A espera está prestes a acabar: na próxima sexta-feira, jogadores do mundo inteiro — inclusive do Brasil — poderão colocar suas mãos no Xbox One, o console de nova geração da Microsoft. Com exclusivos de peso e recursos exclusivos, o lançamento do aparelho está sendo aguardado com muita expectativa pelos fãs.

No entanto, nem sempre foi assim. Desde seu anúncio, o Xbox One trilhou um caminho bastante conturbado e repleto de polêmicas, contradições e reviravoltas. Se hoje, faltando apenas alguns dias para a chegada do sistema ao mercado, todos querem conferir as novidades prometidas pela Microsoft, a realidade era um pouco diferente há alguns meses, quando a única coisa que a empresa recebeu do público foram pedras.

Em apenas meio ano, os jogadores odiaram e amaram a fabricante em diferentes medidas. Uma bipolaridade surgida exatamente da indefinição da Microsoft em relação a algumas de suas políticas, criando um vai e vem que marcou a trajetória do One, quase como em um jogo de tabuleiro.

E a poucos dias da chegada do produto às lojas, nada melhor do que revisitar esse caminho turbulento para relembrar quais foram esses erros e acertos e ver que nem só de alegrias é feita uma estreia.

Abril

A novela em torno do Xbox One começou em abril, um mês antes de seu anúncio oficial. Como sempre acontece às vésperas de apresentações, os rumores sobre o novo console pipocavam de todos os cantos da internet, mas havia alguns que mais preocupavam os fãs do que ajudavam na criação da expectativa.

Em meio às várias suposições de sua parte técnica, alguns boatos apontavam que o então chamado Xbox 720 impediria que os jogadores usassem games usados e que ele precisaria estar sempre conectado à internet para poder funcionar. E o que tinha tudo para ser apenas mais uma especulação ganhou força e começou a deixar os consumidores receosos quanto às estratégias da Microsoft para a nova geração.

E, como se não bastasse o silêncio para deixar todo mundo ainda mais preocupado, eis que um funcionário da Microsoft Studios surge do nada para jogar mais lenha nessa fogueira e dar início a uma das maiores polêmicas da história do One.

O diretor criativo da empresa, Adam Orth, decidiu expressar sua opinião sobre a suposta a exigência da internet no console e comentou em sua conta no Twitter que o mundo será todo conectado no futuro e que as pessoas tinham de aprender a lidar com isso, dando origem à famigerada hashtag “#dealwithit”.

E por mais que a Microsoft tenha finalmente quebrado o silêncio para se desculpar com os fãs pelas palavras de Orth — que, inclusive, pediu seu afastamento da companhia após o episódio —, ela não comentou nada sobre o fato de o “always on” ser verdade ou não.

Maio

Depois de muitos boatos, a Microsoft finalmente anuncia o Xbox One e promete levar o entretenimento a um novo nível. Durante a apresentação, a empresa se comprometeu em investir muito mais em títulos exclusivos, garantindo nada menos do que 15 títulos dedicados ao console, incluindo Forza Motorsport 5 e Quantum Break.

Porém, o que tinha tudo para ser a redenção da Microsoft depois de muita especulação e polêmicas sobre o One se transformou em mais dores de cabeça. Primeiramente, tivemos um desvio de foco que confundiu o consumidor. Boa parte do evento de anúncio da nova plataforma foi dedicada a explicações sobre funções multimídia, sobretudo à TV. Os jogos em si ocuparam uma pequena parcela do show, dando a impressão de que os games seriam colocados em segundo plano.

No entanto, o caos começou um pouco depois. Após a conferência, vários jornalistas questionaram executivos da Microsoft sobre a veracidade dos rumores e obtiveram informações desencontradas, o que apenas contribuiu para deixar tudo ainda menos claro e mais bagunçado. Era impossível saber em quem confiar.

Outra polêmica foi relacionada à política destinada aos jogos independentes. Como a ideia da empresa era unificar sua loja, acabando com as várias segmentações existentes, os títulos indies ficariam lado a lado dos blockubusters e, de quebra, as pequenas produtoras ainda precisariam de uma publisher para poder disponibilizar seus projetos — o que revoltou muita gente, principalmente por ser algo que ia totalmente contra aquilo que era feito no Xbox 360.

Junho

Quando você achava que a situação não podia piorar, a Microsoft decide confirmar todos os medos dos fãs. Conforme os rumores já apontavam, o Xbox One realmente precisaria se conectar à internet a cada 24 horas para funcionar — com direito à célebre declaração do então presidente da divisão, Don Mattrick, de que a opção para quem não podia ficar online com frequência era o Xbox 360.

Além disso, a empresa ainda garantiu que teríamos um sistema de DRM que impediria que as pessoas emprestassem e revendessem seus jogos. E, novamente, informações desencontradas deram um nó na cabeça do pessoal, já que nem mesmo a empresa parecia ser capaz de explicar o funcionamento desse bloqueio, indicando uma suposta ligação com sua conta na Live, mas também dando a entender que seria possível revender esse passe em lojas autorizadas.

E apesar de, inicialmente, a Microsoft ter dito com todas as letras que essas resoluções não mudariam, não demorou para que ela voltasse atrás e revesse todas essas decisões. Poucas semanas depois de oficializá-las, a companhia cedeu à pressão popular e retirou tanto o bloqueio de usados quanto a obrigatoriedade do online, dando mais liberdade ao jogador.

Diante de toda essa confusão, a esperança era que algumas respostas fossem apresentadas durante a E3. E se tudo parecia caótico até então, o evento veio para trazer um pouco de calma e mostrar que nem tudo era motivo para desespero. Durante sua conferência, a Microsoft tirou a má impressão que ficou no anúncio do console e trouxe uma nova leva de exclusivos para o Xbox One e outros títulos multiplataformas.

Killer Instinct e Dead Rising 3 foram grandes aquisições e a presença de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain e Titanfall fez o pessoal confiar um pouco mais no console, tendo a certeza de que a TV seria apenas um extra perto daquilo que ele poderia oferecer. Além disso, foi confirmado que o sistema chegaria às lojas por US$ 499, US$ 100 a mais que o PS4, com a diferença de que ele já viria com o novo Kinect no pacote. Já no Brasil, o valor oficial foi para R$ 2.200.

Julho e agosto

Dando continuidade à política de “arrumar a casa” — principalmente após a saída de Don Mattrick da presidência da Xbox —, a Microsoft anunciou que os desenvolvedores independentes não precisariam mais de uma publisher para que seus jogos possam ser disponibilizados na Live.

Já na sequência, a empresa revelou o chamado ID@XBOX, um programa de incentivo para atrair novos nomes para o Xbox One. Diante da explosão indie do último ano, afastar esse nicho era uma decisão perigosa que logo foi revista.

Para isso, eles reduziram as taxas de publicação e prometeram não cobrar nada por atualizações, algo que era uma das principais críticas dos desenvolvedores. Além disso, houve a confirmação de que todo console poderia se transformar em um devkit no futuro, tornando a produção de conteúdo muito mais acessível.

Outra vitória foi a retirada do Kinect como um elemento essencial do novo sistema. De acordo com o que havia sido anunciado anteriormente, o aparelho só funcionaria com o sensor de movimento conectado, o que levantou polêmicas sobre invasão de privacidade e outras questões relacionadas.

Setembro e outubro

Chegou a vez do Brasil. Depois de muita espera, a Microsoft confirmou a data de lançamento do Xbox One e garantiu que o Brasil será um dos primeiros países a receber o console. Desse modo, assim como Estados Unidos e alguns locais da Europa, a versão nacional do sistema chegará às lojas brasileiras no dia 22 de novembro.

(Fonte da imagem: Reprodução/Guia Xbox)

No entanto, a maior vitória do One em relação ao PS4 não foi apenas o fato do lançamento simultâneo. Nesta mesma época, a Sony anunciou que o PlayStation 4 seria disponibilizado no país por nada menos do que R$ 4 mil, ou seja, quase o dobro de seu concorrente — que custa mais caro lá fora.

A “mágica” por trás dessa diferença está no fato de a Microsoft fabricar o novo Xbox no Brasil, reduzindo consideravelmente a carga tributária aplicada sobre ele. No caso da Sony, a importação custou caro e fez com que o consumidor brasileiro tendesse muito mais ao lado verde da força.

Novembro

Depois de uma espera marcada por altos e baixos, o Xbox One finalmente chega ao mercado e coloca a Microsoft definitivamente na guerra pela nova geração. No entanto, o veredito será dado apenas na próxima sexta-feira, quando finalmente poderemos colocar nossas mãos no console.

Via BJ

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