos motores de processamento em HTML e Java, resultando no aumento de 25% na velocidade em relação ao modelo anterior. Nessa versão, a Google esboça seu interesse no HTML5 adotando um suporte para a tecnologia. A personalização do browser com temas dos mais diversos estilos é outro recurso que chamou atenção nesse lançamento.

Entrando na briga, para valer!

Na transição da terceira para a quarta versão é que o Google Chrome mostrou para que veio. Conforme citado anteriormente, em pouquíssimo tempo de existência o navegador conseguiu atingir marcas expressivas. Em janeiro de 2010, o browser da gigante de Mountain View já assumia a terceira colocação na “corrida dos navegadores”.

No dia 25 desse mesmo mês, a multinacional liberou a quarta versão do aplicativo. O programa ganhou a sincronização dos favoritos e o suporte para extensões, além de uma infinidade de correções de falhas de segurança. A possibilidade de instalar complementos no navegador, assim como acontecia no Firefox, colocou o Chrome mais uma vez em destaque.

A quinta versão do navegador trouxe um vagão cheio de melhorias. As mais notórias foram o aumento de velocidade no processamento do JavaScript, a adoção de novos recursos em HTML5 (como a reformulação do gerenciador de favoritos), o controle de ativação dos plugins no modo privado de navegação, a integração com o Adobe Flash Player e o suporte para recursos de geolocalização.

Renovação no visual e na integração

O Google Chrome 6.0 incorporou ao sistema de sincronização as extensões e formulários de autopreenchimento. Todavia, o que mais chamou atenção foi a renovação na interface gráfica. O navegador trocou os tons de azul pelo cinza (sem falar no aumento de transparência), os botões de atualizar e parar foram “fundidos” e os menus perderam suas bordas. A aparência minimalista do Chrome roubou a cena e o ajudou a abocanhar mais uma fatia do mercado.

A sétima e a oitava atualizações trouxeram ao navegador da Google um recurso para realizar upload de diretórios inteiros para sites ou serviços online, um visualizador próprio para documentos em PDF, uma atualização para o analisador de HTML5 e o suporte para sua loja online de aplicativos, a Chrome Web Store.

Depois de um ano de muito trabalho para os desenvolvedores da Google, o Chrome se consolidou – de uma vez por todas – como um dos principais navegadores da história.

Um novo ano, uma nova versão

O ano de 2011 mal havia começado e a Google já anunciava mais uma atualização do seu browser. No início de fevereiro, o Chrome chegou a sua nona versão em ritmo acelerado. A adoção de um renderizador gráfico, com aceleração via hardware para exibir imagens tridimensionais na web, chamado WebGL, lançou novamente o Chrome na frente da concorrência.

Outra novidade apresentada nessa versão foi o Chrome Instant – ferramenta que permite a visualização do site enquanto se digita a URL. Em crescimento constante, o browser da Google começa a incomodar os adversários Firefox e Internet Explorer, alcançando entre 11% e 14% do mercado mundial.

Enfim, chegamos à atual versão do Chrome. A atualização mais recente do browser recebeu um novo modelo do V8, a página de configurações agora abre em uma nova aba (em vez de caixas de diálogos) e, depois de muitas reclamações referentes a falhas de segurança, um sandbox (clique aqui para saber o que representa esse termo) para o Adobe Flash.

Mais uma versão engatilhada

Nessa disputa acirrada pelo mercado de navegadores, a Google já tem uma bala na agulha com o Chrome 12 Beta, já disponível para download no Baixaki. A multinacional não tem limites de velocidade: com a reformulação do V8 (motor JavaScript) o navegador deve ter uma performance 66% mais rápida.

Caso sua máquina tenha uma placa de vídeo avantajada, você terá redução de até 80% do uso da CPU, graças à função de aceleração que se integra à placa gráfica. Essa notícia é extremamente pertinente para usuários de computadores portáteis, já que o novo recurso pode poupar energia.

No embalo da tecnologia 3D, a multinacional implementou uma ferramenta de aceleração gráfica tridimensional por meio do CSS, a qual permite que desenvolvedores criem efeitos em três dimensões em uma página da internet com mais facilidade.

A página de configurações recebeu um novo layout, tornando-se muito parecida com um site – incluindo campo de pesquisa. O suporte para aplicativos integrados ao HTML5 (como o API speech input) possibilita a transcrição de voz em texto. Ao enviar sinal de voz pelo microfone, os servidores da empresa transcrevem o áudio em texto e o exibem na tela do navegador.

A funcionalidade de seleção múltipla de abas é outro recurso que pode ter grande utilidade no dia a dia dos internautas. Ao que tudo indica, o browser ainda tem muita coisa a oferecer aos seus usuários.

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