Algum tempo atrás você conheceu – aqui no Baixaki – o modo de funcionamento do smile shutter, aquele extra das câmeras digitais que só faz a captação da imagem quando a pessoa retratada está sorrindo.

Nesse sistema, o processador da câmera analisa a imagem projetada no sensor em busca de padrões de formas e cores. Ao encontrar “manchas visuais” compatíveis com o formato de um rosto sorridente, o processador ordena o disparo do obturador, fotografando o retratado no exato momento da expressão.

Agora essa mesma tecnologia de reconhecimento de áreas está sendo aplicada para melhorar fotografias. Um software desenvolvido na Universidade de Tel-Aviv, em Israel, em colaboração com pesquisadores chineses da Universidade Zhejiang, utiliza o mesmo tipo de leitura, porém em outra fonte – o arquivo de imagem – para identificar falhas em parâmetros considerados essenciais para uma boa fotografia.

Uma vez identificadas as falhas, o programa define áreas em que a manipulação pode ser aplicada com mais peso e aquelas que não devem ser alteradas. Ao diferenciar essas regiões, um algoritmo programado altera tamanho e o posicionamento dos elementos principais da foto, aproximando o resultado final da manipulação a partir de conceitos comuns da fotografia, como contraste e foco.

É importante deixar claro que o software sino-israelita não fará de ninguém um profissional da noite para o dia. A intenção por trás do programa é desenvolver novas ferramentas de análise da imagem, bem como novos processos de tratamento de dados. Para visualizar melhor, uma das aplicações desse tipo de tecnologia seria em ferramentas de softwares de tratamento de imagem como o Photoshop.

O que é uma boa foto?

Para entender melhor o resultado final do processamento de melhoria das imagens, é preciso saber o que faz uma foto ser considerada boa.

Uma boa foto

No desenvolvimento do programa foi considerado apenas um dos fatores que fazem com que uma foto seja esteticamente agradável: a composição. Nos vários artigos sobre fotografia aqui do Baixaki já se falou bastante sobre isso, mas vale refrescar um pouco a memória.

A regra dos terços

Apesar do nome impositivo, pode-se considerar a regra dos terços como uma sugestão que – na maioria dos casos – faz com que os elementos de uma fotografia se distribuam de maneira agradável pelo enquadramento.

Ao dividir – de forma imaginária – a área total da foto em nove regiões através de duas linhas verticais e duas horizontais, o fotógrafo tem referências de pontos de interesse. No cruzamento das linhas – e não no centro, como se costuma acreditar – estão as regiões que mais chamam atenção quando se observa uma foto.

A regra dos terços aplicada em uma fotografia

Naturalmente, muitos fotógrafos profissionais – e amadores com maior domínio da técnica fotográfica – fogem a essa regra, utilizando enquadramentos laterais ou centralizados. Porém as escapadas são, normalmente, tentativas de encontrar outras formas de expressão, e dificilmente você encontra um corpo de trabalho que evite totalmente a composição em terços.

Dessa forma, ao programar as correções em seu software, os pesquisadores israelitas e chineses partiram dessa divisão do enquadramento como base para uma boa fotografia.

Passo a passo

Para efetuar o melhoramento da foto, o aplicativo de melhoria analisa a imagem e atribui valores às diversas regiões da fotografia.

(Fonte: Revista NewsCientist)

Áreas com maior quantidade de informação – mais formas, cores e detalhes de contraste etc – recebem um valor mais alto, e são consideradas pontos fortes. Partes sem variação tonal e com poucos detalhes recebem valores mais baixos. A partir dessa pontuação o programa recorta a imagem, altera o tamanho dos pontos fortes e refaz o enquadramento final.

O importante é a preservação da qualidade dos elementos principais da foto – as áreas de alto valor estético – na versão aprimorada da imagem. Para tanto, as alterações feitas no original são quase todas aplicadas às regiões de valor mais baixo.

Como a atenção do observador deve se concentrar nas áreas de maior pontuação, pequenos artefatos, ou mesmo deformações oriundas do tratamento passarão despercebidos. Para ajustes nas áreas de alta pontuação, o algoritmo determina alguns processos menos agressivos, mantendo assim a qualidade da imagem original nestes elementos.

Melhorou?

Certo, o programa realmente dá uma ajeitada em algumas fotos, partindo do princípio que o único problema das imagens seja a composição deficiente. O que isso significa em termos práticos?

Não muita coisa. Provavelmente alguns programas – GIMP, Photoshop e outros editores de imagem mais avançados – utilizarão esse algoritmo, ou algum parecido, para oferecer a mesma possibilidade a seus usuários. Ferramentas de análise de imagem podem surgir a partir disso, também, para uso em pesquisa espacial ou até mesmo subatômica.

Mas o ponto importante é: mesmo com um programa facilitando a composição de imagens, uma boa foto não é só resultado da disposição dos temas no enquadramento. Exposição, foco e parâmetros subjetivos – como conceito e intenção – são parte da qualidade de uma imagem. A tecnologia ajuda, mas não substitui um bom fotógrafo.

Cupons de desconto TecMundo: